TELEVISÃO
Em Série - Outlander consegue resultado interessante

As produções históricas têm um charme, e isso é inegável. Há algumas colunas, falamos sobre o processo de desenvolvimento de séries como Game of Thrones e Harlots, que levam o espectador para um tempo remoto.
Dentro dessa premissa, o canal Starz adaptou para a televisão a história de Outlander, baseada nos livros homônimos de Diana Gabaldon. Tanto na literatura quanto na série assinada por Ronald D. Moore, há esse mergulho na história e na cultura de outras épocas.
Aqui, no entanto, isso é feito de modo mais interessante. Ela se passa primeiro no período da Segunda Guerra Mundial, quando a enfermeira inglesa Claire Randall (Caitriona Balfe) viaja com o marido, Frank (Tobias Menzies), para a Escócia, em um misto de tentar recuperar as raízes familiares dele e unir o casal novamente, visto que passaram muito tempo distantes por conta dos problemas da guerra.
Nesse contexto de meados do século XX, Claire representa uma mulher independente, muito educada e com um alto nível de especialização, a figura de um feminismo iminente. Com o marido, está acostumada a ter discussões intelectuais e participar dos momentos de decisão referentes à vida do casal.
Logo no piloto, Claire se sente atraída por uma paisagem pitoresca em um vale, um círculo de pedras com um quê de mistério. Quando coloca as mãos em uma das pedras, a enfermeira é transportada para outro tempo - literalmente.
Eis, então, a segunda passagem temporal da série e o que vai guiar as três temporadas seguintes.
Nesse portal misterioso, a enfermeira é transportada para a Escócia do século XVIII, quando os soldados britânicos ocupavam o território e os clãs escoceses tentavam ferozmente retomar o controle do país na surdina.
Esse momento é extremamente interessante, não apenas pelo fator sobrenatural (esquisito é pouco, você passar por uma pedra e acordar no meio de uma guerra de espadas e espingardas velhas). Mas, também, pela posição da própria Claire.
Acostumada com a independência e em poder ser ouvida, se vê presa em um momento que não é dela, com a real possibilidade de ser acusada de bruxaria, espancada ou estuprada. Outlander – uma referência direta para quem vem de fora, o “estrangeiro” – traz cenas de violência e nudez para mostrar as diferenças culturais entre os séculos.
A adaptação dela não é fácill e não é difícil compreender o motivo. Ela é acolhida pelo clã Mackenzie, mas apenas porque eles tinham muito medo que a aparição representasse, na verdade, um projeto de espionagem dos ingleses.
Nesse contexto, Claire se envolve com Jamie Fraser (Sam Heughan) de um modo muito peculiar. Havia uma faísca de romance entre eles, literalmente, desde que ela apareceu por entre as pedras, mas nada muito desenvolvido.
Quando a enfermeira é pega pelos ingleses e descobrem furos na história que conta, só resta uma saída: casar com alguém e ter a segurança garantida pelo marido. Eis que, claro, Jamie aparece mais firmemente na vida de Claire e ela se torna bígama.
Mais do que uma boa história, Outlander mostra de modo interessante a figura da mulher: as acusações de bruxaria enquanto lida com cuidados médicos, a insegurança constante em um mundo onde estupro é comum, a dificuldade em ter uma voz.
Como os livros nos quais a trama se baseia são 12, ainda tem muita história para explorar – principalmente à luz do fato de que, nos primeiros episódios da temporada de estreia, ninguém sabe que Claire vem de outro tempo.
Atualmente, a série está na terceira temporada. No Netflix, os dois primeiros anos da produção estão disponíveis.
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