CULTURA
Os parceiros geniais de um astro sem medidas

Por Chico Castro Jr., do A TARDE
Que Michael Jackson era um talento muito acima dos seus pares, isso não se discute. Um traço pouco abordado e decisivo, contudo, foram suas parcerias.
Ao longo de sua carreira de 46 anos – já que ele começou aos 4 anos e morreu aos 50 – Jacko estabeleceu parcerias fundamentais com outros músicos, cineastas, atores, coreógrafos e estilistas, entre outros profissionais.
Seu parceiro musical mais importante foi, com certeza, o maestro e produtor Quincy Jones, que respondeu pela produção dos seus dois álbuns artisticamente mais bem-sucedidos: Off The Wall (1979) e Thriller (1982).
Jones aproveitou, formatou e direcionou o talento gigantesco do jovem Michael para o que se tornaria um estilo único de música pop. Sem Jones, o Rei do Pop jamais conseguiu igualar tamanha perfeição.
Não tão decisiva na sua carreira, mas muito importante, foi a parceria de Michael com o ex-Beatle Paul McCartney.
O encontro desses dois gigantes da música pop rendeu duas músicas, e ambas fizeram enorme sucesso de público: The Girl is Mine e Say, Say, Say. A primeira foi incluída no Thriller e a segunda, em contrapartida, no álbum Pipes of Peace (1983), de Paul McCartney.
Consta que a audiência negra, então ainda o público majoritário de Jackson, não gostou muito, considerando que ele só as gravou para ganhar popularidade com a audiência branca.
Ainda em Thriller, outra parceria teve grande destaque, apesar do papel relativamente pequeno desempenhado: o guitarrista virtuose Eddie Van Halen, que gravou o inesquecível e faiscante solo de Beat It, uma das melhores faixas do álbum. O holofote que se acendeu sobre o guitarrista da banda Van Halen foi fundamental para o sucesso posterior do hit Jump, lançado já em 1983.
Anos depois, talvez querendo reeditar uma parceria de igual sucesso com “o guitarrista mais quente do momento”, Michael recrutou Slash, da então bombadíssima Guns ‘n‘ Roses, para gravar uma faixa de Dangerous (1991), Give In To Me. A faixa é até bacana, mas, àquela altura, a magia já havia se extinguido.
Cinematográfico – Depois da música – e talvez até mais do que ela – foi o cinema o campo que mais parceiros rendeu ao astro. Sua participação em O Mágico Inesquecível (The Wiz, 1978), dirigido pelo “monstro sagrado“ Sidney Lumet (de Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, entre outros), foi histórica.
Vivendo o Espantalho numa recriação afro-americana d‘O Mágico de Oz, ele contracenou com seu ídolo máximo Diana Ross (como Dorothy) e o grande Richard Pryor (como o Mágico). Mas a importância desse momento só seria realmente sentida nos anos seguintes, já que foi durante as filmagens que Jackson conheceu o responsável pela trilha sonora: ninguém menos que Quincy Jones.
A partir de Thriller, Jackson iniciou uma série de parcerias com grandes cineastas, a começar pelo hoje esquecido e subestimado John Landis.
Ainda “quente” do sucesso que foi Um Lobisomem Americano em Londres (1981), Landis, que havia também revelado o talento de John Belushi em filmes como Os Irmãos Cara de Pau (1980) e O Clube dos Cafajestes (1978), caiu como uma luva para a direção do ambicioso clipe de Thriller. O clipe e o Lobisomem Americano contaram com o mesmo maquiador, o oscarizado Rick Baker.
Em 1986, foi a vez de Francis Ford Coppola dirigir Jackson no pouco visto Captain Eo, um milionário média-metragem de ficção científica e fantasia que contava com Anjelica Huston contracenando com o astro.
No ano seguinte, Jackson tentou reinventar o formato de clipe-curta-metragem de Thriller com o vídeo de Bad, dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese. Com 18 minutos na versão integral e filmado em belíssimo preto e branco, traz Michael no que é provavelmente sua melhor performance como ator no papel de Daryl, um jovem negro que retorna a sua comunidade após alguns anos em um colégio interno. Contracenando com ele estavam Roberta Flack no papel de sua mãe e um jovem Wesley Snipes (da série Blade).
Impossível não citar ainda Spike Lee, que dirigiu o vídeo de They Don‘t Care About Us, com cenas filmadas aqui e no Rio. Como se vê, o gênio também se mede na escolha dos parceiros.
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