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CULTURA

Fãs dão continuidade à histórias favoritas com fanfictions

Debora Rezende

Por Debora Rezende

08/04/2015 - 19:44 h

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saga crepúsculo
saga crepúsculo -

Quem nunca terminou um livro e ficou com gostinho de "quero mais"? Para muitos leitores, só imaginar o que poderia ter acontecido não é uma opção. É ai que entram as fanfictions. Famoso depois do sucesso de Cinquenta Tons de Cinza, uma história da britânica E.L. James que já foi uma fanfiction da Saga Crepúsculo, o termo, em inglês, se refere às histórias produzidas pelos fãs.

Divulgadas na internet - você ficaria surpreso com a gama de sites existentes para isso -, as histórias se referem a quase tudo: filmes, livros, bandas, animes, seriados. Nem a Turma da Mônica escapa.

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Manter-se apegado aos personagens favoritos, no entanto, não é tudo. Muitos autores das fanfics (abreviação, renomeada por alguns de apenas fic) acabam ingressando na literatura e no meio editorial.

Órfãos de personagens
Através de plataformas como o Fanfiction.net, Floreios & Borrões, Nyah! Fanfiction e Social Spirt, os leitores descobrem uma maneira de não abandonar uma história mesmo quando ela oficialmente termina.

"Quando o livro acaba, você fica órfão daqueles personagens. A fanfic é uma maneira de continuar em contato", afirma Jade Saba, 20, aluna de Engenharia de Produção da Ufba.

Ler, no entanto, acaba não sendo suficiente para alguns fãs, que decidem escrever suas versões. "No futuro, pretendo seguir carreira como escritora, um desejo que definitivamente foi influenciado pelas fanfics", diz a jornalista Lívia Miranda, 23, do Rio de Janeiro.

Ingressando na literatura
Publicar na internet, em alguns casos, abre portas para o ingresso na "literatura formal". Foi o que aconteceu com a paulista Natália Marques, 20, autora da fanfic (e agora livro) A Infiltrada, da Editora Lio.

"Eu pensei que era um trote, alguma coisa assim", conta a autora, que não acreditou quando foi procurada para publicar um livro.

A baiana Silvia Fernanda, 37, lançou mais de dez livros, e quase todos foram fanfics. "Eu não pretendia publicar, era um passatempo", conta. Após ser procurada por uma editora com um contrato que julgou abusivo, Silvia buscou outras opções, até chegar na Editora Schoba. "Um livro físico é extremamente caro para se fazer", diz.

Autores autônomos
Baseada em uma história original, a fanfic acaba representando para muitos uma oficina de literatura, um primeiro ingresso na produção de histórias. Além disso, abre portas para a veiculação de uma história para além de uma editora.

"A gente acaba chegando num momento em que também somos autores daquele livro desejado", afirma Cindi Emanuele, professora de Língua Portuguesa. "Essa atribuição faz com que o leitor entenda que é parte ativa do texto. A partir daí, o sistema de publicação sofre uma mudança".

O tema foi para além da internet e se tornou a pesquisa de Juliana Dias Bastos, mestranda em Literatura e Cultura pela Ufba. "Eu pesquiso a fanfiction como se ela fosse uma atualização de um texto original", conta. Academicamente, o termo ainda é pouco conhecido. "Existe todo um universo acontecendo na internet de gente produzindo textos sem a participação de uma editora", explica.

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