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Salvador ganha programação dedicada a temas LGBT em setembro

Publicado quarta-feira, 04 de setembro de 2013 às 07:04 h | Atualizado em 03/09/2013, 20:41 | Autor: Verena Paranhos
Sfat Auermann - Transformista
Sfat Auermann - Transformista -
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Em Salvador, há pelo menos 12 anos quando chega o mês de setembro uma coisa é certa: bandeiras arco-íris ganham as ruas e marcam as discussões de temáticas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).

Pelo segundo ano, a Semana da Diversidade reúne até sábado uma série de eventos, entre palestras, shows, festival de cinema, teatro, exposições. O  ápice da programação é a 12ª Parada Gay da Bahia, que acontece domingo, 8, e tem como rainha a cantora Daniela Mercury.

Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), destaca dois significados desta edição do evento. "Queremos fortalecer as nossas demandas da agenda política e também possibilitar uma receita para a cidade, a partir da vinda de turistas e da participação dos soteropolitanos". A organização do evento espera gerar uma receita de mais de R$ 2 milhões com a Semana da Diversidade.

A programação traz amanhã, nesta quinta-feira, 5, à tarde, palestras do deputado federal Jean Wyllys e da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O encontro acontece na Unifacs do Caminho das Árvores.

Filmes

A mostra de filmes do  Festival de Cinema Mix Brasil é destaque na agenda de sexta, 6, e sábado, 7, na Sala Walter da Silveira, nos Barris. "Trazer os filmes do festival é importante porque possibilita a exibição de curtas, média e longa-metragens de ficção e documentários que abordam temáticas LGBTs e não fazem parte do circuito nacional de cinema", diz Cerqueira.

Este ano, a programação relacionada ao universo LGBT segue pautando diversos espaços culturais de Salvador até o final do mês. Segundo Gilmaro Nogueira, psicólogo e mestre em Cultura e Sociedade, existe um calendário de eventos durante todo o ano que nem sempre chega ao conhecimento de toda a população.

"A concentração maior em setembro é por conta da Parada Gay. Maio é um período muito importante também por conta do Dia Internacional de Combate à Homofobia, celebrado em 17 de maio".

O pesquisador é um dos participantes do ciclo de palestras da VI Mostra Possíveis Sexualidades, que acontece entre os dias 25 e 27, na Caixa Cultural Salvador. "A gente tem feito muita coisa sobre sexualidade para o público LGBT. Temos que convocar a sociedade como um todo para discutir a questão, é o que falta para uma maior amplitude. O silêncio é um discurso. Se a gente não discute homofobia e sexualidade, os discursos homofóbicos vão continuar".

Fluxo

A intimidade de atores transformistas é o tema da exposição Fluxo, em que Agnes Cajaiba apresenta dez fotografias de transformistas que atuam na noite soteropolitana.

Na abertura da exposição, no dia 12, no Espaço Xisto Bahia, acontece a mesa-redonda Trans(Identidades), composta por pesquisadores e alguns transformistas fotografados. A noite será encerrada com um pocket show dos personagens Sfat Auermann, Rainha Loulou, Mitta Lux e Valerie O'hara.

"A casa da gente é um lugar muito íntimo. Achei que poderia ser bem mais sincera falando sobre transformistas na casa deles. No palco eles fazem um trabalho artístico, superproduções, e ganham cachês muito baixos. É importante falar disso", afirma  Agnes.

Para a fotógrafa, os atores sofrem muito mais preconceito por serem gays do que pelo transformismo. "Minha intenção era aproximar as pessoas desse universo, de um jeito bem humano.  Em geral, quando falo, elas recebem  de forma esquisita, mas quando veem os personagens nas fotos pensam diferente, porque são fotos que mostram muito o carinho e o respeito".

Valerie O'rarah, personagem do maquiador Valécio Santos,  é um dos retratados na exposição. "É difícil ser transformista em Salvador. Ao longo do tempo  a gente vai fazendo a coisa séria, tratando com respeito o personagem e  consegue diminuir esse olhar preconceituoso", afirma Valécio Santos.

O maquiador Dino Neto, que dá vida a Sfat Auermann, acredita que os eventos de setembro são importantes e vão muito além da festa da Parada Gay. "É um momento de promover discussão e de legalizar as coisas. Tudo é uma festa, mas a gente está ali pedindo igualdade e respeito. As pessoas confundem, a gente só quer igualdade".

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