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Rodrigo Pitta se apresenta no ensaio do Cortejo Afro

Publicado segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014 às 06:38 h | Atualizado em 16/02/2014, 20:29 | Autor: Marcos Dias
Rodrigo Pitta
Rodrigo Pitta -
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Até fazer seu début  na música no segundo semestre do ano passado, com o  álbum Estados Alterados, produzido por Arto Lindsay, Rodrigo Pitta trilhou uma longa estrada em que a criação abria caminho para seus  desejos.

O show, que já foi visto em São Paulo e no Rio de Janeiro,   acontece nesta segunda-feira, 17, em Salvador, com um formato adaptado ao ensaio do bloco Cortejo Afro, no  Pelourinho.

"Na Bahia vai ser realmente especial, porque vou fazer o show num projeto maravilhoso e que é da minha família", diz ele, com um gás raro para quem conheceu  o sucesso cedo.

Em 1997, com 18 anos, estreou  dirigindo o musical Pocket Broadway. Em 2000, foi a vez de Cazas de Cazuza, que foi visto por mais de 400 mil pessoas, espécie de estopim dos musicais no Brasil.

Em 2003, lançou  o livro de poemas Água Gasolina e a Virgem Maria   e depois de outros espetáculos,   fez casting para filmes e criação artística em publicidade até decidir gravar o disco.

Para interagir com a  percussão do Cortejo, ele vem com convidados especialíssimos,  como  Arto Lindsay — que já produziu discos de Caetano  e Marisa Monte — e  tem ele próprio  uma discografia especial. Além dele, o  rapper Edi Rock (do Racionais Mcs), que participou de Sambas Urbanos e o  DJ Mau Mau, que remixou  Metrô.

"A gente está programando uma coisa para que role uma antropofagia eletroafro", adianta, tentando dar conta da mágica que só será conhecida mesmo com a energia dos músicos e plateia reunidos.

Primo do fundador e presidente do Cortejo Afro, o artista visual e designer Alberto Pitta, Rodrigo nasceu em São Paulo, mas tem uma história com o bloco, fundado em 1998.

Ímpar

Rodrigo já compôs músicas para o Cortejo, como Água Tudo, em  2009; e Panos Bonitos, quando  Matthew Barney  fez intervenções no desfile, em 2004. Foi no Cortejo também   que   conheceu o músico Arto Lindsay. Desde 2010, os dois trabalham no álbum.

"Meu disco é essencialmente de música brasileira, mas tem muito de música eletrônica. Arto buscou elementos eletrônicos em instrumentos acústicos de uma maneira muito ímpar", considera.

Eles trabalharam com a ampla questão sobre o que seriam estados alterados. "Vai da loucura à dor, a química, o amor, é uma coisa muito abrangente, um outro jeito de ver a vida".

Basta ouvir faixas como a que dá o título do álbum, e também Minha Cabeça Meu Avião, e Eletroquímico, para entender a  alta poesia que criaram. Como  a letra de Sambas Urbanos propõe: "Engolir a noite e traduzi-la em dias de sol".

Há  uma melancolia ambígua na sonoridade de Estados Alterados que busca numa espécie de transe um reencantamento do mundo. Não à toa, Rodrigo experimenta atualmente um estado alterado por excelência: "O amor é o maior estado alterado. Estou passando por isso, nunca vi nada parecido. Nada te transforma tanto".

Grandiosos

Os clipes do álbum que já foram lançados, como o de Metrô, Sambas Urbanos e Blue Tuesday, são  produções deslumbrantes, com a rubrica da 02 Filmes e da Casabanca Filmes. "Foi meio crowdfunding de amigos para  esses clipes acontecerem tão grandiosos". E são exatas interpretações do momento atual de Rodrigo.

"A Broadway, para mim, foi uma coisa mais da minha fase mais infantil. Aquilo acabou se transformando em outros gostos artísticos".
 
O artista ainda guarda na manga o lançamento de remixes que dão outras interpretações para músicas do álbum, revistas por nomes da música eletrônica como Terrence Parker e a hypada dupla Wawa.

A eletrônica, aliás, é um aspecto que deve ganhar prevalência em seu próximo trabalho, assim como a questão da negritude. "Agora estou maduro para tocar nesse assunto de forma mais consistente. Fui criado em São Paulo, tive uma história diferente, com  mil chances,  mas isso não me faz menos negro que meus primos e irmãos que convivi a vida inteira".

Apesar do parentesco com Alberto Pitta, os dois primos seguiram trajetórias, de certa forma,  paralelas. O pai de Rodrigo é irmão da mãe de Alberto. Médico, ele se mudou há 50 anos para São Paulo, onde Rodrigo e as irmãs nasceram.

A tia, Mãe Santinha,  fez sua história em Pirajá, no terreiro de candomblé Ilê Axé Oyá, em Pirajá, onde criou seus filhos e se originou o Cortejo Afro.

"É uma religião que conheço bastante, talvez não tenha muito tempo para me dedicar, mas adoro tomar um banho de folhas, adoro banho de pipoca. Meus pais são super católicos, mas faz parte da minha família por parte da minha tia e meus primos. Sou super da vibe".

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