ECONOMIA
AL deve exportar até 8% mais em 2006/07, aponta Cepal

Por Agencia Estado
O volume de exportações da América Latina deve crescer de 7% a 8% no biênio 2006-2007, graças a uma importante melhora nos intercâmbios, segundo projeção da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), divulgada hoje em Santiago, no Chile. A taxa seria a mais alta no mundo, depois da chinesa. Em seu relatório "Panorama da Inserção Internacional da América Latina e Caribe, 2005-2006", a Cepal destaca que em termos financeiros (em dólares), as exportações e importações da região aumentariam 20% e 17% em 2006, respectivamente.
O relatório diz que "a manutenção do crescimento do comércio regional se deve à evolução favorável que mostra a economia mundial, que em 2006 completará quatro anos de crescimento consecutivo acima de 4%, medido segundo o critério de Paridade de Poder Aquisitivo (PPA)". No entanto, os autores do Panorama afirmam que há um expectativa de que ocorra uma leve desaceleração desse dinamismo "até o final de 2006 e 2007, o que não alteraria muito um cenário internacional positivo".
Petróleo
Apesar do tom otimista, o Panorama da Cepal alertou que a economia dos países da América Latina e do Caribe também está sujeita a riscos no horizonte. O maior deles é o impacto da alta do preço do petróleo, devido à crescente demanda mundial e às tensões geopolíticas no Meio Oriente.
"Os altos preços têm começado a impactar não só a inflação total de todos os países, mas também têm feito com que os bancos centrais aumentem sucessivamente suas taxas de juros, o que pode trazer como conseqüência um acesso menos fluido dos países da região aos mercados financeiros internacionais."
Outro fator de inquietação apontado pela Cepal diz respeito à China, que não tem cumprido seus prognósticos de uma suave desaceleração e sua moeda continua ancorada no dólar. "O cenário mais provável então não é o de uma recessão, mas o de uma moderada desaceleração da economia mundial, com uma correção gradual dos desequilíbrios que a afetam", opina.
Neste contexto, o comércio de América Latina e Caribe continua aproveitando a persistente demanda internacional, sobretudo da China, e o maior vigor das economias da Europa e do Japão.
A Cepal destaca ainda que as grandes economias emergentes, especialmente China, Índia e Rússia, têm sido as mais dinâmicas. "De fato, China e Índia, somadas, contribuíram com um terço do crescimento do PIB mundial em 2005 - calculado sobre a base do PPA (Paridade de Poder Aquisitivo PPA)-, superando os Estados Unidos, a União Européia e Japão juntos", destaca o Panorama da Cepal. Por isso, continua, "a dinâmica atual do crescimento da economia mundial oferece um panorama alentador para o desempenho comercial dos países da América Latina e Caribe."
Produtos básicos
As exportações da América do Sul cresceram mais rápido que as do México e América Central, "pelo fato de que a primeira se especializa mais em produtos básicos, cujos preços têm aumentado de maneira sustentável", destaca a Cepal em relatório. De fato, o sucesso comercial da região em 2006, continua o texto, deve-se em grande parte a uma melhora em termos de superávit comercial, ou seja, da relação entre os preços das exportações e os preços das importações.
Os países exportadores de petróleo e cobre (Venezuela, Equador e Chile) registraram a maior alta em 2005, enquanto os importadores de petróleo (América Central e Caribe) sofreram importante piora. Para 2006, a Cepal projeta "um aumento de 6% no superávit da região graças à manutenção da demanda internacional por petróleo e minerais metálicos". O relatório diz que os países mais favorecidos seriam Chile (aumento de um 25%), Venezuela (22%), Peru (18%) e Bolívia (14%).
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes



