"Talvez o jeito mais simples de educar uma nação esteja em nosso violão", diz Tato do Falamansa

Publicado segunda-feira, 22 de junho de 2020 às 21:26 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Bianca Carneiro*

Dos palcos juninos para o isolamento, o que acaba restando tanto para o público, quanto para os artistas representantes do forró, é a saudade de poder comemorar o São João e a busca por sua valorização. Em live do projeto A TARDE Conecta - Arraiá da Capitá, nesta segunda-feira, 22, o vocalista da banda Falamansa, Tato bateu um papo descontraído sobre a importância do forró, suas diversas faces espalhadas pelo mundo e a contribuição do artista para a convivência em sociedade.

Além da conversa, Tato ainda animou o público improvisando em voz, ukulele e violão sucessos como Xote dos Milagres, Avisa, Amigo Velho, Oh, Chuva e Um pouco mais de fé. Os seguidores acompanharam empolgados a transmissão e não paravam de pedir títulos famosos de Tato e do Falamansa.

“Eu não nasci no Nordeste, mas não sou eu que escolho o que me abraça musicalmente. É o meu coração, minha alma e eu tenho muito orgulho de ter o forró e poder levar adiante aí há 21 anos”, declarou Tato. O artista, que já morou na Alemanha e se declarou apaixonado por forró, conta que é possível encontrar variantes do gênero e da própria festa junina em diversos locais do mundo.

“Esse movimento passou de cultural para nacional, e hoje, se você for analisar, ele pode ser colocado como um dos grandes movimentos culturais do mundo”, afirmou.

Sobre a região nordeste e sua contribuição, o cantor diz que o nordeste precisa de justiça, pois passa por uma situação história de descaso. Na última live realizada, o Falamansa arrecadou doações voltadas a região. "Justiça seja feita, a gente já tem um atraso histórico e um descaso histórico com Norte e Nordeste brasileiro. Luiz Gonzaga sempre tentou colocar isso dentro da música", ressaltou.

A apresentação virtual, segundo ele, também foi uma forma de reencontrar os companheiros de banda. Separados há três meses, o último show do grupo ocorreu antes do endurecimento das medidas de isolamento social, em 21 de março. "Nesses 21 anos juntos, a gente nunca tinha ficado mais do que um final de semana sem se ver. Dois finais de semana foi o máximo que a gente parou", observou Tato.

Adepto as letras leves e a positividade, Tato destacou a importância da música como agente transformador de caráter e afirmou que busca sempre compor canções voltadas a fazer com que as pessoas aprendam alguma coisa ou saiam de uma situação ruim.

Ele relembrou a música Cacimba de Mágoa escrita em parceria com Gabriel O Pensador sobre o desastre provocado pela Mineradora Samarco, em novembro de 2015, na barragem de Mariana (MG) e garantiu que os direitos autorais da canção vão para ações sociais envolvendo as famílias ribeirinhas.

“Eu entendo que uma canção, uma palavra de incentivo, de fé, de amor é um antídoto para as coisas que as pessoas estão absorvendo o tempo inteiro. Uma hora isso volta em conflitos de internet, em conflitos dentro da nossa própria casa, em depressão”, diz Tato ao falar sobre a influência dos conteúdos veiculados na internet

“É tão importante o que a gente escreve em uma letra de música. Na minha opinião, e ninguém precisa concordar com isso, a nossa música usa muito alguns temas que são extremamente prejudiciais à nossa sociedade: traição, vingança, ira, em geral, dentro das músicas. Isso é algo que os compositores precisam rever. Uma criança que não tem um livro, que talvez não tem acesso à escola, pode ouvir umas 10 músicas por dia”, continua.

“A gente cobra tanto do exterior, mas talvez o jeito mais simples de educar uma nação esteja em nosso violão, na nossa guitarra, que é algo tão importante”. “Se a gente só repassa o ódio, a inveja, a falta de perdão, a vingança, a gente tá tirando um pouco de nós”, completa.

Assista a live na íntegra no Instagram do Grupo A TARDE.

Imagem ilustrativa da imagem "Talvez o jeito mais simples de educar uma nação esteja em nosso violão", diz Tato do Falamansa
Confira live completa no instagram | Foto: Reprodução | Instagram

*Sob supervisão da editora Keyla Pereira

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