CULTURA
Espaço Cultural Alagados recebe a ‘Mostra Negra de Artes Cênicas’


Dar visibilidade ao protagonismo negro cênico e estimular discussões sobre questões que envolvem o afrodescendente. Estes são os principais objetivos da Mostra Negras de Artes Cênicas, que acontece de hoje a domingo, no Espaço Cultural Alagados.
Trata-se da primeira edição do evento, que, além do teatro (solos de artistas reconhecidos na cena local e esquetes da comunidade e entorno), também traz música (Coral de Mulheres dos Alagados) e exibição de filmes (Mostra Itinerante de Cinema Negro).
O organizador do evento, o ator Raimundo Moura, destaca a importância de tornar visível o papel destacado dos artistas negros nas artes cênicas em Salvador. Ele também destaca o papel dos debates para a comunidade periférica.
"Após as apresentações teatrais também vamos discutir com o público questões como a violência contra a mulher e o racismo, por exemplo", afirma, salientando que é uma forma da arte refletir sobre problemas sociais que afetam principalmente moradores de áreas periféricas, em geral negros e pobres.
Programação
Na abertura do evento, hoje, às 19h, o tema é mais leve. Será apresentado o solo Grilo o Grio, com Raimundo Moura. Ele afirma que o espetáculo traz à cena um pescador, um velho contador de histórias.
Amanhã, no mesmo horário, o ator Leno Nascimento, do Bando do Teatro Olodum, discute o racismo e as várias mortes simbólicas em En(cruz)ilhada. O intérprete afirma que, "além do racismo, o espetáculo fala da violência policial e do preconceito estético".
Indicada ao Prêmio Braskem na categoria Atriz, Eddy Veríssimo apresenta, quinta-feira, às 19 horas, no Centro Cultural Alagados, o solo Sobejo, que centra o foco na violência familiar, na violência sofrida pela mulher pelo marido. "São muitas as mulheres que ainda passam por este tipo de violência, que, além da física, também inclui a psicológica. Acredito que nos debates vamos contribuir com a reflexão deste problema com a comunidade", diz a intérprete.
Tráfico de drogas
Neste dia, às 18h30, a esquete Por quem as Mães Choraram? com o Coletivo de Mulheres Negras, faz uma reflexão acerca do extermínio de jovens negros pelo tráfico de drogas
Já na sexta-feira a mostra abre espaço para a exibição de filmes de temática negra, às 16 horas, e apresentação do Coral de Mulheres do Alagados, às 19 horas.
"Formado há um ano, mulheres de 40 a 70 anos desfiam repertório de canções que falam da Bahia e músicas em dialeto africano", afirma. Raimundo Nascimento, que representa o coral formado por mulheres da comunidade.
Vulnerabilidade social
No sábado, às 19 horas, o ator Jhoilson de Oliveira, no solo Maloquêro, dá vida ao personagem que espelha os preconceitos e desafios enfrentados pelas pessoas que estão em situação rua, em situação de vulnerabilidade social.
Para fechar a programação o também ator do Bando de Teatro Olodum Sérgio Laurentino apresenta, às 19 horas, no local o espetáculo Se Deus fosse preto. A montagem, de acordo com o intérprete, trata da intolerância religiosa e de discriminação racial.
>> Mostra Negra de Artes Cênicas / De hoje a domingo, em diferentes horários / Espaço Cultural Alagados / 71-3111-6518 / Rua Direta do Uruguai, s/n, Uruguai/ R$ 4 e R$ 2.