ECONOMIA
América Latina terá índice de bancarização

Por Agencia Estado
A Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban) vai criar um índice para comparar o grau de bancarização (acesso da população aos serviços bancários) dos países do continente. Até o fim do ano, o índice deve estar pronto inicialmente para cinco países, entre os quais, já está escolhido "o Brasil, pela sua importância", informou hoje o presidente da Felaban, Fernando Pozo, em entrevista coletiva promovida pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Os outros países, que ainda dependem de confirmação, devem ser Equador, Peru, Colômbia e Venezuela.
De acordo com Pozo, um dos principais objetivos da entidade é ampliar o acesso da população aos serviços bancários, de forma a aumentar o negócio bancário. O trabalho está sendo conduzido pela pesquisadora especializada em Finanças Liliana Rojas, do Center for Global Development, um centro de pesquisas sediado em Washington. O projeto dá continuidade a outras pesquisas já realizadas por ela sobre a bancarização na América Latina feitas também a pedido da Fenaban.
O índice deve ter uma parte quantitativa, baseada em indicadores como contas de poupança, caixas eletrônicos e agências em relação à população. Uma outra parte do trabalho será referente à sustentabilidade do acesso aos sistema financeiro, medidas regulatórias e ambiente institucional.
Os trabalhos anteriores da pesquisadora feitos para a Felaban com dados das associações bancárias de cada país da América Latina indicam que nenhum país da região tem alta bancarização e só há dados para todos os países referentes a contas de poupança, sendo muito pequenos os volumes de crédito imobiliário e microcrédito, por exemplo. O Chile é o país que mostra maior acesso da população a produtos financeiros e é o único em que mais de 50% dos seus habitantes adultos tem conta de poupança. No Brasil, esse índice é de 43%, na faixa de "média e baixa bancarização".
Brasil
Ou seja, o potencial para aumento de clientes e negócios no Brasil e na América Latina é enorme. Contudo, os estudos mostram obstáculos também dos quais os maiores são os sociais. São considerados obstáculos sociais, por exemplo, a informalidade e dificuldades de micro e pequenas empresas, como pouca entrada de recursos, falta de diversificação, pouca cultura financeira e falta de transparência nos dados da empresa.
"No Brasil, os problemas sociais são incrivelmente importantes, mais do que em outros países da região". Por outro lado, os bancos também não estão bem preparados para emprestar a pequenas e médias empresa na região e enfrentam dificuldades de treinar funcionários para isso.
O Brasil têm relativamente poucos problemas institucionais em relação a outros da região. Nesse aspecto, está bem próximo de Chile e México. Há países na América Central onde nem existe lei de falências, por exemplo. A queixa principal na região em relação à questões institucionais está na ineficiência burocrática, muito mais que na corrupção, segundo Liliana. O País se destaca pela tecnologia, sendo o que mais usa internet nos serviços bancários.
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