CULTURA
Fantasmas viram atração na TV aberta e na paga
Nanda, a fantasma da novela Páginas da Vida, da Rede Globo, está cada vez mais ativa na trama de Manoel Carlos. Enquanto o elenco - em peso - da novela das 9 reclama que não aparece em cena, a personagem de Fernanda Vasconcellos está tão poderosa que provoca até combustão. Sim, recentemente, a ?moça bonita? botou fogo na cozinha de Helena (Regina Duarte). Mas Nanda é apenas um dos fantasmas em cartaz na TV atualmente. O canal pago Sony, por exemplo, tem duas séries - Ghost Whisperer e Medium - em que as pessoas mortas são atração principal. No Warner Channel, os eventos sobrenaturais ocorrem em Supernatural, no ar também no SBT.
Os fantasmas são freqüentes nos folhetins. Quem não se recorda do Alexandre, personagem de A Viagem, no Vale dos Suicidas? De Ivani Ribeiro, a novela foi ao ar pela primeira vez em 1975 na TV Tupi e ganhou remake global em 1994. Os atores Ewerton de Castro e Guilherme Fontes encarnaram o perturbado Alexandre. Na novela, os três protagonistas - Diná (Eva Wilma/Christiane Torloni), Otávio (Altair Lima/Antônio Fagundes) e Alexandre - atuavam em dois planos: o da vida e o da morte.
Outros fantasmas famosos na telinha foram Jorge Tadeu, personagem de Fábio Jr. em Pedra sobre Pedra, de Aguinaldo Silva (1992); Acácio (Chico Diaz), o pai do peão Tião, em América, de Glória Perez (2005); Luna (Liliana Castro), em Alma Gêmea, de Walcyr Carrasco (2005), que reencarnava na índia Serena (Priscila Fantim). No remake de O Profeta, de Ivani Ribeiro, atualmente no ar na Globo, a atriz Carolina Kasting tem seus dias de fantasma.
I see dead people
A frase ?I see dead people? (?Eu vejo gente morta?, em inglês) ficou famosa quando o diretor M. Night Shyamalan lançou, em 1999, o filme O Sexto Sentido. Na boca do garoto Cole Sear (Haley Joel Osment), a afirmação assustou muita gente. Mas, na vida real, há um homem que afirma ser como Cole. Seu nome é James Van Praagh. Além de dar palestras ao redor do mundo - inclusive no Brasil -, o paranormal também teve suas histórias transformadas em série. Ghost Whisperer é inspirado em Van Praagh.
?Quando era um garoto, costumava ver espíritos ao lado das pessoas e também cores e luzes em volta delas - isso é conhecido como aura e é normal para mim?, explica Van Praagh. ?Eu era normal e os outros, esquisitos. Exatamente como o filme O Sexto Sentido, que é igual à minha infância.? O paranormal diz que nunca teve medo dos mortos que vê, pois sua mãe sempre os tratou como ?anjos de Deus?. Ele afirma ?ter mais medo dos vivos do que dos mortos.?
Em Ghost Whisperer, quem vive as histórias de Van Praagh é a protagonista Jennifer Love Hewitt. ?Sou aberta à idéia de existirem fantasmas?, conta a atriz. ?Não sei se diria, com 100% de certeza, que acredito, mas sou intrigada com a história.? Na série, sua personagem, Melinda Gordon, vê pessoas mortas que ainda estão nesta dimensão porque possuem assuntos pendentes na Terra. Ela ajuda os fantasmas a resolverem essas questões para poderem caminhar em direção à luz e atravessar para a outra dimensão.
?Acho que todo mundo quer ter essa última chance de dizer algo como ?eu te amo?, ?sinto muito?, ?não quis dizer isso?, ?me perdoe??, fala Jennifer. ?A série dá chance para que as pessoas falem isso toda a semana, já que a mensagem é ?diga tudo o que você tem a dizer e não deixe nada para depois.?? Afinal, encontrar uma Melinda Gordon para mediar conversas após a morte não é tarefa fácil.
Detetives psíquicos
Nos Estados Unidos é um tal de ver gente morta sem fim. Tanto que delegacias de polícia estão contratando pessoas que se dizem paranormais para ajudar em investigações criminais. Prova disso é que há uma série de casos ditos reais sobre os detetives psíquicos em cartaz no Universal Channel, o Psych Detectives. Na orla da ficção assumida, o canal Sony exibe Medium, em que Patricia Arquette é a sensitiva que tem sonhos premonitórios e
os aspectos que mais se aproximam de sua experiência.
?Como a protagonista da série, às vezes acordo de meus sonhos com o coração palpitante e não são pesadelos?, comenta a promotora de eventos. ?Assim que acordo, vejo espíritos ao lado da minha cama. São pessoas conhecidas e outras não, mas não as vejo na claridade, só consigo ver quando há apenas um pouco de luz. Alisson é parecida comigo também porque trabalha com isso, como conseqüência de seu dom.? Rosana diz isso porque apresenta o programa Dimensões, no Canal São Paulo, que vai ao ar toda segunda-feira, às 21 horas.
Rosana conta que começou a entender, estudar e controlar melhor sua mediunidade há alguns anos, mas antes, assustava-se com o que via. ?Nos últimos 6 anos resolvi parar de ter medo?, fala. Durante seu mergulho no tema, Rosana conheceu James Van Praagh. ?James enxerga muito e é muito culto. Conseguiu disciplinar a mediunidade dele?, afirma a promotora de eventos, que conheceu o médium durante um workshop em Miami. ?Ele viu minha mãe e me deu um recado dela. Disse que era para James me avisar que, onde ela estava agora havia um piano.?
Medium, na análise de Rosana, ?é interessante, tem roteiro inteligente e mostra uma família normal.? Para ela, a série é instrutiva, pois ajuda as pessoas que têm o dom. ?Estou 90% de acordo com a série, só não gostei muito do sensacionalismo e do sangue?, atesta.
Outra semelhança que Rosana enxerga na protagonista de Medium é a que diz respeito ao maridão. Assim como na ficção, a promotora afirma que seu marido também entende a situação. ?Até me emocionei quando vi como a família de Alisson interage?, diz.
Para Rosana Beni, ainda há muito preconceito no Brasil contra os sensitivos. Hoje, ela não se acanha e, quando tem visões que envolvem pessoas que ela conhece, vai logo avisando. ?Quem quiser acreditar que acredite.?
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