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Crédito e financiamento mais baratos: como queda da Selic chega ao bolso do brasileiro
Portal A TARDE conversou com especialistas para entender os efeitos da decisão do Copom


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira, 5, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14,25% para 14% ao ano. Esta foi a quarta redução consecutiva da taxa básica de juros da economia brasileira, aprovada por unanimidade pelos integrantes do colegiado. Mas, na prática, o que essa mudança representa para o dinheiro dos brasileiros?
Para explicar os impactos, o portal A TARDE conversou com especialistas, que explicaram que a redução dos juros pode influenciar desde financiamentos e empréstimos até investimentos e consumo.
Segundo o economista Antônio Carvalho, a Selic funciona como uma referência para toda a economia e é definida pelo Copom a partir da avaliação do cenário inflacionário.
“A taxa Selic é a taxa básica da economia brasileira. Ela é definida pela percepção de risco de inflação. Se existe, na percepção do Banco Central, um risco de inflação, a taxa é mantida mais alta”, explicou.
Crédito pode ficar mais barato
De acordo com o especialista, quando a taxa de juros está elevada, o objetivo é reduzir o consumo e controlar a inflação, já que o crédito fica mais caro e desestimula compras e financiamentos.
“Se você for pegar crédito, for utilizar crédito, inclusive financiamento, ele fica mais caro. Então, você vai inibir a circulação de moeda. As pessoas vão usar menos crédito, vão comprar menos, e isso obriga os fornecedores de bens e serviços a desacelerarem os preços”, afirmou.
Com a redução da Selic, ocorre o movimento contrário: a tendência é que o custo do dinheiro diminua gradualmente, favorecendo consumidores e empresas.
“Quem vai fazer financiamento ou vai tomar empréstimo para investir em um negócio, adquirir estoque ou comprar um bem e serviço, vai conseguir estabelecer esse empréstimo ou financiamento com uma taxa menor”, disse Carvalho.
Apesar disso, o economista destaca que o efeito não aparece imediatamente. Segundo ele, é necessário que o ciclo de redução continue para que as instituições financeiras repassem a queda aos consumidores.
“Há uma tendência, se mantida a redução nas próximas reuniões, de queda das taxas de juros cobradas sobre o crédito”, explicou.
Financiamentos e empréstimos
A Selic influencia diretamente as taxas praticadas pelos bancos e financeiras. Por isso, uma redução pode beneficiar pessoas que pretendem contratar crédito, como financiamento imobiliário, veículos ou empréstimos para abrir e ampliar negócios.
O economista André Luis Barrosa explica que a taxa básica funciona como uma referência para as demais taxas do mercado.
“A taxa Selic serve de referência para todas as outras taxas do país, desde o crédito no banco até os rendimentos de aplicações financeiras. Quando essa taxa Selic cai, o efeito aparece em cascata. O crédito fica mais barato, porque os bancos se financiam com base nela”, explicou.

Investimentos podem mudar
A redução dos juros também afeta quem investe. Aplicações de renda fixa ligadas à Selic tendem a oferecer rendimentos menores conforme a taxa básica cai.
Barrosa explica que, com uma remuneração menor nos investimentos atrelados ao governo, parte dos investidores pode buscar outras alternativas.
“Quando ele abaixa esse valor, não torna interessante você investir no governo, emprestar dinheiro para o governo. E aí fica muita gente com dinheiro disponível para fazer outros investimentos”, afirmou.

Mais consumo, mas com atenção à inflação
O especialista também explica que a queda dos juros também pode estimular o consumo, já que o acesso ao crédito tende a ficar mais fácil. Com mais dinheiro circulando, a economia pode ganhar ritmo, aumentando produção e geração de empregos.
“Com o dinheiro disponível, ele vai mobilizar mais o consumo. Então, você estimula não só o investimento em outras áreas, mas também o consumo”, disse André.
Por outro lado, o economista alerta que o aumento da demanda precisa ser acompanhado pela oferta de produtos e serviços para evitar pressão sobre os preços.
“Se tem mais pessoas procurando produtos e eu tenho uma quantidade menor, a tendência é que esses produtos aumentem. Isso se chama inflação”, explicou.
Para Antonio Carvalho, a decisão do Copom também sinaliza uma percepção de melhora no cenário inflacionário.
“Se houve uma redução da taxa básica de juros, o Copom percebeu que houve retração dos preços, que houve uma queda na inflação e que não há risco de a inflação voltar a crescer no próximo período”, afirmou.