Em sua 2ª edição, Felica debaterá o livro como instrumento de transformação

Publicado sábado, 27 de março de 2021 às 06:04 h | Atualizado em 26/03/2021, 19:52 | Autor: Eugênio Afonso

Com participação de nomes de peso do universo literário, musical, das artes cênicas e do entretenimento, a Felica – Festa Literária da Caramurê, que este ano traz o tema “O livro como instrumento de transformação”, começa neste domingo, 28, e segue até o dia 4 de abril, desta vez com uma programação totalmente virtual, no YouTube e Instagram da editora.

Nesta segunda edição, a feira oferece oficinas, saraus, videoperformances, contações de histórias, bate-papos, entrevistas, conversas cantadas, mesas-redondas e um concurso literário.

“A Felica fala do livro na sua integralidade. É uma festa que vê o livro em todas as suas dimensões – social, cultural, comercial – e atende a demandas não só da literatura. Tem a economia presente, a filosofia, teatro, dança, música e temas como humor, racismo, direito autoral, censura. Esse é o grande diferencial da festa”, conta Fernando Oberlaender, editor e criador do evento.

Ao todo serão mais de 60 horas de programação cultural – só de lives são 30 –, com mais de 100 participantes e toda transmitida gratuitamente pela internet.

Mabel Velloso, Antônio Torres, Larissa Luz, Érico Brás, Zéu Brito, Jean Wyllys, Wilson Gomes, Tom Zé, Carlinhos Brown, Itamar Vieira Junior, Aleilton Fonseca, Kátia Borges e Carlos Ribeiro são alguns dos baianos convidados.

A ideia é movimentar, dar visibilidade e expor a diversidade da cena literária local, destacar o papel da arte, das ciências e do conhecimento, assim como aquecer o comércio de livros.

Com curadoria do escritor e jornalista baiano Breno Fernandes, a Felica vai também prestigiar e ajudar a divulgar os autores vivos e na ativa.

“Todos esses são objetivos louváveis e necessários, mas a festa literária também tem outras aspirações. O mote que serve de alicerce a esta edição resume o desejo de promover mudanças na sociedade brasileira. Mas não quaisquer transformações, e sim aquelas que sejam norteadas pelo respeito à cidadania e aos direitos humanos, tão em baixa na atual conjuntura sociopolítica do Brasil”, pontua Breno Fernandes.

Homenagem e diálogo

Além dos baianos já citados, a festa recebe também a apresentadora carioca Astrid Fontenelle, o biógrafo mineiro Ruy Castro, a escritora Nélida Piñon e o teólogo catarinense Leonardo Boff, entre outros nomes quentes.

“Quero destacar que este ano temos duas homenageadas. Uma é a poeta baiana Lívia Natália, escritora negra contemporânea que fala da realidade das mulheres negras da Bahia, e a outra é Myriam Fraga, talvez a maior poeta do modernismo baiano”, revela Oberlaender.

Segundo Breno Fernandes, o evento põe em diálogo escritores e outros agentes da cultura cujos trabalhos estejam em conformidade com o tema da festa, seja qual for o gênero utilizado.

“Dos ensaios de Leonardo Boff ao romance de Itamar Vieira Jr; das crônicas políticas de Wilson Gomes à revolução estética de Tom Zé na canção, que é também um gênero literário; da poesia lírica e antirracista de Lívia Natália ao humor do texto dramatúrgico de Aldri Anunciação. Todos os participantes estão ajudando o Brasil a pensar formas de mudar para melhor”, acredita Fernandes.

Físico ou virtual

Como mediador da mesa Direito da arte e direitos dos artistas: limites e conflitos, com Ricardo Lísias (escritor) e Rodrigo Moraes (advogado especializado em direito autoral), no dia 31, o escritor baiano Marcus Vinícius conta que, durante o bate-papo, devem ser discutidas questões corriqueiras do direito autoral que as pessoas não dominam.

“Vamos dar um apanhado do direito autoral e discutir particularidades como a paródia, a homenagem, a citação, o pastiche. Minha intenção é debater sobre os limites cinzentos da obra de arte”, detalha Marcus Vinícius.

E entre outros temas que permeiam a festa, não poderia deixar de ter a já clássica questão entre o livro físico e o virtual.

“Penso que o advento das mídias digitais trouxe uma nova fase para a produção e para a fruição literárias. Não é seu fim nem seu ápice. É uma nova roupagem, à qual a tradição se adapta – a poesia do Instagram continua sendo poesia. E obviamente permite que aqui e ali surjam novas formas ou novos gêneros para a literatura”, acredita Fernandes.

Oberlaender endossa e afirma que “as editoras gerarem conteúdo virtual é um caminho importante. Não acredito que o livro físico venha acabar nem que o modelo completamente virtual vá se manter isolado. No futuro, a tendência de todas as festas literárias será híbrida”, finaliza.

Toda a programação pode ser conhecida no www.felica.com.br. A Festa Literária da Caramurê tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Pedro Calmon, via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

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