ECONOMIA
BC eleva juro a 11,75% e tenta evitar aperto maior à frente

Por Reuters
O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu nesta quarta-feira ao elevar a taxa básica de juro em 0,50 ponto percentual, para 11,75 por cento ao ano, no primeiro aumento da Selic desde maio de 2005.
Os diretores do Banco Central afirmaram que a elevação, mais forte que a esperada pela maioria dos economistas, foi um esforço para restringir o tamanho do aperto monetário total.
"O Comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como consequência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado", apontou o Copom em comunicado. A decisão foi unânime.
Pesquisa da Reuters junto a 34 instituições financeiras na última semana mostrou que 32 já apostavam em alta do juro, mas a grande maioria contava com elevação de 0,25 ponto percentual.
A decisão "é um sinal de que (o aperto) não vai tão longe. É uma ação mais preventiva, mais firme, que pode permitir que com um ajuste curto se reduza o risco inflacionário", afirmou o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto.
Ricardo Amorim, diretor para mercados emergentes do WestLB, em Nova York, avaliou que o BC não deveria ter aumentado a Selic.
"A inflação está sendo causada por choque de oferta e não por pressão de demanda... Além disso, a expectativa de inflação está próxima da meta", comentou o economista, acrescentando que uma consequência importante da decisão é a apreciação do real --já que o diferencial entre o juro doméstico e o externo ficará ainda maior, atraindo recursos ao Brasil.
QUEIXAS DO SETOR PRODUTIVO
Nas atas das últimas reuniões, o BC vinha alertando para um descasamento entre oferta e demanda na economia. Em março, os diretores admitiram já ter cogitado um ajuste no juro.
No final do mês passado, o Relatório de Inflação do primeiro trimestre mostrou que as projeções do BC apontavam inflação acima da meta central de 4,5 por cento em 2008.
Poucos dias depois, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que a inflação ao consumidor (IPCA) subiu 0,48 por cento no mês passado, bem acima das expectativas do mercado. A notícia selou as apostas no aumento da Selic este mês.
O setor produtivo reagiu com indignação ao aumento de 0,50 ponto percentual da Selic. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou estar "perplexa" com a decisão e voltou a defender a importância do governo reduzir seus gastos.
Para a Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro, a elevação foi "inadequada". "O Brasil não precisa de uma terapia preventiva, ainda mais de uma dose do remédio errado", apontou a entidade em nota.
A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 3 e 4 de junho
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