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ECONOMIA

Fabricantes brasileiros destacam em cúpula "ameaça" de calçados chineses

Agência EFE

Por Agência EFE

30/08/2007 - 22:24 h

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Fabricantes das indústrias de calçados brasileira, argentina, paraguaia, uruguaia e mexicana destacaram hoje que as importações de produtos chineses são uma "ameaça" para o setor na América Latina.



No Fórum da Indústria do Calçado da América Latina (Fical), iniciado nesta quinta-feira em Buenos Aires, os empresários reivindicaram "medidas de defesa regionais" frente ao avanço chinês, refletido no registro de que a cada dez pares de sapatos usados no mundo, oito provêm do país asiático.



"A concorrência não é justa, e as ferramentas que temos na Organização Mundial do Comércio (OMC) também não são justas nem eficazes", declarou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso.



O empresário disse que "a situação de trabalho na China é desumana", e que "uma hora de trabalho no Brasil equivale ao pagamento de quatro horas na China".



No entanto, o vice-presidente da União Industrial Paraguaia, Vicente Ramírez Santacruz, apontou a necessidade de "aprofundamento das medidas em nível regional e de trabalho para se conseguir preços de referência similares em toda a região ou pelo menos margens mínimas e máximas em tarifas".



No ano passado, o Paraguai importou 20 milhões de pares de calçados, por US$ 32 milhões - US$ 11 milhões apenas da China.



"Um país com seis milhões de habitantes jamais pode consumir essa quantidade de calçados, contando ainda com o que entra no país por contrabando", advertiu o empresário.



"Os importadores são vulgares contrabandistas disfarçados. Por isso, as reivindicações para que Governos elevem a tarifa para importações são o primeiro passo para que a indústria se mantenha, se desenvolva e progrida", disse Santacruz.



Já o secretário-geral da Câmara de Calçado do Uruguai, Daniel Tournier, destacou a necessidade de não se deixar entrar calçados "com preços inferiores ao da somatória de seus componentes no mercado global".



Tournier comentou que o calçado chinês geralmente custa um quarto do preço dos sapatos fabricados no Brasil e na Argentina.



O titular da Câmara da Indústria do Calçado da Argentina, Alberto Sellaro, afirmou, por sua vez, que em seu país "as importações de 2002 a 2006 cresceram 500%, e que as da China bateram em 3.000%".



Além disso, indicou que "a participação da China nas importações de calçado argentino em 2002 era de 4%, e que em 2006 subiu para 32%".



No fórum empresarial que será encerrado nesta sexta-feira, também falou o ministro argentino da Economia, Miguel Peirano, que prometeu "seguir tomando todas as medidas necessárias para salvaguardar o mercado interno e promover competitividade".



A Argentina anunciou no último dia 17 restrições à entrada de têxteis, pneus, brinquedos, sapatos e produtos de couro, entre outros, para proteger empresas locais de "ameaças" chinesas.



Peirano fez ainda um apelo aos países vizinhos para que "consolidem o potencial da indústria calçadista na região, unidos por um objetivo em comum, com possibilidades de desenvolvimento para todos".

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