ECONOMIA
BC se exime de responsabilidade
Jamil Chade
Agência Estado
Basiléia - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se exime de qualquer responsabilidade pelos lucros recordes dos bancos em 2005 e diz que as altas taxas de juros no Brasil não são necessariamente a causa desse resultado. Na semana passada, o próprio BC divulgou estudo mostrando que os bancos lucraram 36% mais ante 2004, superando R$ 28 bilhões. Meirelles aponta ainda que o período de exuberância do mercado internacional para papéis dos países emergentes pode estar acabando, o que justifica a política prudente que o Brasil tem adotado.
Os resultados recordes dos bancos geraram na semana passada comentários até de dom Odilio Sherer, secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de que o presidente Lula transformou o País em paraíso financeiro. Meirelles, ainda que se recuse a responder aos comentários do bispo, argumenta que todos os setores cresceram no Brasil em 2005. Não me cabe julgar ideologicamente os setores empresariais, diz. Meirelles está na Basiléia, Suíça, para reuniões no Banco de Compensações Internacionais (BIS).
Compete aos bancos falar sobre isso. O BC é apenas um regulador e implementador de política monetária, afirma Meirelles. Ele descarta que a taxa de juros, uma das mais altas do mundo, seja necessariamente o que determina o lucro dos bancos. No BC, a tese mais aceita é a de que os spreads (diferença de custos de captação dos bancos e quanto é cobrado para emprestar o dinheiro) e o volume de recursos é que teriam garantido os lucros recordes.
É normal em uma economia que cresce que as empresas aumentem sua lucratividade. O importante é que os resultados das empresas em geral estão muito bons, diz. Meirelles lembra que as companhias cotadas em bolsa também têm apresentado resultados recordes. Mostra o crescimento sustentável da economia. Ele só não explica porque o Brasil foi uma das economias que menos cresceu em 2005 entre os emergentes e teve resultado superior apenas ao do Haiti entre os países das Américas. Os juros na ponta da linha estão caindo e a competição entre bancos aumentou, acrescenta Meirelles.
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