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ANCESTRALIDADE E INOVAÇÃO

Festival Mãos da Moda une estilistas e artesãs em Salvador

MAC-BA recebe desfiles e feira de moda artesanal neste fim de semana

Redação
Por Redação
Projeto impulsiona moda autoral na Bahia
Projeto impulsiona moda autoral na Bahia - Foto: Divulgação

Com o propósito de conectar criadores e artesãos para impulsionar a moda nacional, o projeto Mãos da Moda, concebido pela Nordestesse e patrocinado pela Riachuelo, apresentará o lançamento de suas coleções inéditas. O evento ocorrerá de 22 a 24 de maio nos jardins do MAC-BA (Museu de Arte Contemporânea), transformando o espaço em um grande polo de moda autoral e artesanato têxtil.

O festival marca a estreia de coleções desenvolvidas ao longo dos últimos seis meses, por meio de cocriação entre seis marcas autorais da Bahia (selecionadas via chamada pública) e seis grupos de artesãs têxteis vindas de Correntina, Guanambi, Rio de Contas, Dias D’Ávila, Cachoeira, Saubara e Subaúma.

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O projeto é fruto de uma parceria da Nordestesse com o Riachuelo Lab, a plataforma de curadoria de talentos da Riachuelo. A iniciativa visa preservar os saberes tradicionais, colocar o artesanato em posição de protagonismo e gerar renda para as associações, garantindo um produto final autêntico e avesso à reprodução em massa.

“Nos quatro anos de atuação da Nordestesse, percebemos que as marcas de moda em geral não conhecem ou não sabem como acessar grupos artesanais que poderiam agregar muito à sua imagem e identidade. O MÃOS DA MODA surge para estreitar esses laços, garantindo recursos humanos e financeiros para que essa parceria resulte numa coleção coesa e que fortaleça tanto as marcas quanto os grupos artesanais”, afirma Daniela Falcão, fundadora da Nordestesse.

Em sua primeira edição, o projeto contemplou marcas da Bahia e da Paraíba (via ICMS Cultural), com o objetivo de, futuramente, expandir para outros estados.

"Investir na criatividade brasileira é investir em inovação, relevância cultural e na conexão autêntica com um consumidor que busca marcas que refletem o país. O Riachuelo Lab nasce como a materialização dessa visão: um espaço de experimentação, criação e conexão entre talentos da moda e da cultura, focado em impulsionar histórias verdadeiras, como faremos agora com o nosso primeiro projeto, o 'Mãos da Moda', e assim reafirmamos nosso compromisso como uma marca que acredita e investe nos brasileiros, fortalecendo todo o ecossistema criativo do país.” explica Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo.

Após a estreia em Salvador, as coleções seguem viagem para Fortaleza, onde desfilarão no Dragão Fashion Brasil, a maior semana de moda do Norte-Nordeste, de 9 a 12 de junho.

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Feira de Moda Artesanal da Bahia

Integrada ao Mãos da Moda, a Feira ocorrerá no mesmo local de 22 a 24 de maio, reunindo 23 artesãos e grupos do estado. O público encontrará roupas e acessórios construídos com técnicas ancestrais, incluindo:

  • Rendas renascença e de bilro
  • Bordados e crochê
  • Acessórios em marchetaria e metal

“Essa parceria entre o Festival Mãos da Moda e a Feira da Moda Artesanal Baiana representa uma oportunidade muito importante de posicionar o artesanato da Bahia em um segmento que agrega valor, criatividade e novas possibilidades de mercado. É um encontro entre identidade, ancestralidade e inovação, que amplia oportunidades de geração de renda e fortalece a presença dos artesãos e artesãs baianos em espaços cada vez mais estratégicos no cenário nacional”, diz Weslen Moreira, coordenador Executivo de Fomento ao Artesanato da Bahia, política pública do governo do estado por meio da Setre.

Conheça as duplas vencedoras na Bahia

ADRIANA MEIRA, com a coleção Rio que Conta

Os caftãs, jaquetas e vestidos com apliques de tecido formando santos, orixás e imagens abstratas da estilista baiana já rodaram o mundo. Nascida em Brumado, no sertão da Bahia, onde está hoje seu ateliê, Adriana trabalhou na Huis Clos e Adriana Barra antes de lançar sua própria marca, conhecida hoje pelos patchworks de camurça aplicados em linho, jeans e algodão.

Associação de Mulheres Artesãs de Barra Bananal e Riacho das Pedras - Rio de Contas

Este grupo vem de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, mais especificamente dos Quilombos de Barra do Brumado, Bananal e Riacho das Pedras. Por lá, 30 artesãs dessas comunidades se reúnem para produzir e comercializar roupas de cama, artigos de decoração e peças de vestuário. A técnica utilizada na confecção dos produtos é o crivo rústico, técnica de bordado de origem portuguesa, adaptada na Bahia com a utilização de tecidos de sacaria e linhas mais grossas. Caracteriza-se por desfiar o tecido para criar padrões geométricos, resultando em peças com uma rusticidade elegante.

AREIA, com a coleção MIMOSA 2: AÇUCARADOS

Fundada há 5 anos por Adailton Junior, a Areia tem como ponto forte a modelagem oversized e formas fluidas, que dão bossa e rejuvenescem a moda baseada em tecidos de fibras naturais como linho e algodão. O uso pontual de bordados e de palha de piaçava nas golas e barras mostra como a moda se sofistica e se fortalece quando recorre às artesanias de seu território.

AMAPA (Associação das Mulheres Artesãs Padre André) - Correntina

Especializadas em bordado cheio e também craques em corte e costura, as artesãs da Amapa produzem tanto peças de roupa adornadas com seus bordados quanto toalhas, panos de prato e jogos americanos. Fundada na década de 1980 pelo padre que dá nome à associação, a Amapa busca preservar a cultura popular da região, transformando cada bordado em uma narrativa viva das tradições do oeste do estado.

DUA, com a coleção Benditas

As bijoux criadas por Camila para a Dua, marca que lançou com a mãe em 2018, quase sempre trazem branco, dourado e detalhes de búzios africanos. “Minha avó paterna, Dona Alzira, era autoridade no candomblé e sempre andava com um balangandã e peças douradas. Quando faço minhas bijoux, sinto essa conexão com ela, é como se estivéssemos conversando.” Inquieta, apaixonada por experimentações com materiais (cerâmica e madeira já entraram em suas coleções) e dona de mãos habilidosas, Camila cria ciente de sua responsabilidade em manter viva a cultura de seus antepassados.

Associação Artesanal Chitarte - CACHOEIRA

A Chitarte tem na chita bordada sua marca de identidade, símbolo de criatividade, resistência e pertencimento – mas suas artesãs também são craque no ponto-cruz, crivo e bordado livre. Sua atuação vai além da produção artesanal: desde 1987, oferece oficinas de diversas tipologias têxteis e já conquistou reconhecimentos importantes, como a Comenda Maria Quitéria. Em 2024, se tornou Patrimônio Cultural do estado, por conta de seu trabalho na valorização do bordado artesanal sobre a chita.

INTTUÍ, com a coleção Pele de Céu

A Inttui surge com a proposta de rebobinar nosso olhar sobre a alfaiataria: modelagens amplas, silhuetas fluidas e cortes descolados do corpo são a marca da registrada. Sob direção criativa de Washington Carvalho, a marca valoriza processos lentos e sem pressa. Cada coleção é uma ode à estética poética e ao verdadeiro saber-fazer manual, questionando formatos estabelecidos e atualizando o conceito de formal. É uma alfaiataria que dialoga com o presente e se abre para o futuro.

Rendavan (Associação das Rendeiras de Dias D’Ávila)

Fundada em 2009 pela mestra Dinoélia Trindade, a Associação de Mulheres Rendeiras de Dias d’Ávila, a Rendavan, preserva saberes tradicionais por meio de capacitação para salvaguardar a cultura popular, ensinado e produzindo peças de renda de bilro, bordado livre, crochê, corte-costura e modelagem, além de lapidação em vidro. Em 2020, foi reconhecida como Pontão de Cultura e, em 2021, Dinoélia Trindade recebeu o título de Mestra Imortal pela IOVBrasil-Unesco

LUCI BORTOWSKI, com a coleção Memórias para o Futuro

Um pano de prato vira camisa. Toalhas de mesa rendadas se transformam em vestidos. Guardanapos bordados, em tops e sutiãs. Tapeçarias, em jaquetas. Tudo isso arrematado por aviamentos esquecidos. A mágica acontece no ateliê de Luciana Bortowski no Vale do Capão, na Chapada Diamantina. Depois de anos trabalhando como braço direito da designer Fernanda Yamamoto, Luci se mudou para a Chapada na pandemia e decidiu que sua missão seria tornar a moda regenerativa desejável para além do impacto positivo que gera no ambiente.

Associação dos Artesãos de Saubara

Desde 1999, na cidade de Saubara, no Recôncavo Baiano, a Associação dos Artesãos de Saubara é referência em renda de bilro e trançado em palha de ouricuri. A delicadeza da renda de bilro acaba de conquistar a Indicação Geográfica (IG), do tipo Indicação de Procedência (IP), um reconhecimento que reforça sua autenticidade e qualidade. Líder do grupo, Mestra Maria do Carmo Amorim é a quarta geração de uma família de rendeiras. Nascida em 1947 em Saubara, cidade onde o bilro se instalou há mais de 4 séculos, é artesã desde a barriga da mãe: segundo ela, já ouvia os sons e as cantigas dos bilros antes de nascer. Aos 7 anos, aprendeu os primeiros pontos e, desde então, se dedica a esta tradição e compartilha seus saberes.

TEROY13, com a coleção Vertigem

Fundada no início de 2019 pelos soteropolitanos Alexsandro Rodrigues e Albert Lefundes, a TEROY13 nasceu do desejo de transformar vivências da dupla em experiências por meio da moda. Com o streetwear como base e o clubber wear como uma de suas principais vertentes, a TEROY13 se inspira nas subculturas periféricas e nas festas noturnas, e o resultado é uma estética vibrante, política e urbana.

Grupo Mulheres do algodão de Guanambi

Fundado por Ana Fiúza Caires, o coletivo tem como missão resgatar e preservar a tradição da cotonicultura e do artesanato na região. Suas artesãs produzem peças em algodão agroecológico, cuidando desde o plantio ao acabamento, trabalhando tanto com fibras brancas quanto as naturalmente coloridas (verde, marrom e rubi), e se dividem nas atividades de fiar, tecer e bordar. Além da tecelagem e dos bordados, também são experts em macramê e crochê.

Serviço

Datas dos desfiles:

Sábado, 23 de maio (15h às 17h): Areia, Teroy13 e Inttuí

Domingo, 24 de maio (15h às 17h): Luci Bortowski, Dua e Adriana Meira

Horários da Feira de Artesanato de Moda da Bahia:

Sexta-feira: das 14h às 20h

Sábado e domingo: das 10h às 20h

Local do evento: MAC-BA: Palacete das Artes, Rua da Graça, 284.

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