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RecordTV é condenada a pagar R$ 1 mi por incitação à violência

Caso aconteceu durante transmissão de perseguição policial no programa "Cidade Alerta", em junho de 2015

Da Redação
Por Da Redação
Apresentador Marcelo Rezende, morto em 2017
Apresentador Marcelo Rezende, morto em 2017 -

A RecordTV foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo a pagar mais de R$ 1 milhão por incitação à violência, em uma ação por danos morais coletivos, por causa de um episódio ocorrido em uma edição do programa "Cidade Alerta", em junho de 2015. A decisão foi conhecida nesta quinta-feira, 17.

Procuradores do Ministério Público Federal (MPF) denunciaram a forma como o apresentador Marcelo Rezende conduziu a transmissão ao vivo de uma perseguição policial na cidade de São Paulo. "Atira, meu camarada, é bandido!", gritava. Ao final da perseguição, durante a tentativa de abordagem, os policiais acabaram atirando.

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A sentença da juíza Marisa Cláudia Goncalves Cucio, da 12ª Vara Cível Federal de São Paulo, afirma que o material jornalístico foi veiculado em rede nacional, no período noturno, com conteúdo "inadequado para o horário de exibição". "Além disso, não bastasse o abuso das imagens em si, as mesmas foram acompanhadas de incitação à violência pelo narrador do programa – empregado da empresa ré –, com frases do tipo ‘Atira, meu camarada, é bandido!", diz um trecho da decisão.

O MPF disse ainda na ação que outras palavras consideradas grotescas foram usadas pelo apresentador durante a perseguição policial. "[...] São dois ladrões numa moto. A Rocam já tá em cima. Lá vai sair tiro, hein. Vai sair tiro! Porque se é nos Estados Unidos, atira! O homem da Rocam quase cai. (...) Atira, meu camarada, é bandido!", afirmou o apresentador, que morreu em 2017 devido a um câncer.

O discurso de Rezende, diz o Ministério Público, ultrapassou "os limites da mera descrição jornalística de fato cotidiano, atuando como elemento propulsor de incitação à violência em desfavor dos suspeitos, realizando, em rede nacional, um discurso de ódio, claramente verbalizado pelo apresentador".

A RecordTV, por sua vez, em sua defesa, disse que a maior parte da transmissão foi ocupada pelas cenas da perseguição pela Polícia Militar a suspeitos de um crime pelas ruas do bairro Jardim São Luís, zona sul de São Paulo, "o que nada pode ser imputado como conduta irregular na exibição da reportagem".

A emissora afirmou ainda que o MPF quer responsabilizá-la por um trecho pequeno da transmissão. "Não é nem um terço do conteúdo da reportagem, tratando-se apenas do desfecho da perseguição. E, certamente, foi essa a mensagem passada pela reportagem transmitida pela ré, não a incitação à violência ou desrespeito aos direitos humanos e dignidade humana, mas sim uma mensagem de dever cumprido pela autoridade policial." No entanto, a Justiça Federal apontou que houve abuso da liberdade de expressão.

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