CULTURA
Museu de Arte de Simões Filho é inaugurado neste sábado, 13
Espaço busca resgatar representações culturais simõesfilhenses


Parte da RMS (Região Metropolitana de Salvador), Simões Filho fica a meros 21 quilômetros da capital baiana e tem um dos maiores PIBs da Bahia. Infelizmente, a pujança cultural da capital, que está tão próxima, com vários museus, teatros e casas de shows, não alcança a cidade vizinha. Um primeiro passo para sair do marasmo é dado hoje, com a inauguração do Museu de Arte de Simões Filho (Masf), com a exposição Histórias Simõesfilhenses - A Lente Generosa, do fotógrafo Diney Araújo.
Um detalhe importante, porém: o museu ainda não tem uma sede. Ele fica ao ar livre, em uma escadaria ligando duas ruas do município (endereço no serviço).
As fotografias de Diney, profissional simõesfilhense com 40 anos de carreira e que nunca havia tido uma exposição individual, trazem lugares, pessoas, eventos e movimentos culturais da cidade, além de imagens do teatro baiano, fruto de um trabalho realizado por ele há 15 anos.
“Vivemos um momento em que a cidade não tem centros culturais, museus, teatros, nenhum equipamento público ou politica cultural que fomente a fruição e a produção artística no território. Resgatar as memórias desses movimentos na cidade é um gesto que pode interromper o silenciamento e apagamento que os artistas locais são submetidos”, acredita Augusto Leal, idealizador do Masf e curador da mostra.
Já Diney diz se sentir feliz com o movimento do museu e o reconhecimento ao seu trabalho, apesar das circunstâncias. “Ah, me sinto lisonjeado, né? Gostaria que fosse de outra forma, com a participação do poder público. Não é que a gente queira que eles banquem tudo, mas pela importância da cultura, esta exposição é muito mais uma posição política. Estamos renascendo, tentando juntar coisas que vêm se perdendo”, observa Diney.
“Porque Simões Filho é, digamos assim, uma cidade rica que não tem teatro, não tem espaços culturais, não tem caminhos para a gente trazer a cultura de uma forma boa para o município. Então essa ocupação é uma coisa fantástica”, acrescenta.
Intempéries e ações
Contemplado pelo Prêmio Museu é o Mundo [projeto independente; mais em: premiomuseuemundo.com.br], o Masf exibirá as imagens de Diney a céu aberto. “A princípio, o formato das obras dialoga com o que já é usado na rua. Soluções como impressão de adesivos e lonas para áreas externas, papéis usados em outdoors, tintas resistentes a intempéries, spray. Alternativas que artistas de rua, lojas e até o campo da publicidade já usam para ações a céu aberto”, detalha Augusto.
“Outros materiais resistentes a intempéries também podem fazer parte das exposições: madeira, plásticos, metais, plantas. É um processo bem experimental, e estamos aprendendo com ele”, conta.
Até ações de vândalos ou mesmo intervenções “bem intencionadas” poderão fazer parte do processo. “Se por acaso alguém danificar, riscar, pintar, ou fazer qualquer coisa com o que está exposto, isso indica que a exposição afetou essa pessoa e essa é a forma dela manifestar esse afeto. Se torna mais um dado sobre o trabalho, que tem potencial de provocar outras reflexões. Os debates podem se expandir, e o trabalho pode ganhar mais complexidade”, conclui Augusto Leal.
'Histórias simõesfilhenses - A lente generosa', de Diney Araújo / Abertura hoje, 14h / Visitação até 02.11 / Aberta 24 horas / Museu de Arte de Simões Filho (MASF) / Escadaria que liga a Av. Elmo Serejo Faria à Rua Vereador João de Oliveira Campos, Cia 1 - Simões Filho