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26/02/2024 às 6:59 - há XX semanas | Autor: Mariana Bamberg

Camarão e peixe vão pesar mais no bolso nesta Semana Santa

Os produtos podem chegar a ficar, respectivamente, 10% e 20% mais caros este ano

Na Feira de São Joaquim, o movimento ainda é discreto
Na Feira de São Joaquim, o movimento ainda é discreto -

Passado o Carnaval, os consumidores e comerciantes miram logo na Semana Santa, que neste ano vai cair entre 24 e 30 de março. Pode até parecer que está longe, mas para os soteropolitanos que querem manter a tradição do caruru, vatapá e peixe na mesa, sem doer no bolso, já é hora de pesquisar e se planejar. Na Feira de São Joaquim, feirantes esperam aumento em itens tradicionais deste período, como castanha, leite de coco e azeite de dendê. Mas os vilões mesmo devem ser o camarão e o peixe, que, segundo comerciantes, podem chegar a ficar respectivamente 10% e 20% mais caros até a Semana Santa.

Na Feira de São Joaquim, o movimento ainda é discreto. A expectativa é que o fluxo comece a aumentar já na segunda semana de março. Apesar disso, os comerciantes já confirmam que deve haver aumento nos preços até lá. A consultora de negócios Carine Oliveira explica que há décadas já é tradição esse reajuste no valor desses itens para que fornecedores aproveitem a demanda. Porém, o que mais influencia, segundo ela, é a inflação sobre esses produtos. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em janeiro, na Região Metropolitana de Salvador, a alta dos alimentos ficou em 1,38%, a maior desde abril de 2022 (22%).

“Isso impacta diretamente no lucro do comerciante. Com o aumento dos combustíveis, por exemplo, aumenta o valor do frete dos itens, e esse valor terá que ser repassado para os produtos, afetando não só o consumidor como também os comerciantes”, afirma.

O feirante Elismar Reis, por exemplo, já espera que os preços dos produtos mudem nos próximos dias. “Quando virar o mês março, já vai começar a aumentar os preços. O fornecedor aumenta e a gente tem que repassar”, conta. O litro do azeite de dendê na barra dele está em média R$ 10, até a Semana Santa deve chegar a R$ 12, segundo estimativa do comerciante. Já o coco ralado deve passar de R$ 2,50 para R$ 3 por unidade e o leite de coco, de R$ 6 para R$ 7.

Movimento de clientes

Para os outros itens, o comerciante garante que os reajustes também devem ficar entre R$ 1 e R$ 2, semelhante à Semana Santa do ano passado, o movimento de clientes é o que deve ser diferente. “O fluxo ainda está fraco. Acredito que, por conta de todos esses dias de festa, desta vez não vai ser tão forte como no ano passado. Mas ainda vai ser um dos melhores períodos do ano. Sexta-feira Santa é o dia em que todo mundo na feira vende bem e o cliente não reclama, porque um litro de azeite deste é R$ 18 ou R$ 20 no supermercado”, conta.

Elismar vai aproveitar o período para vender também camarão seco. Agora, na feira, é possível encontrar o quilo do marisco entre R$ 24 e R$ 45, dependendo do tamanho. Segundo o feirante, próximo à Semana Santa, o item deve ficar em torno de 10% mais caro, chegando a R$ 55. Mas ele garante que o cliente que pechincha e compra mais de um item da barraca leva um desconto.

É por conta dessa possibilidade do desconto que a aposentada Maria Lúcia Conceição só busca seus itens da Semana Santa na Feira de São Joaquim. Apesar de dizer que deve fazer suas compras nos dias que antecedem a celebração, a aposentada já tem a lista de itens: amendoim, castanha, camarão e cebola, além do peixe e do quiabo, que para ela são os protagonistas da mesa e o que deve surpreender mais no preço.

“O que vai pesar mais é o quiabo e o peixe, são os mais caros mesmo. Mas sem eles não tem como, são os chefes da mesa. E, mesmo que fique mais caro, prefiro tudo fresquinho, não gosto de comprar com muita antecedência. Volto uma semana antes para comprar”, conta.

Por enquanto, para comprar o ingrediente principal da quiabada, ela terá de desembolsar em média R$ 5 por 500 unidades. Já para corvina, seu pescado favorito, custará R$ 20 por quilo, preço que a aposentada encontrou no ano passado, já durante a Semana Santa.

Gerente de uma barraca de peixes na Feira de São Joaquim, Irone Rego já garante que o preço atual não será o mesmo da Semana Santa. Isso porque, segundo ela, os fornecedores devem fazer um aumento, que será repassado para o consumidor. A corvina, por exemplo, deve chegar a R$ 25, estima ela. Já o vermelho, que por enquanto varia entre R$ 35 e R$ 45, pode chegar até a R$ 55. A pescada-amarela, cobiçada para a Semana Santa, passará provavelmente de R$ 40 para R$ 50.

“Hoje, a gente tem opções de R$ 18, é o caso de guaricema, até R$ 50, o robalo. Mas esses preços não devem ser os mesmos até a Semana Santa. E nessa época do ano, é um período complicado de ficar negociando, barganhando. Meados de março já devem mudar tanto o preço quanto o fluxo de pessoas, e a agonia é tão grande que não dá para ficar barganhando, negociando valor”, afirma a gerente.

Para quem quer economizar sem deixar a tradição da mesa da Semana Santa de lado, a nutricionista Carolina Dias orienta já começar a se planejar com um mês de antecedência. No caso de Maria Lúcia, que prioriza o alimento fresco, a dica da nutricionista é fazer estoque daqueles que são perecíveis, como o azeite extra virgem e o próprio dendê.

Na hora do preparo, também existem técnicas para economizar. A nutricionista indica a técnica do reaproveitamento, que nada mais é do que aproveitar cascas, talos e sobras de alimentos para fazer caldos, sopas ou outras preparações.

“Outra dica é trocar, por exemplo, o bacalhau por um peixe local. E ir a feiras, que a gente consegue comprar mais barato do que em um supermercado. É o planejamento, ir em locais próximos e fazer trocas inteligentes. Ao adotarmos essas práticas, tanto na hora da compra quanto no preparo dos pratos, podemos economizar e sem comprometer a qualidade e o sabor das refeições”, orienta a nutricionista.

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