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Flor do Caribe tem bela fotografia, mas não sai do raso

Publicado terça-feira, 12 de março de 2013 às 15:28 h | Atualizado em 12/03/2013, 18:11 | Autor: Murilo Melo
Flor do Caribe - Palpite
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Há pele bronzeada e olhos claros à vontade. Cenário praiano e atores com cabelos que bem parecem  ter sido queimados pelo sol. O belíssimo elenco, assim como a fotografia de encher os olhos e as paisagens do litoral do Rio Grande do Norte, onde foram gravadas as sequências da fictícia Vila dos Ventos  - que mais lembram locações de filmes californianos - fizeram da estreia da nova novela das 18h da Globo, Flor do Caribe, nesta segunda-feira, 11, um capítulo atraente ao telespectador apenas no quesito produção e beleza.

Mas, a julgar pelo primeiro capítulo, a ensolarada Flor do Caribe é rasa, com tramas principais e secundárias que não inovam e pouco empolgam, o que faz com que o público não se sinta preso à novela. Escrita por Walther Negrão, um dos nossos autores mais experientes da TV, e dirigida por Jayme Monjardim e Leonardo Nogueira, a trama mostrou, logo na estreia, a história romântica de Ester (Grazi Massafera) e Cassiano (Henri Castelli), um casal meloso disposto a ficar junto independente de qualquer coisa.

Entre os dois aparece Alberto (Igor Rickili), o vilão da trama, um homem que faz a linha cínico e não poupa esforços para roubar a moça de seu melhor amigo Cassiano. O que impressiona é que até aqui não foi dito nenhuma justificativa plausível para as vilanias do rapaz, o que faz com que a trama principal fique solta, sem qualquer costura. Outro ponto exaustivo de Flor do Caribe são os flashbacks explicativos, apresentação de paisagens demoradas e diálogos longos — a exemplo da cena de Alberto e seu avô Dionísio (Sérgio Mamberti) — ocasionando em uma narrativa cheia de deslizes. 

Como houve uma preocupação de Negrão em apostar na trama principal, outros atores foram pouco vistos durante o capítulo de estreia. E, quando foram apresentados, contrariavam a entonação do elenco principal. A exemplo de José Loreto, com o seu Cadinho, sempre acompanhado pela sua cabra Ariana, o ator se mostra afiado em cena, mas exagera no sotaque. A fala fica carregada e não faz com que o público preste atenção na interpretação do personagem.

Já o gancho final do capítulo de Flor do Caribe não surpreendeu. Alberto diz que será capaz de qualquer coisa para impedir a felicidade dos protagonistas. Uma de muitas frases cheias de clichês ditas pelo personagem ao longo do capítulo, na tentativa de mostrar que o rapaz reserva grandes armadilhas para os mocinhos da trama.

A primeira impressão é que, a nova novela das seis se dedica apenas à produção, o telespectador sente falta de uma história cheia de audácia no enredo. A sensação que Flor do Caribe passa não é outra a não ser a de Déjà vu. É mais do mesmo. Parece que construção de personagens, ganchos e conflitos já foram vistos em outras dezenas de novelas, apenas a roupagem que é diferente. Tanta exuberância na fotografia não faz remeter ao sucesso da Tropicaliente, de 1994, que a emissora pretende repetir. Não embala igual a Como Uma Onda (2004), ambas assinadas por Negrão e que foram sucessos nos períodos em que foram exibidas.

Aliás, o que também não aconteceu com Flor do Caribe foi uma boa audiência. A trama, que chega como promessa de recuperar os índices da faixa das seis, derrubados pela antecessora Lado a Lado, marcou apenas 18,4 no Ibope, mesma audiência de estreia da anterior. Flor do Caribe, como não poderia deixar de ser, ainda segue como uma novela em adaptação ao telespectador, apresentando os personagens e seus conflitos. É recheada de romance, intrigas, mentira, segredos, inveja, mal-entendidos e humor, tudo que um bom folhetim precisa ter. É de esperar que, em 149 capítulos que resta pela frente, Flor do Caribe consiga mostrar uma história bem contada e seja lembrada pelo telespectador assim como tantas outras tramas bem construídas por Negrão. 

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