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Empresas elevam produtividade em até 218% com qualificação da equipe

Formação e treinamento de trabalhadores aumentam os resultados dos negócios

Publicado domingo, 31 de março de 2024 às 07:30 h | Atualizado em 01/04/2024, 09:45 | Autor: Inara Almeida*
Taciana conta que a equipe da Palatos é treinada para atender os clientes
Taciana conta que a equipe da Palatos é treinada para atender os clientes -

Pensar nas habilidades necessárias para assumir a vaga, realizar processo seletivo, analisar candidatos. Estes são alguns passos que antecedem uma contratação, mas engana-se quem pensa que para por aí. Muitas empresas, de forma estratégica, investem em cursos e treinamentos para contribuir com a formação da equipe e, assim, gerar mais resultados.

Não é uma coincidência: a relação entre elevação de conhecimento e melhora na produtividade é um fato consumado por pesquisas. De acordo com dados divulgados pela Association for Talent Development (ATD), as empresas que investem em programas de treinamento personalizados para atender às necessidades de seus empregados obtêm uma melhoria de até 218% na produtividade e nos resultados dos funcionários.

Foi pensando nisso que Alex Sá Gomes, dono da Terra Verde, passou a investir em cursos e reuniões para aprimorar as técnicas e atendimento dos seus jardineiros. Os treinamentos são para todos e até já resultaram na promoção de funcionários.

“O atual supervisor da empresa trabalhou como meu motorista e há dez anos comanda a implantação dos jardins. Participou de vários cursos e viagens técnicas no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. É importante preparar os funcionários para atender bem à clientela, que é exigente por serviços de excelência, e também motiva a querer fazer o melhor e permanecer na empresa”, explica Alex sobre as suas motivações.

Na Palatos Especiarias, loja de produtos naturais, essências e decorações, todos os funcionários recebem treinamento para melhor atender os clientes. Segundo Taciana Lisboa, sócia-proprietária do negócio, uma empresa de marketing é contratada e, durante um dia inteiro, os funcionários têm treinamento de vendas e atendimentos, com tópicos como: comportamento, o que oferecer, formas de pagamento e promoções.

“Quando investimos no processo de capacitação dos funcionários, a gente percebe que isso se reverte em vendas. O linguajar, a forma de receber o cliente, se comunicar, mostrar conhecimento sobre os produtos não só transforma essa troca em venda como deixa o cliente confortável para voltar à loja”, pontua Taciana.

Negócios em que os funcionários lidam diariamente com o ‘entra e sai’ de clientes - o varejo - são uns dos que mais buscam esse tipo de consultoria, afirma João Paulo Lima, gestor de projetos do Sebrae. O segmento de alimentação também costuma investir em cursos para funcionários, desde garçons e atendentes aos trabalhadores que cozinham.

Da mesma forma, a Construção Civil, Turismo e Indústria costumam buscar treinamentos para os empregados. “Basicamente, negócios que trabalham com atendimento ao cliente e vendas, turismo, alimentação foram do lar e alguns segmentos de indústria - neste caso, é uma consultoria mais técnica”, destaca Lima.

Universidade

Universidade Corporativa é o nome dado para ferramentas ou plataformas de qualificação de profissionais dentro de empresas. Na Diamantes Lingerie, marca de moda íntima, o conceito está sendo implementado de forma gradual, atingindo uma equipe de 750 colaboradores distribuídos em 10 estados e no Distrito Federal.

Segundo contou a coordenadora de Recursos Humanos da empresa, Nadia Ribeiro, de março a junho, uma programação com cursos sobre temas fundamentais, como comunicação e gestão de conflitos, além de conteúdos específicos para o setor de lingerie chegará até funcionários em todos os níveis hierárquicos.

”A implementação de uma Universidade Corporativa pode trazer uma série de benefícios significativos para a empresa, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento e capacitação dos funcionários. Por exemplo, investir no conhecimento dos funcionários pode levar a um aumento da produtividade. Quando os funcionários têm acesso a treinamentos relevantes e atualizados, eles estão mais bem preparados para realizar suas tarefas de maneira eficiente e eficaz, o que pode resultar em um melhor desempenho individual e coletivo”, evidencia Nadia.

Além da Universidade Corporativa, existem outras formas de investir na capacitação de funcionários. Danhil Medeiros, consultor de Gestão Empresarial da Arcos Consultoria, chama atenção para os incentivos a programas de graduação e pós-graduação, treinamentos internos e eventos internos e externos, como cursos, workshops e seminários.

O especialista também destaca outros dois métodos: o ‘job rotation’ - treinamento que promove a rotatividade de funcionários entre diferentes setores e departamentos, similar ao trainee - e o e-learning, plataformas online de estudos.

Independente da escolha do empreendedor, Danhil ressalta que o investimento na capacitação de empregados não gera apenas benefícios individuais, mas contribui para o crescimento e sucesso da empresa como um todo.

“Ao investir na capacitação dos funcionários, os empresários estão, não apenas desenvolvendo o potencial de sua equipe, mas também visando a obtenção de vantagens competitivas, promoção de crescimento sustentável e fortalecimento de uma cultura organizacional consistente”, pontua Medeiros.

Ao investir em educação na empresa, o consultor de gestão empresarial afirma ainda que os empreendedores conseguem se preparar melhor para desafios futuros e elevar a reputação no mercado. “Empresas que investem na capacitação de seus funcionários geralmente são muito bem vistas no mercado e desejadas para se trabalhar”.

Para tornar o processo de aprendizagem mais completo, João Paulo Lima indica que os próprios empresários também realizem cursos para tornar a liderança mais eficiente. “Não basta treinar funcionários se os donos não estão envolvidos nisso. Às vezes, o problema é na gestão. Os donos precisam acreditar que as consultorias trarão benefícios”, diz João Paulo.

*Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló

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