Festa do Cinema Italiano inicia hoje mais uma edição do festival em formato online

Publicado quinta-feira, 17 de junho de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 16/06/2021, 21:46 | Autor: Rafael Carvalho | Especial para A TARDE

O cinema italiano é uma presença marcante no circuito comercial brasileiro e faz certo sucesso entre o público cinéfilo. A Festa do Cinema Italiano, que realiza agora mais uma edição online, depois da do ano passado, é uma ótima oportunidade para se atualizar com a nova produção cinematográfica italiana.

O festival, que já acontecia de modo presencial há alguns anos em Salvador, simultaneamente com diversas outras cidades do Brasil, aposta no formato 100% online e pode ser conferido em todo o território brasileiro. As exibições acontecem or meio da plataforma Looke (www.looke.com.br), mas podem ser direcionadas também a partir do site oficial do evento (www.festadocinemaitaliano.com.br).

É importante consultar a grade de programação porque os filmes têm dias específicos para visualização. Cada obra entra no ar a partir das 18h e fica disponível por 24h. São dois filmes por dia e todos eles se repetem no decorrer do festival, que segue até o dia 27 de junho.

A programação conta com uma seleção bastante diversa de filmes, passeando por obras que se destacaram nos grandes festivais de cinema, mas apostando também em recortes de viés mais popular e de sucesso comercial.

O Festival de Berlim de 2020 foi uma boa vitrine para as produções italianas. De lá saíram premiados filme como Fábulas Ruins, dos irmãos Damiano e Fabio D’Innocenzo, vencedor do Urso de Prata de melhor roteiro; e também A Vida Solitária de Antonio Ligabue, do cineasta Giorgio Diritti, filme que conquistou o prêmio de melhor ator para Elio Germano.

O primeiro é um drama sombrio reunindo histórias de diversos personagens que vivem num bairro suburbano de Roma; adultos e crianças lidam com a solidão e o descontentamento em uma trama de tom pesado e cruel. Já no outro longa, conhecemos a vida do famoso pintor italiano e seus conflitos entre a doença mental e a genialidade artística.

Já as questões de família marcam o longa de abertura da Festa, As Irmãs Macaluso, da diretora Emma Dante, que respondeu às perguntas do A TARDE. A diretora, que possui uma longa carreira no teatro, lança agora seu segundo filme, adaptado de uma peça teatral de sua própria autoria.

Laços de família

“Minha vontade de fazer cinema nasceu do desejo de contar histórias que não podia contar no teatro. A forma como conto As Irmãs Macaluso, os elementos que trabalho no filme, não poderia tratar da mesma forma nos palcos”, observa Emma Dante sobre a escolha de realizar este filme.

Na trama, acompanhamos a vida de cinco irmãs, de idades entre a infância e a adolescência, que vivem sozinhas em uma casa. No sótão, criam dezenas de pombos que elas alugam para casamentos – os pombos naturalmente retornam para casa depois de soltos. É com isso que elas se sustentam, até que uma tragédia acontece e marca suas vidas para sempre.

As Irmãs Macaluso possui um tom meio fabular, mas é muito mais marcado pelo drama intimista que se estabelece entre as irmãs, indo do companheirismo ao ódio, do cuidado de umas com as outras à culpa e à autocomiseração.

“A ideia nasce do espetáculo teatral, que é mais surreal porque conta a história de sete das irmãs, todas convidadas ao funeral de uma das sete. Só que esta uma que está morta não sabe que morreu. A versão para o cinema é um pouco filha desta peça”, conta a cineasta italiana.

Outro fator curioso no filme é que as personagens vivem sozinhas, sem figuras adultas e sem os pais por perto. Sobre isso, explica a diretora: “Na fase da escritura do roteiro, nos perguntamos muito sobre quem seriam os pais destas meninas. Tentamos várias vezes entender isso. Depois, em certo ponto, eu deixei de me interessar sobre isso porque não queria contar a trama desta família, e sim a das cinco irmãs. Além disso, para mim, elas estão sós, mas estão também muito juntas”.

Mais destaques

Ainda no campo dos filmes dirigidos por mulheres, a Festa homenageia este ano a diretora Alice Rohrwacher. Apesar de ter poucos filmes no currículo, a cineasta possui já uma carreira estabelecida e premiada.

Serão exibidos no festival obras como seu longa de estreia, Corpo Celeste (2011), e As Maravilhas (2014), com o qual ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. O evento traz também dois de seus curtas, Omelia Contadina, realizado em parceria com o artista francês JR, e Una Canzone. Será disponibilizado ainda uma masterclass com Rohrwacher. Os filmes da diretora ficam no ar durante toda a duração do evento.

Outro destaque da Festa é o filme Rômulo & Remo – O Primeiro Rei, dirigido por Matteo Rovere e que conta a formação do Estado romano através de uma história sangrenta. Os irmãos gêmeos Rômulo e Remo são os conhecidos fundadores de Roma, mas o filme deixa de lado o tom fabular para apostar em um drama épico e grandioso.

Em Irmãos à Italiana, do diretor Claudio Noce, um garoto precisa digerir o atentado terrorista sobre seu pai, em meados dos anos 1970. Com esse filme, Pierfrancesco Favino ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza ano passado. Também no terreno familiar e paternal, Volare, de Gabriele Salvatores, narra o reencontro de um pai com seu filho depois de ter abandonado a família 17 anos antes, mas agora ele encontra um jovem com deficiência cognitiva.

A Festa traz ainda o filme de estreia de Pietro Castellitto (filho do grande ator Sergio Castellitto), Os Predadores, trama paralela entre os membros de duas famílias totalmente distintas, mas que se cruzam de forma explosiva. Já o documentário Era Uma Vez a Máfia, de Franco Maresco, revisita a história italiana recente com sarcasmo e inventividade. Completam a seleção as comédias Troca Tudo, de Guido Chiesa, e Bangla, de Phaim Bhuiyan, além do drama policial 5 é o Número Perfeito, de Igor Tuveri.

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