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Curadores buscam reconectar arte com a espiritualidade

Publicado sábado, 09 de agosto de 2014 às 10:07 h | Atualizado em 09/08/2014, 10:07 | Autor: Verena Paranhos
Pierre Capelle, curandeiro francês, e o designer Henry Benevides no ateliê O Despertar da Árvore
Pierre Capelle, curandeiro francês, e o designer Henry Benevides no ateliê O Despertar da Árvore -
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Mal chegou na Feira de São Joaquim,  Pierre Capelle logo começou a cumprir sua missão ao pegar uma pomba doente do chão. O xamã francês passou a manhã chuvosa de quinta-feira, 6, com o animal nas mãos, emanando energia de cura. 

"Ele magnetizou a pomba por duas horas. Quando saímos, ela já estava melhor", disse,  mais tarde, Pascal Pique, curador convidado da  "3ª Bienal da Bahia" e  idealizador do projeto "Academia da Árvore".

O primeiro departamento do "Museu do Invisível", também concebido por Pique, vai funcionar até a próxima terça-feira no box 64 do Galpão Água de Meninos, entre uma barraca de ovos e outra de cereais.

Em meio a  intervenções e trocas artísticas,  a "Feira de Arte Livre" (F.A.L.) é ponto de recolhimento de assinaturas para o "Manifesto da Árvore", que  busca valorizar uma nova cultura em torno  da árvore. "Se  você olha a história da arte, essa relação da árvore e do homem é muito importante. O projeto  vê a árvore com outro olhar e considera que existe vida mesmo dentro dela", afirmou Marc Pottier, outro curador.

"É um projeto transdisciplinar que quer trabalhar e reconectar a arte com as outras dimensões, não apenas à cultura científica, mas também à cultura dos xamãs, da espiritualidade", completou o especialista em arte no espaço público. 

Quinta, 7, pela manhã, entretanto, o movimento foi fraco. Em uma hora, apenas quatro assinaturas foram coletadas. Uma criança chegou a parar e olhar curiosa para a figura de cabelos brancos que segurava a pomba, mas não atendeu aos chamados de "Viens, viens!"  (venha, venha). A tradutora, neste momento, distribuía documentos do projeto mais adiante a fim de sensibilizar outros adeptos.

"Não é uma questão de número, está mais para uma questão de qualidade. Não estamos aqui para bater um recorde de público, mas já é uma relação direta com ele. A gente sabe que durante uma semana pode colocar em contato com a árvore várias dezenas de pessoas", explicou  Pascal Pique.

Rosemira Passos Dórea, comerciante do box do lado, disse que o movimento não foi muito diferente nos três dias anteriores (a atividade começou segunda-feira). "Quando posso, dou uma olhadinha. Já assinei o manifesto, mas falta interesse das pessoas que vêm à feira sempre na correria. Uns têm curiosidade, outros não".

Transe de purificação

À tarde, no Palacete das Artes, na Graça, foi a vez das mãos de Pierre Capelle orientarem os dois participantes que compareceram ao ateliê "O Despertar da Árvore", em que o contato das pontas dos dedos com o tronco do vegetal leva a uma espécie de transe de purificação. 

"É forte. Se eu te explico por três horas, você entende muito menos do que se você faz É uma experiência para viver. A gente não pode explicar o irracional em uma linha racional", disse o curandeiro do Vale do Lot, região do sudoeste da França.

Apesar de parecer complexa, a experiência é simples, mas nem sempre funciona na primeira árvore. "A pessoa tem que encontrar sua verdadeira árvore. É a árvore quem segura a pessoa e não o contrário", disse Capelle.

Depois da escolha do vegetal, ele pede que a pessoa o segure com os dois braços e mantenha os pés juntos. Em seguida, deve fixar a imagem que vê, fechar os olhos e se deixar levar por um dos barulhos ao redor. Todo o processo é filmado e depois enviado para o CNRS - Centre National de la Recherche Scientifique.

"Pessoas como ele (Pierre Capelle) são muito importantes para nós enquanto desconectados. Existe um chamado da natureza e tem pessoas que facilitam essa conexão. Me senti energicamente conectada à árvore, um ser que falava comigo. Minha emoção toda foi provar isso que já sabia existir",  disse a comunicóloga Maria Izabel Nunes, depois da experiência. 

"Foi algo sobrenatural, como se a árvore penetrasse pelas pernas e braços. Dormi alguns segundos e me senti como se tivesse dormido horas", revelou o designer Henry Benevides.

Neste domingo, 10, das 10 às 13 horas, a F.A.L  dá segmento à sua programação com o projeto "Feira do Rolo", do artista baiano Maxim Malhado, que propõe trocas de objetos materiais e imateriais, como performances.

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