Projeto TOCA! traz para a 1ª edição de 2022 as cantoras Luê e Maya

Show acontece nesta sexta, 22, no Goethe-Institut, em Salvador

Publicado quarta-feira, 20 de julho de 2022 às 05:00 h | Atualizado em 19/07/2022, 21:14 | Autor: Eugênio Afonso
Luê vem do Pará e traz na bagagem a enorme riqueza da música que se produz por lá
Luê vem do Pará e traz na bagagem a enorme riqueza da música que se produz por lá -

Criado em 2018, o projeto musical TOCA! está chegando para a primeira edição de 2022. Mais especificamente, nesta sexta-feira, 22, às 20h, no Pátio do Goethe-Institut Salvador-Bahia (Corredor da Vitória), as cantoras Luê e Maya se encontram para abrir os trabalhos. 

Duas artistas da nova geração da música contemporânea que invade o País, elas vêm de lugares diferentes, mas chegam com sede de reinventar o que se produz por aqui. Luê é paraense e traz fortes influências da música popular proveniente da terra natal e da música pop mundial.

Já Maya, responsável pelo show de abertura, é soteropolitana do subúrbio ferroviário e passeia pelas vertentes da black music, mesclando suas referências às levadas do R&B, trap, pop e pagotrap. O discurso é sobre a vivência como mulher preta, contextualizado a uma poética urbana e diaspórica.

“Esse show é para, além de entreter, trazer questionamentos, reflexões e autoafirmação enquanto mulher negra na construção da autoestima. Ele é totalmente performático e teatral, quase um espetáculo, uma experiência sensorial”, avisa a baiana.

Já Luê optou por outro caminho e conta que seu show será mais intimista. Para acompanhá-la, Fabrício Gamboji, ao violão, e Dominique Vieira na percussão. “Depois de meus últimos lançamentos (Mais Gostoso Lento e Virou o Zoinho), entrei numa espécie de bloqueio criativo. Então, esse é um momento especial porque consegui destravar esse bloqueio e me preparo para começar a contar a história do meu próximo disco. Vou apresentar algumas músicas que farão parte desse novo universo”, informa a paraense.

Diversidade de ritmos

Com formação clássica em violino, Luê traz no repertório músicas de seus dois discos – A Fim de Onda (2013) e Ponto de Mira (2017), além, claro, de algumas novidades, como a releitura da obra de outros artistas.

Suas novas composições marcam o início de uma fase mais dançante com referências do dub, reggae, música latina e eletrônica, mas sempre com a presença de sons da região Norte, característicos de sua trajetória.

“Vou apresentar uma mistura de tudo que rolou na minha carreira até aqui, então vai ser um passeio por músicas mais antigas, também as mais recentes e algumas novas que ainda não foram lançadas”, comenta a cantora.

Maya, que já tem os singles Meia Noite e Faca Amolada conhecidos do público – juntos os dois somam mais de 440 mil plays no Spotify – e lançou recentemente Violenta, uma canção que bebe na fonte da cultura latina, preparou uma seleção de músicas que ganharam notoriedade na pandemia e outras do repertório mais antigo. Ela entra em campo com o DJ Mhc e um grupo de quatro bailarinos.

Regiões complementares

Oriundas de regiões vizinhas e diversas, as duas acreditam que o Norte e o Nordeste costumam dialogar bem culturalmente, principalmente quando passeiam pela música. 

“O carimbó, que é um gênero musical característico do Pará e que tem influência indígena e africana, e o próprio calypso, que por meio da Joelma acabou se espalhando pelo Brasil, são sons bastante interessantes e que eu acredito que combinam com os que misturamos por aqui. A Bahia sabe fazer boas misturas sonoras”, assegura Maya.  

Luê lembra que essas duas regiões brasileiras, além de grande bagagem cultural, também têm um povo orgulhoso de sua origem. Ela assegura que sua relação com a Bahia é principalmente de respeito e admiração, não só pela música, mas pela gente, culinária, riqueza e beleza que o Estado oferece.

Quanto à sua música, Maya garante que ela quer chegar em mais pessoas, principalmente mulheres, jovens e crianças pretas. “Lembro que, na infância, quando tive esse ímpeto de ser cantora eu não via ninguém igual a mim na TV, consequentemente me desmotivava sempre. Hoje sou inspiração para muitas mulheres e quero proliferar a palavra. Imagine se eu tivesse visto alguém como eu na TV como eu não seria um passo à frente do que já sou? Representatividade é muito importante”, ressalta a cantora de black music.

Apostando também na importância de sensibilizar uma infinidade de corações alheios, a artista paraense reconhece que seu trabalho, como uma cantora de música popular brasileira que tenta mesclar ritmos tradicionais da Amazônia com influências do pop mundial, quer ser livre e se enraizar por todos os lados. 

“Eu gosto mesmo é de experimentar e fazer exatamente o que eu acredito, sem que eu precise mentir pra ser aceita. Quero ser uma representante da minha terra, cantando sua sonoridade de um jeito que as pessoas me entendam, acessível e gostoso de ouvir. Esse é o caminho que busco”, finaliza Luê. 

Brasil a dentro

Muita gente boa da cena alternativa tupiniquim já passou pelo projeto: Jaloo, Francisco, el Hombre, Ronei Jorge, Majur e Duda Beat, Lazzo Matumbi, IFÁ convidando Anelis Assumpção, Afrocidade, Rita Benneditto, Larissa Luz, Filipe Catto, Panteras Negras convidando Luedji Luna, Marcelo Jeneci, Livia Nery, Manuela Rodrigues, Giovani Cidreira, Josyara e Hiran, só para citar alguns. 

A edição de agosto (dia 19) traz o piauiense Getúlio Abelha, com show de abertura de Nininha Problemática, e a de setembro (02), ninguém menos do que o tropicalista iraraense Tom Zé, que se apresentará na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. A abertura será por conta dos nordestinos de A Trupe Poligodélica.

O TOCA! tem como proposta promover a música autoral contemporânea brasileira e, nesta temporada, está sendo realizado pela Dimenti Produções Culturais e Fundação Nacional de Artes (Funarte), através do Prêmio Funarte Festivais de Música 2021.

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