ECONOMIA
BC eleva média diária de compra de dólares no mercado

Por Agencia Estado
A atuação do Banco Central (BC) no mercado de câmbio nos últimos dois dias sugere que as pressões para que não permita a valorização ainda maior do real estão funcionando. Segundo estimativas de operadores, o BC comprou cerca de US$ 500 milhões na quarta-feira e pouco mais de US$ 600 milhões ontem. Sendo assim, o BC terá comprado, em dois dias, um volume que supera a média diária normal. Em janeiro, por exemplo, adquiriu US$ 5,1 bilhões em 22 dias úteis - US$ 231 milhões na média diária.
O resultado dessa possível nova estratégia do BC já foi sentido nas cotações. Na quarta-feira, a moeda subiu 0,38% e se aproximou de R$ 2,10 (fechou cotada por R$ 2,094). Ontem, encerrou o dia praticamente estável, valendo R$ 2,093.
Na semana passada, quando essa nova enxurrada de dólares aparentemente começou, o BC já havia elevado a média diária de compras, mas para um nível inferior ao de ontem e quarta-feira - ficou na faixa de US$ 300 milhões a US$ 400 milhões ao dia, considerando a evolução das reservas internacionais.
Para o ex-diretor de Política Econômica do BC e atual diretor-executivo do Itaú, Sérgio Werlang, o dólar poderá voltar à relativa estabilidade caso o BC continue a atuar agressivamente no mercado à vista. ?Há chance de o dólar cair abaixo de R$ 2,00 se o BC resolver não intervir. Mas minha impressão é de que essa onda inicial deve ter diminuído?, observou.
Werlang também defende a liberação do câmbio. ?O mecanismo principal seria a aprovação da lei que liberasse completamente o mercado?, disse, em referência ao projeto de lei que tramita no Congresso. A alternativa atual para o BC, segundo ele, é cortar juros e continuar comprando dólares.
Para o economista-chefe para o Brasil do banco ING, Pedro Jobim, o real pode ganhar mais terreno, chegando aos R$ 2,05 verificados em maio de 2006. Segundo ele, dois fatores justificam essa possibilidade. O primeiro é a melhora contínua em termos de comércio (preço relativo entre exportações e importações). ?É um fator importante para a força do real?, disse Jobim, em nota para clientes.
O outro ponto destacado por ele é a decisão do BC de reduzir o ritmo de cortes da taxa Selic (taxa básica de juros). ?Um movimento para cortes de 0,25 ponto porcentual essencialmente significa uma média de taxa de juros de 12% ao ano para 2007. Isso ocorreu num momento em que os motores das operações de carregamento globais foram reforçados pela combinação benigna de inflação e dados de produção nos EUA.?
A eventual saída do presidente do BC, Henrique Meirelles, como defendem petistas de dentro e de fora do governo, teria efeito muito reduzido sobre as atuais cotações do dólar. A opinião é do atual economista-chefe do Banco ABN Amro Real para a América Latina, Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC.
?A saída de Meirelles talvez mexesse um pouco no risco-país, mas não contribuiria em nada para diminuir o preço internacional do alumínio, do aço, do ferro, da soja, da carne e de outras commodities?, afirmou. ?Se o governo quer depreciar a taxa de câmbio, basta cortar os gastos públicos agressivamente.? (Colaboraram Célia Froufe, Claudia Violante, Francisco Carlos de Assis, João Caminoto, Luciana Xavier e Marcelo Rehder)
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