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ARTES CÊNICAS

Musical que enaltece canções de Chico Buarque faz apresentação em Salvador

Apresentação fala do universo feminino das músicas do artista

Por Eugênio Afonso

02/04/2025 - 8:15 h
Miranda Caê
Miranda Caê -

Desde que se consagrou como um dos maiores compositores da música popular brasileira (quiçá o maior) há algumas décadas, o carioca Chico Buarque de Holanda, 80, tem sido alvo de celebrações artísticas través de documentários, livros, trilhas sonoras de projetos audiovisuais, peças de teatro e musicais.

Amanhã Vai Ser Outro Dia – Um Tributo a Chico Buarque é mais um desses projetos que, merecidamente, homenageiam o compositor de A Banda. O musical chega a Salvador nesta sexta-feira (4) e tem apresentação única no Cineteatro 2 de Julho (Irdeb), às 20h.

Com duas cantoras e atrizes em cena – Aline de Castro e Miranda Caê -, o espetáculo faz um recorte na obra de Chico para enaltecer o universo feminino com o intuito de refletir sobre a condição da mulher na sociedade. Aline é Carolina, e Miranda, Beatriz, não à toa dois nomes retirados de duas canções icônicas do mestre.

De acordo com a produtora e atriz paulista Isabela Dias, 31, diretora do musical, Chico Buarque é atemporal. “Ele diz coisas muito profundas sobre o ser humano, suas angústias, seus medos, mas também seu lado maravilhoso, seu lado da força, da potência. Acho que Chico veio pra somar demais nessa obra”.

Amanhã Vai Ser Outro Dia, que tem texto da soteropolitana Aline de Castro, 44, conta a história de duas mulheres de classes sociais distintas que se conhecem em uma cela de delegacia. Elas discutem as próprias sinas e o sistema carcerário feminino, sempre emolduradas pelas canções do compositor.

“Elas foram presas por motivos diferentes, mas com algo em comum. Ali, as duas descobrem o universo uma da outra e a gente tem a questão da sororidade. A gente escancara os problemas do sistema, do patriarcado, da misoginia, do machismo e do racismo também”, detalha a diretora.

Ela conta ainda que priorizou, na encenação, as mazelas de ser mulher dentro de uma sociedade como a que temos hoje. “Principalmente, numa situação como essa [encarcerada], mas também a maravilha de ter uma outra mulher como rede de apoio, e mostrar que as mulheres unidas têm muita força. Mostrar a beleza dessa força”.

Conflitos sociais

Beatriz é negra e carrega vivências marcantes de luta e dor. Carolina é branca e, aparentemente, dotada de privilégios e fragilidade. No encarceramento, as duas discutem suas histórias, enfrentam conflitos sociais e acabam refletindo sobre as motivações e consequências de suas vidas.

Carolina é ainda uma mulher de sonhos simples, de personalidade contida e submissa, que viveu perdas irreparáveis.

“A motivação do encarceramento dela é revelada durante os diálogos com Beatriz, e a partir dessa revelação vai sendo evidenciado que o encarceramento de Carolina vai além das grades da cela”, comenta Aline.

Para a atriz, Amanhã Vai Ser Outro Dia é um espetáculo que discursa sobre o mulheril. “Dialoga sobre as motivações do encarceramento feminino, que quase sempre estão atreladas ao abandono, ao machismo e à misoginia. Também revela diferenças de tratamento pela sociedade entre essas duas mulheres que viveram em mundos opostos. Expor as prisões femininas, sejam elas metafóricas ou físicas, é o maior propósito da peça”, sublinha a baiana.

Na pele de Beatriz, a atriz, cantora e compositora paulista Miranda Caê – uma mulher trans de 29 anos – relata que sua personagem é uma artista de ancestralidade cigana que foi presa por se relacionar com um homem dentro da prisão.

“Esse cara pediu um favor e ela acabou sendo presa por conta disso. É uma personagem muito forte, uma pessoa muito centrada. Então, para mim, é maravilhoso fazer essa personagem, porque ela é forte, independente, segura de si”, destaca Miranda.

Um dos direcionamentos do espetáculo é, a partir das letras de Chico Buarque, criar um entrelaçamento da vivência dessas duas mulheres. “Então, quando a gente escolhe o Chico pra poder compor esse repertório, a gente também traz um pouco do nosso contexto a partir das músicas”, esclarece Caê.

Dura realidade

E além de inúmeras questões do universo das mulheres, o musical trata, sobretudo, do sistema carcerário feminino, um tema importante e pouco explorado, segundo Isabela Dias. Ela argumenta que o público vai ver em cena a vulnerabilidade dessas duas atrizes através de uma história tocante.

“Onde a gente vai se emocionar, dar risada, criar expectativa e se esbarrar na cruel realidade. Então, é uma peça para sair pensando e sentindo, sabe? As canções de Chico são muito profundas, falam muito do que a gente sente enquanto ser humano, e encaixa muito no que essas duas mulheres estão vivendo”, avalia a diretora.

Miranda corrobora com Dias e confirma que o propósito do musical é mesmo trazer um pouco da vivência das mulheres encarceradas no Brasil.

“A gente fala muito sobre sistema carcerário, mas não fala muito da realidade das mulheres dentro desse contexto. É uma realidade que as pessoas não necessariamente enxergam”, finaliza a atriz.

No repertório, quase todo cantado em dueto, não faltarão clássicos como Carolina, Roda Viva, O Que Será (À Flor da Pele), Acorda Amor, O Casamento dos Pequenos Burgueses, Essa Moça tá Diferente, A Cidade dos Artistas, Deus Lhe Pague, João e Maria.

Amanhã Vai ser Outro Dia – Um Tributo a Chico Buarque / 04 de abril / 20h / Cineteatro 2 de Julho (Irdeb) / R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia) / Vendas: Sympla / Classificação: 14 anos

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