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BoE prevê crescimento menor do Reino Unido e inflação baixa por mais tempo

Publicado quinta-feira, 14 de janeiro de 2016 às 10:25 h | Atualizado em 19/11/2021, 07:18 | Autor: Estadão Conteúdo
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O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) avaliou hoje que, nos próximos meses, o crescimento do Reino Unido provavelmente será mais fraco do que se previa e que a inflação deverá continuar baixa por mais tempo, diante da continuidade da queda nos preços do petróleo e do fraco avanço dos salários. Em novembro, a inflação anual do Reino Unido foi de apenas 0,1%, bem abaixo da meta do BoE, que é de taxa de 2%.

"A perspectiva de curto prazo para a atividade agregada é um pouco mais fraca do que na projeção central do comitê de política monetária em novembro", afirmou o BoE em ata de sua reunião de política monetária, referindo-se às previsões econômicas mais recentes.

O BoE agora estima que o Produto Interno Bruto (PIB) britânico terá expansão de 0,5% no quarto trimestre de 2015 e no primeiro trimestre deste ano. Sobre o petróleo, o BoE afirma que os preços da commodity são contidos pela oferta robusta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e pela produção sustentada dos EUA.

Diante do cenário econômico desfavorável, o BC inglês decidiu, mais cedo, manter sua taxa básica de juros na mínima histórica de 0,5% e o programa de compra de ativos em 375 bilhões de libras (US$ 540 bilhões).

Recentemente, o ministro britânico de Finanças, George Osborne, fez uma avaliação desanimadora que contrastou com o tom mais positivo que havia adotado em 2015, ao alertar que a economia do Reino Unido enfrenta "um perigoso coquetel de novas ameaças" este ano, incluindo a turbulência vista nos mercados financeiros da China e conflitos políticos no Oriente Médio.

Outro risco no horizonte, segundo os economistas, é um referendo a ser realizado sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. A data da votação ainda não foi definida, mas o primeiro-ministro David Cameron sugeriu que o referendo poderá ocorrer em junho. Analistas dizem que as incertezas em torno do resultado da votação podem comprometer os investimentos e pressionar a confiança das famílias e empresas, afetando o crescimento de forma mais ampla.

Numa sinalização de como os mercados já estão reagindo antes do referendo, as autoridades do BoE notaram que, para os operadores, a expectativa antes da votação está contribuindo para a queda da libra britânica, de acordo com a ata de hoje. Na visão de Ian McCafferty, o único membro do comitê do BoE que vem há vários meses defendendo a elevação da taxa básica, para 0,75%, a libra enfraquecida favorece o aperto monetário.

A piora da perspectiva econômica tem levado os investidores a reavaliar quando o BoE poderá seguir o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e começar a elevar juros, após quase uma década de política monetária ultra-acomodatícia. No mês passado, o Fed anunciou seu primeiro aumento de juros desde 2006. Também na ata, o BoE avalia que a alta de juros do Fed foi positiva para as ações nos EUA, mas pouco afetou outros mercados.

A previsão dos investidores agora é que o BoE não elevará juros antes de meados de 2017, segundo derivativos que acompanham a taxa principal do BC inglês. Há seis meses, a expectativa era de que o primeiro aumento viria no começo deste ano. Fonte: Dow Jones Newswires.

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