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Xangai e Shaolim se apresentam na Casa de Espetáculos

Claudia Lessa, do A Tarde
Por Claudia Lessa, do A Tarde
| Atualizada em


Humor e música compartilham o palco na Noite da China. No comando do evento, o comediante Shaolin e o cantador Xangai – ambos, curiosamente, apelidados com nomes de origem chinesa. Oportunidade “dois em um” de diversão às custas das piadas do paraibano Fracisco Veloso e das cantigas do baiano Eugênio Avelino. Eles se apresentam nesta quinta-feira, 12, às 21 horas, na Casa de Espetáculos (Boca do Rio).

Para quem não ligou o nome à pessoa, Shaolin é aquele que vem ganhando fama imitando personalidades do meio artístico e político, no programa Show do Tom (Record), de Tom Cavalcante.

Pela primeira vez a trabalho em Salvador, o cômico Shaolin traz o espetáculo Aceite Imitações, um trocadilho com o slogan da conhecida sandália de borracha. “No meu caso, estou sempre no pé do povo e peço pra todos aceitarem as minhas imitações”, diverte-se.

Improviso – As imitações são o forte nos seus shows, mas a base do seu texto é o improviso. “Herdei dos meus tempos de jornal, quando fui chargista e, por conta do ofício, trabalhava muito na base da observação e do improviso. Levei esse estilo da prancheta para o palco”, conta o humorista.

Na boca de Shaolin, o foco de suas piadas vem à tona conforme a conjuntura. “Barack Obama, Lula, Ronaldinho, por exemplo, são personalidades da vez”, diz. O importante, destaca, é que o humor esteja sempre atualizado, mesmo que em cima de uma velha piada.

No seu repertório de imitações, não escapam artistas conhecidos do grande público: Joelma, do Calypso, Leonardo, Alcione, Bruno & Marrone, Maria Bethânia, Geraldo Azevedo, Simone, Luiz Gonzaga e, recentemente incluída, a dupla sertaneja Victor & Léo.

Os internacionais Michael Jackson, Bon Jovi, Bonnie Tyler e Brian Adams também ganham sua leitura sarcástica. “São figuras caricaturáveis, seja por causa da voz, da aparência, dos trajeitos. É o caso de Chico Anísio, perfeito para ser imitado por conta de suas caras e bocas“, considera Shaolim, que já foi expulso da igreja, quando criança, porque ficava imitando o pastor.

Homofobia – Ainda no quadro das imitações, Shaolim inventa paródias com canções como À Primeira Vista, de Chico César, que, na sua versão, vira A primeira Bicha.

Segundo ele, uma crítica à homofobia. “Sou contra qualquer tipo de preconceito. No caso da opção sexual, cada um deve viver sua vida particular como bem quiser”, posiciona-se.

No show, revela, ele se veste dos trejeitos do apresentador Leão Lobo, homossexual assumido, para contar “uma piada de viado”. Em seguida, desafia a plateia: “Quero ver quem consegue ficar totalmente parado ao som de I Will Survive”.

Shaolin não limita seu espírito bem-humorado ao palco. No dia-a-dia, conta, procura manter a leveza, mesmo em momentos adversos. “Nós, nordestinos, sertanejos, passamos a vida toda rindo da própria desgraça. A gente passa aperreios, leva chifre, tem triglicérides alto... falo das taxas de água, luz e telefone“, brinca Shaolin

O humorista emergente – na mídia – contabiliza 15 anos de carreira. Ele ressalta que foi entre 1999 e 2002, período em que atuou no Domingão do Faustão , que viu seu trabalho alavancar. “Tenho andado bastante. Até para os EUA já fui“, comemora.

Desenhista e chargista no início da carreira, Shaolin começou sua trajetória de humorista em Campina Grande-PB.

Ele alugava o Teatro Municipal da cidade e apresentava um programa de TV local, que tornou-se fenômeno de audiência e serviu-lhe de cartão de visitas para novas possibilidades em programas de redes nacionais.

Antes de ir para a Globo, passou, então, pelo SBT – onde fez ponta na A Praça é Nossa. Atualmente, Shaolin é contratado da Rede Record.

Uma das mais representativas vozes a serviço da música sertaneja “de raiz”, como gosta de frisar, Xangai traz ao público suas cantigas de que falam da terra, da natureza, do povo do sertão. Iintérprete intuitivo, como se autoproclama, o artista baiano não costuma seguir um roteiro nos seus shows.

Mas, de certo, canções como Matança (Jatobá), Estampas Eucalol (Hélio Contreiras), Nois é jeca mas é joia e Meninos (Juraildes Cruz) entrarão no repertório.

Serviço:

NOITE DA CHINA | Shaolin & Xangai | Quinta, 12, 21h | Casa de Espetáculos (3232-0239) | Av. Otávio Mangabeira, s/n, Boca do Rio | R$ 40 e R$ 20.

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