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TELEVISÃO

Despreparo da Record leva Máscaras a ser um enorme fracasso

Murilo Melo

Por Murilo Melo

17/07/2012 - 9:23 h | Atualizada em 17/07/2012 - 10:25

A essa altura do campeonato, mesmo com inúmeras mudanças na produção, “promissora” é um adjetivo que não cai tão bem em Máscaras. Quando começou, a novela parecia apresentar uma trama enigmática, um prato cheio de desenvoltura. Passados mais de três meses do lançamento, a impressão que se tem da novela da Record não é de dinamismo.

A trama traz no elenco principal nomes como Paloma Duarte, Fernando Pavão, Miriam Freeland, Giselle Itié e Heitor Martinez. É bordada por intrigas internacionais, teorias da conspiração, as muitas personalidades que as pessoas têm no dia a dia, além de tratar sobre organizações terroristas, espiões e criminosos.

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Mas parece que os trunfos guardados pelo autor não fisgaram a atenção do público, trunfos esses considerados arriscados a ponto de fazer o "da poltrona" rejeitar para sempre o folhetim.

Máscaras se transforma numa novela mixuruca, sem o alcance da voz poderosa do autor Lauro César Muniz, também evidentemente estragada pela direção. Em meio a mil e uma possibilidades inexploradas tanto no texto pelos atores, quanto na produção, só serviu para decepcionar com uns mistérios no roteiro que mais confundem do que causam curiosidade a quem assiste. Máscaras cansa, é uma perda de tempo.

Só para citar, a novela sofre de uma edição tosca. As cenas são recheadas de câmeras lentas, o que prejudica a fotografia. As sequências não prendem a atenção do público e são longas demais. Atores fracos, com interpretação rasa, parecem descarregar o texto sem provocar admiração de quem assiste. Falta controle por ali.

Dá para perceber que existe um desacerto entre os autores e a produção da novela. Edição, fotografia, trilha sonora, cenários, detalhes ignorados e elementos de cena distorcem do que os personagens falam, vivem e sentem.

Explico de maneira simples: é como se Lauro César Muniz idealizasse um projeto que não foi muito bem realizado. O autor passa uma mensagem e os diretores não conseguem colocar em prática. O texto do autor, em outras histórias como Poder Paralelo, Perigosas Peruas e O Salvador da Pátria, sempre foi bem tratado, irônico e bastante inteligente. Mas o que se vê, até então, é a ausência do efeito que propõe. Além do problema de produção, o péssimo desempenho é de outras ordens.

Com os índices de Máscaras em queda — com média de cinco pontos de audiência* —, a alta cúpula da Record acendeu sinal vermelho. Mas engana-se quem acha que foi para melhor. A emissora, radical como sempre, desrespeita o telespectador até onde pode.

O despreparo é tão absurdo que, em uma reunião de emergência, decidiu-se colocar, sem nenhum aviso prévio, a trama não muito distante da madrugada. Só se assiste a novela quando a direção da Record bem entende encerrar o reality A Fazenda 5.

Na sexta-feira (13), a atração começou às 23h30; nesta segunda-feira (16), às 23h15, hoje anunciaram que seria às 23h e amanhã? Um mistério, ninguém sabe. Lamentável, para um trabalho artístico envolvendo profissionais de diversas áreas.

Novela é um artigo de luxo caríssimo. Quem se mete nesse negócio sabe que não é brincadeira. Cada capítulo, a depender da emissora, chega a custar em média R$ 250 mil ou R$ 300 mil. Não dá para fazer por menos. Mas a direção da Record parece fazer pouco caso. Pelo tratamento que dá às suas novelas, acha que o valor é apenas um mero detalhe.

O problema no setor de dramaturgia da emissora da Barra Funda é antigo, todo mundo sabe, mas Máscaras, que poderia ser brilhante, ao contrário de dezenas de produções da empresa, amarga problemas por ser desprezada pela própria Record.

Diante disso, a crise foi além dos bastidores. O diretor Ignácio Coqueiro foi trocado por Edgar Miranda sem nenhum comunicado à equipe, atores do elenco enviaram carta à imprensa demonstrando inconformidade com o tratamento dado pela mídia à novela, disseram até que não são convidados para outros trabalhos.

E teve mais. O próprio autor classificou a novela como um “equívoco” e disse não se considerar injustiçado pelas críticas ou pela baixa audiência. Confessou também que cometeu um erro grave e está pagando por isso. Recentemente, a atriz Luísa Tomé, que vive Geraldine Aidan, armou uma verdadeira confusão ao espalhar em revistas e pelas redes sociais que fazia um papel de figuração na novela e pediu para abandonar o barco.

Diante disso tudo, o resultado não é assustador: os capítulos já gravados de Máscaras foi repicado, editado e a trama será retirada do ar às pressas antes do pretendido.

Não Convenceu

- Chega a ser constrangedora a interpretação de Dado Dolabella, como Edu, e Márcio Kieling, como Gabriel. Vez ou outra acertam o tom. Coisa rápida. Depois demonstram claramente serem vazios como atores.

Convenceu

- O bom trabalho feito pelos atores Paloma Duarte, Jussara Freire e Fernando Pavão. Parece que, no meio daquela confusão toda, são os únicos atentos ao texto.

*Cada ponto de audiência equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo em dados prévios, fornecidos pelo Ibope.

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