TEATRO
TCA recebe "Cássia Eller - O Musical" neste sábado

Em meio ao boom de espetáculos musicais que tem varrido os palcos dos grandes teatros pelo Brasil, Salvador recebe aquele que talvez seja o mais despretensioso da leva: "Cássia Eller - O Musical", em cartaz apenas amanhã no TCA, em duas sessões (16 e 21 horas).
A despretensão não é por falta de patrocínio. É mais uma questão de adequação à homenageada, Cássia Eller (1962- 2001), que conquistava a todos não só pela voz e performance eletrizantes, mas também pelo jeito simples e despojado de roqueira brasiliense.
Trata-se de um musical sem coreografias, e sim - como diz o material de divulgação - com "movimentação coreográfica", dirigida por Márcia Rubin. O elenco conta com sete atores. Uma produção simples, mas impactante, como Cássia.
Com direção de João Fonseca e Vinicius Arneiro, texto de Patrícia Andrade e direção musical de Lan Lan, o espetáculo traz a jovem (24 anos) revelação curitibana Tacy de Campos no papel-título conquistado após testes com mais de mil candidatas inscritas para as audições.
Não só os hits
"Me surpreendi bastante (ao ganhar o papel principal). Não esperava ser escolhida", garante Tacy, por email.
"Olha, foi bem difícil chegar nessas cinco pessoas do elenco", conta a percussionista baiana Lan Lan, que tocou com Cássia nos seus últimos anos de vida.
"Menos a Tacy. Ela não, ela foi unanimidade de cara. Isso, apesar de não ser atriz. De todos que apareceram, enxergamos nela essa lembrança imediata. Não é nem pela semelhança fisica. É por trazer a memória de Cássia", detalha Lan Lan.
Além de Tacy/Cássia, o elenco ainda conta com Eline Porto, Emerson Espíndola, Evelyn Castro, Jana Figarella, Glicério Rosário e Thainá Gallo, todos se revezando como amigos, parentes e parceiros musicais.
Na codireção musical está o baixista Fernando Nunes, que tocou com Cássia por boa parte de sua carreira, coordenando uma banda com Felipe Caneca (piano), Pedro Coelho (baixo), Diogo Viola (guitarra), Fernando Caneca (violão) e o ex-Cascadura Mauricio Braga, na bateria.
Lan Lan conta que o repertório do espetáculo foi todo trabalhado em grandes jams entre banda e elenco, mas sem privilegiar apenas os hits mais conhecidos de Cássia.
"Pegamos não só as canções que estão no inconsciente coletivo, os sucessos que o público conhece como ECT, Malandragem e as parcerias com Nando Reis, mas também algumas que correspondem cronologicamente à costura que desenhamos no roteiro", detalha.
Essencialmente intérprete, Cássia não era de compor muito, mas o espetáculo conseguiu incluir duas composições suas.
"O prólogo é um tema instrumental dela que tem o clima da jam session. A outra é Flor do Sol, que até já foi lançada pelo Chicão (Eller, filho) no iTunes. Foi descoberta há pouco tempo. Chicão recebeu a voz e o violão que ela gravou sozinha, na época que estava descobrindo o primeiro amor em Brasília", diz.
Se descobrir atriz
Apesar de ainda ser uma criança quando Cássia morreu, Tacy já tinha uma familiaridade com o repertório do espetáculo. "Eu tenho uma banda que faz covers das músicas que a Cássia cantava. Mas conheci de verdade a história dela através do musical", conta.
Aplaudida por crítica e público pelo ótimo desempenho, rodando o país como protagonista de um grande musical, Tacy admite: "Ainda estou me adaptando. Mas a experiência toda está sendo maravilhosa", afirma. "A (atriz) Ana Paula Bouzas foi muito importante no treinamento do elenco, especialmente da Tacy, que é uma puta cantora da cena underground de Curitiba e só agora se descobriu atriz", conclui Lan Lan.
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