DETALHE TÁTICO
'Empatite' é passado

Curioso: minha base de análise para comprovar por que o treinador do Corinthians não pode mais ser chamado de 'Empatite' é justamente o 1 a 1 no clássico deste domingo, contra o Santos. O apelido surgiu em 2013, quando o Timão, sob o comando de Tite, terminou o Brasileiro como líder em igualdades: 17 (45%) de 38 jogos. Mas não só esse número chamou atenção.
Sem inspiração, a equipe, que acabou a competição em 10º, teve o segundo ataque menos positivo: 27 gols marcados (média de 0,7 por partida). Além disso, ocupou posições de rebaixável em estatísticas que determinam a variedade do repertório e o volume de jogo de um time.
Na quantidade de passes que originaram gols, as chamadas assistências, ficou em último, com 16. Nos passes para finalizações, foi 15º, com 328. Nas conclusões a gol, acabou em 18º, com 157.
O Corinthians daquela época tinha muito do conceito que Tite utiliza hoje, com pouco espaço oferecido aos adversários entre as linhas de meio-campo e defesa. Porém, não conseguia aliar isso a uma produção ofensiva no mínimo digna.
Em 2014, o treinador resolver tirar um 'ano sabático'. Estudou e viajou ao mundo para evoluir na profissão. Ao mesmo tempo, sem ele, o Timão também cresceu. Apesar de ter sido muito criticado, Mano Menezes iniciou uma transformação no Parque São Jorge, completada em 2015.
Tanto que, na Série A do ano passado, a equipe conseguiu classificação à Libertadores e se destacou de forma positiva em pontos nos quais teve números ínfimos em 2013. Nas assistências, foi o quarto melhor (35). Nos passes para finalizações e nos chutes a gol, ficou em segundo (385 e 206, respectivamente). Também evoluiu nos gols pró, sendo o sexto, com 49 marcados.
Mesmo assim, faltava 'jogo'. O time desperdiçava muito a bola e tinha como principal força os lances de bola parada. Foi aí que entraram as novas ideias de Tite, que introduziu uma leveza que não se via no seu Corinthians antigo, mesmo o que foi campeão mundial em 2012.
Jogadores como o volante Elias e o meia Jadson quebram a rigidez das linhas do treinador gaúcho. O atacante Emerson oferece objetividade pelos lados. Além disso, a equipe se desfaz bem menos da posse da redonda. O goleiro Cássio evita sempre que pode os chutões para a frente e, quando a bola chega aos pés dos zagueiros, os meio-campistas Elias, Jadson e Renato Augusto se apresentam como opções de passe.
16 chances
No duelo de domingo com o Peixe, o Corinthians apresentou um futebol de primeira na etapa inicial, na qual 'rifou' a bola da defesa diretamente ao ataque apenas quatro vezes. Além disso, 'massacrou' no ataque, com vasto repertório de jogadas. Treze chances de gol foram criadas, sendo quatro no mesmo lance, do qual o goleiro santista saiu como herói com defesas consecutivas.
Somadas as três oportunidades construídas no tempo complementar - quando, segundo informações do setor de análise de desempenho do clube, os jogadores sentiram o desgaste físico -, foram 16 ao todo. Confira no infográfico: os quatro círculos verdes representam os lances agudos em chutes de média distância; os três laranjas, chances em bolas paradas , incluindo o gol de cabeça de Felipe após escanteio cobrado por Jadson; os três azuis, rebotes ofensivos; os três vermelhos, jogadas com passe longo; o amarelo, lance de linha de fundo; o roxo, troca de passes pelo meio; o preto, chuveirinho à área.
No Paulistão, o time, líder na pontuação geral, também é o primeiro nos passes para finalizações (172), conclusões a gol (87) e desarmes (314), este último fundamento crucial para a intensidade exigida no futebol de hoje.
Tite - afora a chata manutenção do discurso excessivamente moralista - parece ter aprendido sua melhor lição no período de 'descanso': é preciso, além de gostar de ganhar, também gostar de futebol.
Daniel Dórea | Jornalista [email protected]
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