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Comédia do comum com referências dos anos 1990

Débora Rezende* l Especial A TARDE
Por Débora Rezende* l Especial A TARDE
Everything Sucks mostra turma de adolescentes vivendo aventuras no período do ensino médio
Everything Sucks mostra turma de adolescentes vivendo aventuras no período do ensino médio - Foto: Divulgação

Tem sempre um quê de expectativa quando a gente começa a ver uma série nova. Com sinopses pouco desenvolvidas (e a gente entende o motivo, ninguém quer spoilers), fica mesmo difícil ter uma ideia real do que se trata a produção.

Assim, a gente começa a ver Everything Sucks, na Netflix, com um quê de elevada desconfiança. Não tenha dúvidas: ela se apresenta mesmo como uma história com ares de Sessão da Tarde ao trazer uma turminha do barulho enfrentando altas aventuras pelo ensino médio.

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Uma criação de Ben York Jones e Michael Mohan, ela parece ruim em sua essência quando colocamos assim. Calma nessa hora: não é ruim. Com dez episódios de pouco mais de 20 minutos, é uma comédia levinha de assistir e que desperta muita nostalgia.

Ela se passa em 1996, numa cidade interiorana dos Estados Unidos. No centro da trama, uma escola de ensino médio com seus grupos muito bem divididos, clubes para atividades extracurriculares, calouros e, como era de se esperar, o bullying de quando a palavra ainda nem estava em evidência.

Luke O’Neil (Jahi Winston), McQuaid (Rio Mangini) e Tyler (Quinn Liebling) são três garotos no primeiro dia de ensino médio. Obviamente, estão preocupados com coisas importantes: qual clube ingressar e quando começarão a sair com meninas.

Nerd e underground

Pareceria tosco (e é um pouquinho, verdade seja dita), mas eles são o que a narrativa norte-americana considera “nerd” e “underdog”: Luke é filho de mãe solteira e excelente em operar câmeras de vídeo; McQuaid é o típico deslocado, com seus cabelos e óculos grandes; e Tyler é literalmente sem noção.

Para completar o clichê adolescente, Luke se apaixona de primeira por uma garota mais velha, Kate Messner (Peyton Kennedy). Filha do diretor da escola, ela própria se sente deslocada e confusa a respeito da sua sexualidade.

No papel dos vilões, o Clube de Teatro, que persegue o nosso Clube do Vídeo. Assim, a primeira temporada é uma equação bastante simples: os calouros chegam à escola, temem os mais velhos, o “líder” do grupo de protagonistas se apaixona e eles sofrem bullying na mão dos outros alunos.

Assim, Everything Sucks é uma série ruim? Não necessariamente. Em algum momento, você vai rir: seja pelo hall de referências que a série evoca ou por uma sincera vergonha alheia, como quando Luke decide convidar Kate para sair e, ao invés de fazer uma simples pergunta, regrava o clipe de Wonderwall (Oasis), hit da época.

Não é uma produção profunda nem nada que traga para a roda grandes revelações sobre o ser humano. Na verdade, a comédia brinca com nosso sentimento de nostalgia (cantei muito junto com Luke enquanto afundava no sofá pedindo pelo amor de Deus que ele não fosse pedir a menina em namoro por meio de um vídeo na frente da escola inteira).

Os momentos mais interessantes e reflexivos ficam por conta de Kate, que vai se descobrindo homossexual ao passo em que sofre com o tabu da época. Luke também tem seus momentos quando o vemos lidando com a falta do pai.

Resultado: se não tiver nada melhor para fazer, assista.

*E-mail e Instagram (@rezendebs)

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