ECONOMIA
Exportações: pé de galinha virou 'negócio da China' para o Brasil
Principal destino do miúdo brasileiro, país asiático usa produto como petisco que é vendido até em máquinas automáticas de snacks

O pé de galinha, antes considerado resíduo pela indústria frigorífica, passou a ocupar espaço relevante na pauta de exportações do Brasil, impulsionado principalmente pela demanda da China e, em menor escala, de países africanos. A valorização do produto também tem reflexo no mercado interno, com alta de preços nos últimos anos.
No atacado, o quilo do pé de galinha alcançou R$ 5,75 em 2026 no estado de São Paulo, segundo levantamento do analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado. O valor representa uma alta de 41,3% em relação à média registrada em 2020, início da série histórica.
A mudança de patamar ocorreu a partir de 2009, quando a China autorizou a importação de carne de frango brasileira. Desde então, itens antes pouco aproveitados passaram a ser direcionados ao mercado externo.
De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil faturou US$ 221 milhões em 2025 com a exportação de pés de galinha para a China, principal destino do produto. O montante representa um crescimento de 9,5% em relação a 2024.
“A China é o mercado que melhor remunera o pé de galinha, com preços próximos de US$ 3 mil por tonelada”, afirma Ricardo Santin, presidente da ABPA.
A África do Sul aparece como o segundo maior comprador. Apesar de pagar menos — cerca de US$ 2 mil por tonelada — o país mais que quadruplicou as importações em 2025, atingindo US$ 49 milhões, segundo dados do Ministério da Agricultura.
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Mercado interno e indústria pet
Além da exportação, a valorização do produto também está relacionada ao crescimento da indústria pet no Brasil. O pé de galinha é utilizado como matéria-prima na produção de farinhas e ingredientes para ração animal.
“O volume que não é exportado é absorvido, em grande parte, pelo mercado pet”, explica Santin.
Consumo internacional
Na China, o pé de galinha é amplamente consumido como petisco e ingrediente culinário. O produto é vendido pronto, temperado e embalado, sendo comum em lojas de rua, mercados e pontos de venda automatizados.
Além do mercado chinês, o Brasil exporta volumes menores para países asiáticos como Vietnã, Coreia do Sul, Filipinas e Hong Kong.
Na África do Sul, o pé de galinha integra pratos populares da culinária local, como o walkie-talkie, preparado com pés e cabeça do frango, geralmente cozido e servido com acompanhamento à base de milho.
Produto ganha relevância comercial
A consolidação do pé de galinha como item de exportação reflete a estratégia da indústria brasileira de ampliar o aproveitamento de subprodutos e atender nichos específicos do mercado internacional.
Com a combinação de demanda externa, expansão do setor pet e preços mais atrativos, o produto deixou de ser descartado e passou a ter peso crescente na cadeia da proteína animal brasileira.
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