ECONOMIA
Com novo recorde, geração eólica no Nordeste atenderia demanda de toda a região

Por Rodrigo Aguiar

Com recordes sucessivos na geração eólica nos últimos dias, o Nordeste alcançou na última segunda-feira, 12, a marca média de 10.873 MW, o equivalente a 98,8% da demanda da região. Já a geração eólica instantânea registrou na segunda, às 21h38, o segundo pico do dia, alcançando 12.717 MW, montante que representa 105,1% da demanda do Nordeste. A marca foi superior à registrada às 9h28, quando foram produzidos 11.715 MW, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Antes disso, a melhor marca registrada havia sido na última sexta-feira, 9, quando os ventos conseguiram gerar 11.464MW, correspondente ao fornecimento de 100,8% do Nordeste.
Segundo especialistas, os números expressivos são o resultado da combinação de dois fatores: a época de fortes ventos na região e o aumento da estrutura instalada para a geração de energia eólica.
"Isso tem acontecido cada vez mais. Como estamos no período de muito vento, isso tende a crescer. Todo ano estão entrando novos equipamentos, dos leilões dos anos anteriores", afirma o engenheiro eletricista Luiz Carlos Lima, sócio-fundador e CEO da Voltxs Energia.
"Esse período do inverno é quando tem o aumento da geração eólica do Nordeste. São os meses de pico de produção. É um dado muito relevante porque é a primeira vez na história que se consegue atender toda a região, ainda que por um momento", aponta o engenheiro eletricista Rafael Valverde, CEO da Eolus Consultoria, sobre os dados divulgados pelo ONS.
Ainda de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o recorde de geração média aconteceu no último dia 2 de julho, quando foram produzidos 9.707 MWmed, montante suficiente para atender a 91,9% da demanda da região no dia.
"Isso mostra como a geração eólica tem contribuído para diversificar a matriz energética. Nesse momento de grande seca, são notícias alvissareiras", acrescenta Valverde, em referência à grave crise hídrica e consequente baixa no nível dos reservatórios, que levou o governo a acionar as termelétricas, o que tem um custo extra para os consumidores de energia elétrica.
Para Lima, apesar dos recordes, o desempenho nacional na geração da energia eólica ainda fica aquém do potencial brasileiro. "Os leilões acontecem ano a ano, fazendo aumentar a capacidade instalada. O que não tem tido uma atenção especial é a redução da nossa dependência do ciclo de chuvas. Estamos vivendo uma situação muito inconveniente, com risco de não ter energia nessa retomada econômica, porque as termelétricas não são suficientes para atender", aponta.
Segundo dados do ONS, a energia eólica atualmente representa 10,7% da matriz elétrica nacional e a expectativa é que chegue aos 13,2% até o final de 2025. O cenário previsto para os próximos anos também apresenta desafios, analisa Valverde. "A gente está falando de um crescimento de 30% na fonte eólica nos próximos quatro anos. Quase 90% disso é na região Nordeste. A gente tem que pensar também na capacidade de transmissão, em um sistema que seja capaz de escoar essa energia para os grandes centros consumidores", afirma.
Solar - Além dos recordes consecutivos na geração eólica, o Nordeste também se destaca na produção de energia solar. Em 28 de junho, foram registrados na ocasião os recordes de geração eólica e solar, conforme o ONS. Os ventos foram responsáveis por uma geração instantânea (pico) de 10.856 MW, montante suficiente para atender a 96,1% da demanda do subsistema do Nordeste naquele momento.
Já a energia solar gerada foi de 681 MW médios, representando 6,4% da demanda do Nordeste. O número indicou um crescimento de 2,1% em comparação ao último recorde de energia solar, registrado no dia 24 de maio, quando foram produzidos 667 MW médios na mesma região. Ainda em 28 de junho, essa fonte energética também bateu recorde na geração instantânea, atingindo 1.873 MW, o equivalente a 17,7% da demanda na região.
A energia solar representa 2% da matriz nacional, com expectativa de atingir 2,5% até o fim do ano.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico é responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN) e pelo planejamento da operação dos sistemas isolados do país, sob a fiscalização e regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O ONS é composto por membros associados e membros participantes, que são as empresas de geração, transmissão, distribuição, consumidores livres, importadores e exportadores de energia. Também participam o Ministério de Minas e Energia (MME) e representantes dos Conselhos de Consumidores.
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