ECONOMIA
FGTS pode ser usado para quitar dívidas: veja como vai funcionar
Medida prevê saque de até 20% do FGTS para quem ganha até cinco salários mínimos e tenta aliviar dívidas

O governo federal estuda liberar uma nova alternativa para quem está endividado — e o FGTS pode entrar nessa conta. A proposta, ainda em discussão, prevê que trabalhadores possam sacar parte do saldo para quitar dívidas, dentro de um pacote mais amplo de renegociação.
A medida não será para todos. Em entrevista a Folha, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirma que, a proposta é focada em quem ganha até cinco salários mínimos — hoje, o equivalente a R$ 8.105.
Esse grupo representa a maioria da população. “Quem ganha até cinco salários mínimos representa 92% dos brasileiros”, explicou.
Qual será o valor liberado?
A ideia em discussão é permitir o saque de até 20% do saldo disponível no FGTS. Esse limite, segundo o ministro, foi pensado para evitar impactos maiores no fundo.
“A gente tem trabalhado com um limite de 20% de saque da conta individual”, afirmou.
A expectativa do governo é movimentar cerca de R$ 7 bilhões com a medida.
Como o dinheiro será usado?
O saque não será livre. A proposta é que o valor seja direcionado exclusivamente para o pagamento de dívidas, especialmente aquelas com juros mais altos.
Além disso, o plano prevê que bancos ofereçam descontos no valor total devido. A ideia é tornar a dívida mais “pagável”.
Vai ter desconto nas dívidas?
Sim, e esse é um dos principais pontos do programa. O governo espera que instituições financeiras ofereçam reduções significativas no valor das dívidas.
“Espero que chegue a 90%”, disse o ministro ao dar um exemplo de renegociação que reduziria uma dívida de R$ 10 mil para R$ 1.000.
E os juros, diminuem?
A proposta também inclui a redução das taxas de juros nas dívidas renegociadas. Isso aconteceria com apoio do governo, que entraria como garantidor.
“O governo não vai pagar a dívida das pessoas, mas vai garantir [o crédito]”, explicou.
Na prática, isso pode permitir taxas bem menores do que as atuais, facilitando o pagamento.
O governo vai pagar as dívidas?
Não. O papel do governo será outro: atuar como garantia para que os bancos possam oferecer melhores condições.
Ou seja, o trabalhador continua responsável pela dívida — mas com mais facilidade para quitar.
O que mais está incluído no pacote?
A proposta não se limita às famílias. O pacote também prevê:
- Linhas de crédito para caminhoneiros
- Financiamento para motoristas de aplicativo e taxistas
- Apoio a setores como construção civil e fertilizantes
- Medidas para trabalhadores informais e pequenas empresas
Segundo Dario Durigan, a iniciativa busca resolver problemas reais da economia. “A gente está lidando com os problemas concretos”, disse.
Quando começa a valer?
Ainda não há data definida. As medidas estão em fase de discussão e ajustes dentro do governo.
Quantas pessoas podem ser beneficiadas?
A estimativa é de que mais de 30 milhões de pessoas sejam alcançadas pelo programa, caso ele seja implementado.
Vai ter alguma restrição?
Sim. Entre as possibilidades discutidas está a criação de uma espécie de “quarentena” para quem aderir ao programa, limitando, por exemplo, o uso de apostas.
O prazo ainda não está fechado, mas a equipe econômica trabalha com cerca de seis meses.
Isso afeta o FGTS?
Segundo o governo, não. A promessa é que o saque seja limitado justamente para não comprometer o fundo nem áreas que dependem dele, como habitação e infraestrutura.
“A gente não vai comprometer a sustentabilidade”, garantiu o ministro.
A proposta ainda está em construção, mas já sinaliza uma tentativa de aliviar o endividamento das famílias com uma combinação de saque controlado, descontos e juros menores.
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