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TEATRO

João Miguel volta ao teatro com o espetáculo "Bispo"

Eduarda Uzêda

Por Eduarda Uzêda

23/11/2015 - 14:15 h
João Miguel
João Miguel -

Memória, ancestralidade, oralidade, pluralidade de identidades, arte além das catalogações, de rótulos e estigmas aprisionantes, criatividade, olhar sobre as complexidades e contradições humanas individuais e do Brasil, além de transcedência.

Estes são apenas algums dos temas que reverberam no espetáculo "Bispo", que trata de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), artista que viveu por cinco décadas como interno da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, diagnosticado como esquizofrênico-paranoico.

O ator baiano João Miguel, reconhecido nacionalmente pelo talento, versatilidade e criação autoral de personagens e de produções em cinema, televisão e teatro, após 15 anos, resolveu remontar o espetáculo "Bispo", que diz ser um divisor de águas na sua bem-sucedida carreira. E por que de novo, João?

Entre outras coisas, além das questões já citadas no início da matéria, o intérprete afirma: "Esta postura de se reinventar me interessa muito. Estou falando de um homem em estado de criação e indignação. Este espetáculo é resultado de um trabalho que começa com toda uma dedicação e pesquisa do palhaço Magal (ele também é palhaço) e me permitiu aprofundar na pesquisa autoral deste outro personagem fascinante. A partir de Bispo, ingressei no universo de tipos brasileiros bem diferenciados (no cinema, teatro e na televisão) também fugindo a catalogações", diz.

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A fala do intérprete ilustra muito da importância da pesquisa do palhaço na sua carreira, o que se traduz em rica pesquisa do teatro gestual e estudo corporal (e aí também a memória é ativada), além de comunicação com o público em amplos espaços externos, o que exige grande capacidade de prontidão para novos estímulos de atuação e improvisação.

Estreia oficial em julho

Só para lembrar que João, como Bispo, se construiu plural porque através de personagens e de buscas individuais de pesquisa autoral (enquanto ator, diretor, palhaço etc) expõe leituras variadas do homem. Aliás ele lembra frase do griô africano Sotigui Kouyate: "Nós somos múltiplos. O problema é que não permitimos que estes múltiplos existam". E também lembra frase do personagem Bispo: "Eu às vezes deixo de trabalhar. Quando eu deixo de trabalhar eu fico transparente, mas normalmente eu sou cheio de cores".

A estreia oficial do espetáculo será em julho, mas as apresentações de "Bispo" em processo acontecem entre os dias 17 e 20 de dezembro, no Espaço Cultural da Barroquinha. "Estou fazendo o espetáculo pela primeira vez como eu queria. Neste espaço carregado de memórias, de ancestralidade", diz João Miguel, já que antes o local estava em ruínas.

Feliz em estar em Salvador, João diz que também passou um tempo no Vale do Capão, na Chapada Diamantina - "lugar que conheço há mais de 20 anos"- em conexão com a natureza. Espaços de memórias afetivas que reforçam uma visão afirmativa perante a vida.

Volta ao teatro

João Miguel diz que "voltar ao teatro é retomar a arte que nunca saiu de mim". Apaixonado pelo que faz — sim, ele é mesmo um operário de seu ofício - se sente melhor quando está em movimento. A alma assumida de cigano e o recurso do olhar de estrangeiro (é o daquele que é capaz de olhar as coisas como se fosse pela primeira vez e de viver histórias originais, segundo texto de Nelson Brissac Peixoto), se encaixa muito bem nele. Para estas pessoas, personagens e histórias ainda são capazes de mobilizar.

Projetos futuros incluem participação na primeira série original brasileira da Netflix como um vilão. No cinema, os filmes "Voltando para Casa", de Gustavo Moura, a ser lançado em 2016, e "Quase Memória", de Rui Guerra.

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