ECONOMIA
Alimentos e combustíveis elevam IPCA a 0,19%

Por Agência Reuters
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) praticamente dobrou em julho, mas a alta já era esperada e não preocupa já que, segundo analistas, coloca a inflação em um patamar sustentável e mais condizente com a economia brasileira.
Maiores custos de Transportes e Alimentação fizeram o IPCA subir 0,19 por cento, depois de ter registrado deflação de 0,21 por cento em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira.
Economistas ouvidos pela Reuters previam, em média, uma alta de 0,16 por cento para o índice no mês passado.
"Veio levemente acima do esperado, mas nada que assuste", disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.
"O comportamento da inflação continua muito tranquilo... (com a) inflação voltando para patamares mais normais, porque a deflação de julho não era sustentável."
A previsão de muitos analistas é de que nos próximos meses a inflação se estabilize entre 0,20 e 0,30 por cento.
Os núcleos do IPCA também aceleraram em julho, mas dentro do esperado.
O núcleo por exclusão passou de queda de 0,16 por cento em junho para alta de 0,14 por cento em julho, de acordo com o cálculo de analistas. O por médias aparadas com suavização passou de 0,30 por cento para 0,29 por cento e o sem suavização foi de 0,07 por cento em junho para 0,20 por cento em julho.
Apesar da alta dos indicadores, a variação acumulada pelo IPCA nos sete primeiros meses de 2006 --de 1,73 por cento-- ainda está abaixo do centro da meta fixada pelo governo para o ano, de 4,5 por cento.
Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 3,97 por cento, ficando abaixo de 4 por cento pela primeira vez desde junho de 1999.
TARIFAS ALIVIAM
A variação dos preços do grupo Transporte passou de uma queda de 0,93 por cento, apurada em junho, para uma alta de 0,37 por cento em julho.
Dentro do grupo, destaque para os preços da gasolina, que subiram 0,81 por cento, e do álcool, com alta de 1,04 por cento. Além disso, houve reajuste nas tarifas de ônibus interestaduais e intermunicipais, que avançaram 6,64 por cento no índice.
Os preços de Alimentos elevaram-se em 0,09 por cento no mês passado, depois de caírem 0,61 por cento no anterior. Os destaques foram as frutas (+8,14 por cento) e arroz (+4,33 por cento).
"Você tem algumas pressões de alimentos e combustíveis, que são preços que vêm e voltam (são voláteis)", afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Uptrend Consultoria.
Por outro lado, algumas tarifas registraram queda e ajudaram a conter a alta do IPCA.
Os preços de energia elétrica recuaram 0,73 por cento, refletindo a redução na conta de algumas das regiões pesquisadas. Os custos de telefonia fixa declinaram 0,27 por cento, devido a uma redução anunciada para o país em julho.
A divulgação desta sexta-feira trouxe uma atualização do IPCA, feita com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2002-2003. Até então, era utilizada a POF de 1995-1996.
As principais mudanças vieram nos pesos dos produtos. Entre as inclusões destacam-se gás veicular e acesso à Internet, que anteriormente não eram pesquisados.
O IBGE informou ainda que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou inflação de 0,11 por cento em julho, após deflação de 0,07 por cento no mês anterior.
O IPCA mede a variação dos preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e Goiânia.
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