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DEBATE

Produtores se reúnem em bate-papo sobre aquilombamentos culturais

Encontro reuniu também artistas e agentes culturais

Bianca Carneiro e Franciano Gomes
Por Bianca Carneiro e Franciano Gomes
Painel foi promovido pelo Festival Salvador Capital Afro, na tarde desta sexta-feira, 24
Painel foi promovido pelo Festival Salvador Capital Afro, na tarde desta sexta-feira, 24 - Foto: Franciano Gomes | Ag. A TARDE

Os espaços culturais de aquilombamento são espaços de resistência, celebração, conexão e articulação estratégica. O assunto foi tema de um painel promovido pelo Festival Salvador Capital Afro, na tarde desta sexta-feira, 24.

O encontro reuniu Jaqueline Fernandes, do Festival Latinidades, Karla Danitza do projeto Enegrecer a Gestão Cultural, Lázaro Roberto do Zumvi Arquivo Afro Fotográfico, com Stéfane Souto, coordenadora de Economia da Cultura (Secult). O grupo trocou diferentes experiências e debateu a importância dos espaços culturais de aquilombamento para fortalecer o cenário artístico-cultural negro.

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O fotógrafo Lázaro Roberto contou como iniciou a carreira, em um período em que a fotografia era “considerada coisa de branco”. “Eu sou filho de uma lavadeira de roupa e de um estivador, e a gente sabe que a profissão da fotografia é uma profissão muito cara e é muito difícil dos negros terem acesso, então eu acabei entrando na fotografia através do teatro e através de uma máquina emprestada”, relatou.

Diretora geral do Festival Latinidades, encontro anual dedicado à cultura negra, realizado em Brasília desde 2008, Jaqueline Fernandes falou sobre o imaginário que ela tinha da produção cultural.

“Quando eu pensava em produtor cultural, eu pensava num cara branco com muita grana e esse cara, ele ganhava mais do que o artista, ele mandava em todo mundo e oprimia o artista. Esse era o imaginário que eu tinha sobre produção cultural. E à medida que eu fui crescendo, eu fui conhecendo mulheres negras no lugar da produção cultural e recentemente, eu vim pensando quanto o perfil da produção cultural mudou a partir do momento em que as mulheres negras chegaram nesse papel”.

Ainda durante o papo, Jaqueline falou sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres negras na área.

“Se você é produtora de uma banda, você tem que ficar disponível no horário que for, você vira meio mãe, meio cuidadora. Reprodução desses papéis sociais baseados em racismo e machismo. Então, quando a gente chega no lugar da produção cultural, muitas violências, uma vez que as mulheres negras tomaram esses papéis e esses papéis muito também nos lugares subalternos”, lamentou.

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