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TELEVISÃO

Humor forçado e desestrutura de texto limitam Balacobaco

Murilo Melo

Por Murilo Melo

30/10/2012 - 11:46 h | Atualizada em 30/10/2012 - 12:45
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A campanha de promoção da novela Balacobaco prometia uma revolução: "muitas TVs prometem diversão pra valer, mas só a gente cumpre". Mas que tipo de diversão a Record pretende levar ao público? Isso porque, pelo que foi visto desde o capítulo de estreia, a trama de Gisele Joras tem um humor forçado. Não faz rir, principalmente nas cenas de Diva, personagem da Bárbara Borges, e Dóris (Roberta Gualda). A dupla faz a linha comédia pastelão e é tudo muito decorado. Esse problema, no entanto, não gira apenas em torno das atrizes, mas principalmente do texto da autora, que, cá para nós, lembra seu outro folhetim Bela, a Feia (2010).

Em Balacobaco, Gisele Joras vem com a proposta de criar uma trama leve, contrariando a antecessora Máscaras, de Lauro César Muniz, que apostava em depressão pós-parto, personagens terminais, entre outros temas pouco convidativo para a faixa dos cochilos (entre 22h30 e 23h). Por conta disso, a autora tratou de construir personagens que não resistem em fazer fofoca, são mentirosos e especialistas em trambiques para tentar prender o telespectador e criar humor.

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A trama pode, sim, ser uma grande novela, mas, há quase um mês no ar, ainda permanece a necessidade de se ter cautela em certos pontos. As histórias nos núcleos secundários são exemplo disso. A Cremilda, de Solange Couto, por exemplo, não apresenta diferencial na trama. Seu tom, por sinal, lembra muito a interpretação da Dona Jura, feita em O Clone, da Globo, mas sem o mesmo carisma. Nem mesmo Zé Maria, personagem de Silvio Guindane, consegue se destacar. O cara vive o papel de um malandro que busca se dar bem, seguindo os mesmos moldes que interpretou em Bela, a Feia.

Mas não para por aí. Breno (Léo Rosa), Patrick (Thierry Figueira) e a Rádio Ampola continuam sem pé na trama. Simone Spoladore que o diga. Ela não sabe nem para que direção caminhar com sua Verônica. Nessa mesma sintonia vem Roger Gobeth (Danilo) e Isabel (Juliana Silveira), que unidos formam um belo par romântico, mas o público traz à tona a lembrança do casal de Floribella, da Band.

A produção da novela também comete erros. Alguém por ali anda perdendo a mão na mesa de áudio. Isso porque toda hora há um problema de edição. Às vezes, um áudio fica abafado, às vezes um corte sem nexo. Além disso, os efeitos de desenho animado no meio das cenas, o cenário de um colorido exagerado, tudo faltando encontrar a medida certa.

Os pontos de acerto no folhetim são atribuídos à Juliana Silveira, Juliana Baroni e Bruno Ferrari. As personagens dos três estão bem definidos, dão vida a suas histórias e mostram, ao telespectador, uma atuação com precisão.

O que falta para que Balacobaco engrene é verdade nos diálogos. A impressão que se tem da trama é que foi muito mal planejada. Parece que produção, direção, elenco, assim como o próprio texto, foi tudo feito às pressas para ofuscar o fracasso de Máscaras. Uma pena.

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