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Eventos marcam o mês do centenário de Zélia Gattai

Publicado sábado, 02 de julho de 2016 às 12:09 h | Atualizado em 02/07/2016, 12:09 | Autor: Gabriel Serravale
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Ela nasceu  em São Paulo há exatos 100 anos. Mas quis o destino que fosse em um 2 de julho, data tão especial para a Bahia, estado que a acolheu até os últimos dias de vida. Não à toa, o centenário de Zélia Gattai, marcado pela construção de uma obra literária reconhecida e pela história de amor com o escritor Jorge Amado, é motivo de celebração no meio cultural baiano. 

Para lembrar alguém que se consagrou pela arte de escrever, entre outras atividades, nada melhor do que uma homenagem em forma de livro. Por isso, neste mês serão lançados dois títulos em reverência a Zélia Gattai.

Um deles é Pituco, de autoria de Paloma Jorge Amado, filha do casal, que tem lançamento hoje, no Memorial Casa do Rio Vermelho, com direito a visita guiada pela autora. Por meio de fotografias registradas por Zélia, o livro conta a história do carismático pássaro (cujo nome intitula a obra) que pertencia à família.

"São fotos que a minha mãe tirou desse pássaro com as pessoas e situações mais variadas, durante 20 anos. E eu conto as peripécias desse passarinho", revela Paloma.
Pituco chegou até a família  Amado no fim dos anos 1950, como um presente do cineasta argentino Hugo del Carril, que era muito amigo de Jorge. Desde então, passou a conviver com as mais diversas personalidades do ciclo de amizade do casal.

"Se você for no museu do [Pablo] Neruda, no Chile, o principal  cartaz é ele com o Pituco na cabeça. Como ele vivia solto, todo mundo que ia lá em casa ficava íntimo dele", conta a autora.

Para Paloma, lançar esta obra como um símbolo do centenário de Zélia é mais do que uma homenagem. "É um presente que eu fiz pra ela. Se ela estivesse aqui, iria adorar. Porque ela amava aquele pássaro e gostava muito desse lado fotógrafa dela", diz.

Raízes italianas

A outra obra em homenagem à Zélia será lançada no dia 22 de julho, na Fundação Casa de Jorge Amado. Trata-se do livro Zélia Gattai e a Imigração Italiana no Brasil Entre os Séculos XIX e XX, da jornalista e escritora italiana Antonella Rita Roscilli.

O novo trabalho, fruto de anos de pesquisas entre a Itália e o Brasil, mostra a ligação de Zélia com a nação europeia. "Filha e neta de imigrantes italianos, Zélia guardou pela vida inteira valores e tradições do país dos seus antepassados", observa Antonella Roscilli.

O livro será  dividido em três partes, incluindo um capitulo iconográfico com fotos do acervo da Fundação Casa de Jorge Amado, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Arquivo Público de São Paulo. O material traz histórias de  imigrantes italianos, do final do século 19, que tiveram contato com a família Gattai e com Jorge Amado. "São pessoas  incríveis que Zélia, quando criança, teve o privilégio de conhecer e que, com certeza, marcaram a vida dela", conta a escritora.

Com a nova obra, Antonella Roscilli conclui a trilogia sobre Zélia Gattai, da qual é a biógrafa oficial. Ela já havia lançado os livros Zélia de Euá: Rodeada de Estrelas (2005) e Da Palavra à Imagem em Anarquistas Graças a Deus (2011).

Além dos lançamentos dos livros, durante o mês de julho outras atividades e eventos estão na programação especial do centenário de Zélia Gattai (Ver quadro ao lado).

A arte de Zélia

Paulista, mas de alma baiana, Zélia Gattai viveu os tempos áureos da sua produção cultural ao lado de Jorge Amado, seu segundo marido. Como fotógrafa, foi durante o exílio do escritor na Europa que desenvolveu o gosto por registrar imagens.   

Quando passaram a viver na Tchecoslováquia, no início dos anos 1950, ao lado dos filhos João Jorge e Paloma, Zélia começou a fotografar e documentar momentos significativos da vida e da carreira de Jorge Amado. Esses registros se transformaram na fotobiografia do marido intitulada Reportagem Incompleta, lançada em 1963, quando fixaram residência em Salvador, na conhecida "casa do Rio Vermelho".

Como escritora e memorialista, Zélia, aos 63 anos, ganhou reconhecimento com o seu livro de estreia, Anarquistas, Graças a Deus (1979), que, mais tarde, seria adaptado para uma minissérie na Rede Globo. A obra ainda lhe rendeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária de 1979.

Com uma obra composta por nove livros de memórias, três títulos infantis, uma fotobiografia e um romance, Zélia Gattai recebeu outros prêmios ao longo da carreira, além de ter herdado de Jorge Amado a cadeira 23, da Academia Brasileira de Letras.

Por todos esses feitos, a escritora Antonella Roscilli considera Zélia "um marco na reconstrução memorial de uma parte importante da história do país".  E  a filha Paloma completa: "Nos últimos 100 anos ela deixou sua marca. E todos nós sentimos saudades".

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