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Jornalistas como Ticiana Villas Boas apostam em entreter

Publicado domingo, 08 de novembro de 2015 às 11:01 h | Atualizado em 08/11/2015, 11:01 | Autor: Juracy dos Anjos
"Estava sentindo que tinha parado de evoluir e vivia acomodada", diz Ticiana Villas Boas
"Estava sentindo que tinha parado de evoluir e vivia acomodada", diz Ticiana Villas Boas -
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É inegável que alguns paradigmas foram quebrados na televisão nos últimos anos. Mas, mesmo que, aos poucos, certas barreiras sejam rompidas, a credibilidade e seriedade necessárias ao jornalismo ainda limitam os profissionais desta área em sua atuação. Talvez por isso, tem sido comum a movimentação de nomes respeitados das bancadas dos telejornais para projetos de entretenimento.

Por mais que os ganhos na questão comercial pesem na balança - como os lucros de merchandising e até contratos publicitários - quase todos são unânimes ao afirmar que a troca é fruto de aspirações profissionais já planejadas e muito bem pensadas.

"Acho natural que a gente procure uma evolução. E eu sempre sonhei ser uma comunicadora. Seria muito cômodo permanecer onde estava sem buscar um desafio maior", defende Patrícia Poeta, que deixou o "Jornal Nacional", da Globo, no ano passado, sob a alegação de que desejava um projeto autoral.

Atualmente, ela é uma das apresentadoras do "É de Casa", atração das manhãs de sábado do canal. Uma trajetória semelhante à de Fátima Bernardes, que foi substituída por Patrícia no principal telejornal da Globo quando começou a se dedicar ao projeto do matutino que leva seu nome.

Mas, na verdade, essa movimentação não é nova. Fausto Silva, por exemplo, começou sua carreira como jornalista até ser chamado para comandar o "Perdidos na Noite", programa de auditório da década de 1980 no qual imprimiu seu estilo irreverente.

Exibida primeiro pela TV Gazeta, depois pela Record e, por fim, veiculada na Band, a atração o projetou como comunicador e o levou à telinha global, já à frente do "Domingão do Faustão", posição que ocupa há mais de 25 anos.

Em 2005, Britto Jr. deixou o cargo de repórter da Globo para se tornar um dos apresentadores do então novo "Hoje em Dia", da Record. Depois, chegou a comandar os reality shows "O Jogador" e "A Fazenda", além do extinto "Programa da Tarde", na mesma emissora.

Até José Luiz Datena, âncora do "Brasil Urgente", da Band, chegou a se aventurar na apresentação do "Quem Fica em Pé?", entre 2012 e 2013, mas sem deixar sua posição de jornalista da casa.

Uma postura semelhante à adotada por Zeca Camargo e Pedro Bial, quando assumiram os reality shows "No Limite" e "Big Brother Brasil". Hoje, porém, ambos são exclusivos do entretenimento da Globo.

Reality culinário

Ana Paula Padrão e Ticiana Villas Boas fizeram caminhos semelhantes. A primeira passou 18 anos na Globo e, mais quase quatro, tanto no SBT quanto na Record para, depois de um ano sem vínculo com nenhuma emissora, voltar ao ar na Band longe da função de jornalista. Ela é a apresentadora da versão brasileira de "MasterChef" e, no momento, comanda a edição infantil da disputa culinária, que é exibida nas noites de terça-feira.

Mas, na contramão dos colegas que também fizeram a mudança, jura que não almejou essa posição antes de chegar a oportunidade. "Não optei por sair do jornalismo e ir para o entretenimento. Aconteceu de eu estar fora do ar e ser convidada para um programa num formato diferente da minha atuação em tevê até então", garante.

Já Ticiana assume que buscava mais leveza em sua rotina profissional. Algo que não lhe era permitido pelo hard news (relato objetivo de assuntos sérios da vida cotidiana, política e econômica). "Estava sentindo que tinha parado de evoluir e vivia acomodada. Mas esse não é o meu perfil. Queria poder ser mais natural. Só que tudo no jornalismo tem um peso e uma responsabilidade muito maior", avalia ela, que depois de sete anos na bancada do "Jornal da Band", agora faz parte da equipe do SBT, no comando do "Bake Off Brasil - Mão na Massa", que encerrou sua primeira temporada recentemente.

Tiago Leifert não precisou mudar de emissora para se arriscar em novos formatos. Ao contrário. A própria Globo começou a prepará-lo para trilhar o caminho do entretenimento ao escolhê-lo para estar à frente do "The Voice Brasil".

Mas a saída definitiva do jornalismo da Globo - ele era o apresentador da versão paulista do "Globo Esporte" - aconteceu mesmo quando ele foi convidado  a ocupar uma das vagas do grupo que comanda o "É de Casa".

"Sou um cara que praticamente nasceu em uma estação de tevê porque meu pai trabalha na Globo desde que eu tinha sete anos. Ter um formato criado por nós e que não vemos nada parecido e em um horário totalmente novo me seduziu. Não sei se isso poderá acontecer novamente na nossa carreira", justifica ele, que é filho de Gilberto Leifert, diretor da Central Globo de Relações com o Mercado.

Apesar de ter sido um jornalista da emissora, Tiago assume que vivia uma rotina diferente. "Eu fazia esportes, mas meu programa era um entretenimento esportivo. E como estou em um formato que engloba diversas pautas, não ficarei fora dessa área", pondera.

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