ECONOMIA
EUA compra mina de terras raras no Brasil por bilhões; veja mudanças
Aquisição de US$ 2,8 bilhões coloca estado no centro de mercado estratégico

A venda da mineradora Serra Verde para a empresa americana USA Rare Earth, por US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões), reposiciona o estado de Goiás no mapa global das chamadas terras raras — minerais considerados estratégicos para a indústria moderna.
O acordo vai além da compra: inclui um contrato de fornecimento de 15 anos e a integração das operações para atuar em toda a cadeia produtiva, da extração à fabricação de ímãs permanentes.
Por que essa mina é estratégica
Localizada em Minaçu, a Serra Verde é hoje a única operação fora da Ásia capaz de produzir, em escala comercial, quatro elementos magnéticos essenciais: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Esses materiais são fundamentais para produtos como celulares, turbinas eólicas, veículos elétricos e equipamentos eletrônicos — itens cada vez mais centrais na economia global.

O que muda na prática
Do valor total da negociação, US$ 300 milhões serão pagos em dinheiro, enquanto o restante será convertido em ações. Outro ponto-chave é a definição de preços mínimos para os minerais, o que garante previsibilidade de receita e reduz riscos para o negócio.
Apesar do porte da operação, a empresa afirma que não haverá mudanças imediatas no funcionamento da mina no Brasil. Segundo o presidente da Serra Verde, Ricardo Grossi, a estrutura local será mantida.
“A mina e a planta em Minaçu seguem operando normalmente [...] a gestão local segue inalterada”, explicou em entrevista ao G1.
Debate jurídico e questionamentos
O acordo também abriu um impasse. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o subsolo brasileiro pertence à União e que acordos desse tipo precisam respeitar a legislação federal.
Ele apontou que o memorando firmado entre Goiás e os Estados Unidos apresenta possível inconstitucionalidade.
Além disso, parlamentares do PSOL acionaram a Procuradoria-Geral da União para questionar a legalidade da operação.
Pode gerar empregos?
Atualmente, a mineradora emprega cerca de 400 pessoas em Minaçu, sendo a maioria da própria região. A expectativa é de crescimento, mas de forma gradual.
A empresa projeta expansão da produção para 6,4 mil toneladas por ano até 2027, o que pode impulsionar novos postos de trabalho e movimentar a economia local.
Autoridades locais avaliam o acordo como positivo, destacando potencial de aumento de renda e valorização do mineral no mercado.

Impacto econômico e riscos
Especialistas apontam que o negócio coloca Goiás no centro de uma cadeia produtiva estratégica, com potencial de aumentar arrecadação e circulação de renda.
Por outro lado, alertam para riscos como dependência de uma única commodity e necessidade de políticas públicas para garantir que os benefícios fiquem na região.
Também entram no radar questões ambientais e de governança, consideradas essenciais para que o crescimento econômico se traduza em desenvolvimento sustentável.
Interesse global
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, que domina a produção e o refino desses minerais.
Nesse cenário, o avanço de projetos fora do eixo asiático é visto como estratégico — especialmente por países como os Estados Unidos, que buscam diversificar fornecedores.
O que acontece agora
A conclusão do negócio ainda depende de aprovações regulatórias e deve ocorrer até o terceiro trimestre de 2026. A integração das operações será feita de forma gradual.
Os efeitos mais concretos, como geração de empregos e aumento de investimentos, devem aparecer ao longo dos próximos anos, acompanhando a expansão da produção.
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