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DANÇA

Espetáculo leva cultura afro-brasileira a quatro cidades baianas

Montagem terá apresentações, oficinas e rodas de conversa gratuitas

Isabela Cardoso
Por
IBANUJÉ – O CORPO COMO MEMÓRIA ANCESTRAL
IBANUJÉ – O CORPO COMO MEMÓRIA ANCESTRAL - Foto: Divulgação

Entre dança, música, poesia e ancestralidade, o espetáculo "Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral" inicia, em julho, uma circulação gratuita por quatro cidades da Bahia.

A montagem será apresentada em Salvador, Itabuna, Irecê e Ibititá, sempre acompanhada de oficinas e rodas de conversa que discutem identidade, cultura afro-brasileira e o papel da arte como instrumento de transformação social.

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A circulação integra o edital Quarta que Dança, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), e busca aproximar diferentes públicos de uma experiência artística que dialoga com memória, educação e ancestralidade.

Corpo como memória

Idealizado pelo historiador, professor, bailarino e coreógrafo Toni Silva, o espetáculo parte da ideia de que o corpo é capaz de preservar histórias, saberes e experiências transmitidos entre gerações.

A dramaturgia foi construída a partir de pesquisas sobre os princípios simbólicos dos orixás Oxum, Iansã, Ogum e Oxalá, utilizando uma linguagem cênica contemporânea. A proposta, segundo o criador, não busca reproduzir rituais religiosos, mas estabelecer um diálogo artístico com as tradições de matriz africana e seus significados históricos, culturais e filosóficos.

"Dançar é ativar essas memórias e permitir que elas continuem vivas no presente, atravessando o tempo e se reinventando em cena como força de identidade, resistência e continuidade ancestral", afirma Toni Silva.

Três atos

A montagem é dividida em três momentos que conduzem o público por diferentes dimensões da ancestralidade.

O primeiro ato, Origem, resgata memórias dos povos africanos e da diáspora por meio de movimentos inspirados nas danças dos terreiros, celebrando a permanência dos saberes ancestrais na cultura brasileira.

Em seguida, Corpo-Território apresenta o corpo como espaço de resistência, identidade e pertencimento. A cena incorpora referências da capoeira, do samba de roda e dos toques dos atabaques para mostrar como a história também é escrita pelos gestos e movimentos.

O espetáculo se encerra com Axé: o Futuro Ancestral, um convite para refletir sobre a força criativa da ancestralidade negra e sua capacidade de conectar passado, presente e futuro.

Arte e formação

Além das apresentações, o projeto promove oficinas e rodas de conversa voltadas para estudantes, professores, artistas e agentes culturais.

Os encontros abordam temas como dança afrodiaspórica, identidade cultural, processos criativos e educação antirracista, fortalecendo o intercâmbio entre arte, escola e comunidade.

A iniciativa também pretende incentivar práticas pedagógicas que valorizem a história e a cultura afro-brasileira, contribuindo para o combate ao racismo e para o reconhecimento da diversidade cultural.

Trajetória

Natural de Ibititá, na Chapada Norte, Toni Silva iniciou sua formação artística ainda na infância e, aos 13 anos, mudou-se para Salvador para estudar na Escola de Dança da Funceb.

Há mais de duas décadas vivendo no Vale do Capão, na Chapada Diamantina, tornou-se uma das principais referências da dança afro na região. É fundador da Companhia de Dança Ominirá, idealizador do Festival Vale que Dança e desenvolve, há quase 20 anos, aulas gratuitas e ações culturais voltadas para a comunidade.

Licenciado em História, pós-graduado em Docência no Ensino da Dança e mestrando em Dança, Toni desenvolve pesquisas sobre dança afrodiaspórica e simbologia dos orixás. Sua trajetória foi reconhecida com o Prêmio Nilda Spencer de Reconhecimento da Trajetória Cultural.

Acessibilidade

Todas as apresentações contarão com recursos de acessibilidade.

As rodas de conversa terão interpretação em Libras. Pessoas cegas ou com baixa visão poderão participar de uma visita sensorial ao espaço cênico, realizada 30 minutos antes do espetáculo, mediante solicitação prévia. Também serão disponibilizados abafadores de ruído para pessoas autistas ou com sensibilidade sensorial.

Confira as datas dos espetáculos:

Salvador

  • 8 de julho
  • Espaço Xisto
  • Oficina: 16h
  • Espetáculo: 19h

Itabuna

  • 15 de julho
  • Centro de Cultura Adonias Filho
  • Oficina: 16h
  • Espetáculo: 19h

Irecê

  • 22 de julho
  • Colégio Estadual Prof. Jorge Rodrigues
  • Espetáculo: 10h
  • Oficina: 14h

Ibititá

  • 29 de julho
  • Escola Municipal Hermano Marques Dourado
  • Oficina: 16h
  • Espetáculo: 18h
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Tags

Bahia Cultura Afro-Brasileira dança

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