TELEVISÃO
"A verdade é que os sonhos se modificam", diz Felipe Simas
Por Leonardo Valle | Estadão Conteúdo

O capoerista Beto Simas tem muito do que se orgulhar. Depois de seus filhos Bruno Gissoni e Rodrigo Simas estourarem na televisão, agora é a vez do caçula, Felipe Simas, consolidar-se como ator. Interpretando o vilão Cobra, na novelinha Malhação, da Globo, Felipe trocou a carreira como futebolista pelo amor à arte. "Tive muita sorte de estrear em um programa como este. Meus irmãos já me falavam que seria inesquecível, mas não imaginava que fosse tanto. A energia é tão boa que nem parece que estamos trabalhando", confessa. O trabalho como ator, contudo, começou antes da sua estreia em "Malhação". Felipe participou de diversas peças de teatro e integrou o elenco do filme Na Quebrada (2014). Atualmente, aguarda o lançamento de um longa sobre a trajetória do ídolo Pelé, no qual interpreta o jogador Garrincha.
Como você definiria o Cobra?
O Cobra, por mais que pareça um cara agressivo e desrespeitoso, não passa de um ser humano inseguro, que faz tudo daquele jeito apenas para se defender das decepções que a vida lhe causou.
Você se inspirou em alguém para compor o personagem?
Assisti a alguns filmes de luta, mas em relação à construção do personagem, eu diria que foi o Brad Pitt em Clube da Luta.
Qual o maior desafio neste trabalho?
Acho que o desafio para qualquer ator é humanizar o personagem e mostrar que todo mundo tem um coração e que, com um pouco de afeto e cuidado, pode ser tocado.
Apesar de marrento, o Cobra é bastante cuidadoso com a Karina (Isabella Santoni). Como vê isso?
A Karina deu um voto de confiança para o Cobra, e como é raro alguém fazer isso por ele, ele se sente na obrigação de cuidar dela e da relação dos dois. A Karina despertou um lado do Cobra que nem ele conhecia.
E a Jade (Anaju Dorigon) conseguirá conquistar o coração do Cobra?
Diferentemente da Karina, a relação Jade e Cobra é de interesse de ambas as partes. É o tempo todo um jogo de sedução. Só que, como na vida, o envolvimento vai te levando a gostar da presença da outra pessoa. A evolução desse sentimento é o cuidar, o carinho. Então, acho que a Jade tem grandes possibilidades de conquistar o coração do rapaz, sim!
O que mudou com a paternidade (Felipe é pai de Joaquim, de sete meses)?
Tudo mudou. Passei a enxergar o mundo com outros olhos e a querer fazer tudo da melhor forma para ser um exemplo para o meu filho.
Quais os seus planos para o futuro?
Aprendi que o futuro a Deus pertence, a gente apenas trabalha e faz por merecer. Pretendo voltar ao teatro e ter espaço na televisão e no cinema para fazer outros trabalhos que me encantem.
Sobre Na Quebrada, como foi a experiência de fazer cinema?
Na Quebrada foi um trabalho incrível, diferente de tudo que já fiz. Modificou-me artisticamente, pessoalmente e politicamente. Em um tempo em que a comédia reina no cinema brasileiro, fazer um projeto que retrata a difícil realidade das periferias brasileiras foi uma honra.
Tem mais projetos cinematográficos?
Sim, fiz outro filme que será lançado ano que vem. É um longa que retrata a vida do Pelé e estou ansioso para vê-lo finalizado. Me apaixonei pelo cinema e, tendo a possibilidade, pretendo fazer mais e mais projetos que amadureçam o meu lado artístico.
É verdade que seu sonho era ser jogador de futebol?
Como a maioria dos garotos brasileiros eu tinha o sonho de jogar pelo time que amo, vestir a amarelinha, e dediquei anos da minha vida a isso. Mas, quando pisei no palco pela primeira vez, senti um gosto diferente de tudo que já tinha sentido. Minha primeira diretora, a Bia Oliveira, diz que fui picado pelo bichinho do teatro e que era só questão de tempo para eu me dedicar por inteiro a essa arte. Não deu outra. Tentei conciliar as duas paixões por um tempo, mas quando tive de decidir o meu futuro, optei pela arte. E a verdade é que os sonhos se modificam.
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