TEATRO
Lúcio Tranchesi estreia nesta sexta Terrário, seu primeiro solo, em formato online

Pequena estufa ou minijardim em que as condições de um ambiente necessário para o cultivo de plantas tropicais e subtropicais são recriadas. Recipiente onde se reproduzem os microssistemas naturais para a aclimatação de diferentes seres vivos.
As definições são da palavra “terrário”, que podem ter diversos tamanhos e ser feitos em diferentes materiais. Geralmente uma de suas paredes é transparente e confeccionada com a utilização de vidro ou acrílico, para facilitar a visão interior do local, que normalmente contém pedras, carvão, terra, além de animais e plantas diversificadas.
Para o intérprete Lúcio Tranchesi (de peças como O Sapato do Meu Tio, As Tentações do Padre Cícero e A Tempestade), que há alguns anos se dedica a fazer terrários, estes objetos, entretanto, podem sinalizar para a metáfora de voltar o olhar para dentro de si, de suas memórias, lembranças ou reminiscências pessoais.
Esta imagem é muito clara no espetáculo Terrário, primeiro solo do ator Lúcio Tranchesi, que este ano comemora 36 anos de carreira com atuações e participações elogiadas em teatro (O Galo, Por que Hécuba), cinema (Eu me Lembro, O Jardim das Folhas Sagradas, Cascalho) e televisão (Força Tarefa, Da Cor do Pecado).
A montagem inédita, que foi produzida para a 21ª edição do Catálogo Brasileiro de Teatro, da Fred Soares Produções, tem estreia nesta sexta-feira, 2, às 20h, no formato online.
É gratuita e pode ser conferida no canal youtube.com/FredSoaresProduções até o dia 18, às 22 horas.
Ritual xamânico
O solo tem dramaturgia de Tranchesi com Clara Romariz e direção de Paulo de Moraes, da conceituada Armazém Cia de Teatro, do Rio de Janeiro, que é reconhecida no país e tem 34 anos de trajetória artística.
Lúcio explica que o enredo, que nasceu das suas reflexões durante a pandemia, traz suas memórias pessoais através da história de um homem que está isolado e sozinho em casa, impedido de sair, porque o perigo e a morte rondam o ambiente exterior. Cansado desta situação, ele resolve arrumar uma mochila com seus velhos pertences e montar uma barraca, criando, então, um acampamento dentro de casa.
“Como eu não tenho o poder de mudar o tempo, resolvi interferir no espaço, trazendo parte das minhas memórias, principalmente do tempo em que morei na Chapada Diamantina. Brinco que ‘saio para dentro’, pois afundo nas minhas lembranças com histórias que parecem inverossímeis, mas são absolutamente verdadeiras”, garante Tranchesi. Ele contracena com um boneco de madeira, um Pinóquio, para o qual desfia as suas narrativas.
Em uma delas, por exemplo, Tranchesi relata como descobriu qual era seu animal aliado, através de uma experiência em um ritual xamânico. Induzido por um som de tambor e utilizando o poder da imaginação, ele visualizou a cobra três vezes e, na quarta, sentiu o animal no seu ombro. Em outra vivência, ele traz uma história fantástica, que é muito surreal.
Durante as filmagens do longa Cascalho, na cidade de Andaraí, Chapada Diamantina, Tranchesi se sentou, sozinho, durante a madrugada, às margens do rio Paraguaçu para agradecer ao personagem que ele representou, que não era de ficção.
“Quando abri os olhos me assustei, pois uma multidão de pessoas, homens, mulheres e crianças me encaravam. Eram muitos, muitos. Fechei os olhos automaticamente e eles desapareceram”, afirma o intérprete, acrescentando que voltou chorando copiosamente para o local onde estava hospedado. São apenas algumas das histórias fantásticas presente no solo Terrário.
Sons do mato
O diretor Paulo de Moraes, que também assina a edição do vídeo, afirma que: “Neste experimento cênico buscamos transformar em arte e poesia um trabalho que foi feito com simplicidade, com a precariedade de recursos”.
Alem da barraca na sala do apartamento do ator e a presença de um boneco como ouvinte, o público ouvirá os sons do mato na cena (trilha sonora de Ricco Viana). São estes os elementos que transportarão o público para o mundo interior do intérprete.
Clara Romariz, que assina a dramaturgia com Tranchesi, afirma que todo o trabalho foi feito com muito diálogo entre os dois, com sugestões de Paulo de Moraes. Ela ressalta a linguagem poética do solo.
Por fim, o produtor Fred Soares afirma que, por conta da pandemia, pela primeira vez o Catálogo apresenta sua versão online, acrescentando que ele conta com o apoio financeiro do estado da Bahia, por meio da Lei Aldir Blanc.
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