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19º CONAFISCO

Fiscais de todo o Brasil debatem justiça social em congresso na Bahia

19ª edição do Conafisco acontece em Costa do Sauípe

Matheus Calmon
Por Matheus Calmon
Evento reúne trabalhadores do fisco de todo país
Evento reúne trabalhadores do fisco de todo país - Foto: Divulgação

Com o tema "Tributação, Justiça Social e Inovação – Por um país menos desigual", a 19ª edição do Congresso Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Conafisco) foi oficialmente aberta na noite deste domingo, 6, em Costa do Sauípe.

A cerimônia de abertura do evento, que reuniu cerca de 800 fiscais dos estados e do Distrito Federal, além de deputados estaduais e federais, como Alice Portugal, Olívia Santana e Afonso Florence, secretários e outras autoridades do setor.

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O evento engloba ainda o 8º Encontro Nacional de Aposentados, Aposentados e Pensionistas do Fisco Estadual e Distrital (Enape) e tem na programação a eleição da nova Diretoria Executiva e Conselho Fiscal da Federação.

Tradicional evento do fisco, o Conafisco tem o objetivo de promover a troca de conhecimento entre trabalhadores do setor em todo o país e compartilhar as novidades. No encontro são debatidos temas como a possibilidade de reforma do sistema tributário e os desafios da fiscalização, sonegação fiscal, a defesa da administração tributária e da justiça social e do país.

Na abertura, o debate sobre o tema foi realizou na mesa redonda que reuniu Guilherme Mello (Professor da Unicamp), Décio Padilha (Presidente do COMSEFAZ e Secretário de Fazenda de PE), Igor Rocha (Economista chefe da FIESP), além do mediador Eduardo Fagnani (coordenador do projeto de Reforma Tributária Solidária).

Primeiro a palestrar, Guilherme pontuou que o tema do evento reflete algo, segundo ele, não visto há algum tempo. "Não era assim há alguns anos. Falávamos de aspecto importante da tributação, que é a complexidade, baixa competitividade, todos temas fundamentais, mas víamos que não era tema central a questão da regressividade".

Ele deixou ainda que o mundo atualmente vive situação preocupante nos quesitos político e econômico, tendo em vista, principalmente, os rumos do conflito na Ucrânia, que desencadeia conflito geopolítico. Situação essa que reflete no cenário brasileiro.

"O mundo envolto em incertezas e inseguranças que obviamente terá impactos na economia brasileira nos próximos anos. Ao mesmo tempo observamos oportunidades a economia brasileira".

Possível integrante da equipe de transição de Lula, ele afirmou que uma das urgências do novo governo precisa ser a recomposição do orçamento dos programas sociais "que são fundamentais as pessoas sobreviverem".

Ele defendeu ainda que a reforma tributária é urgente e é o primeiro passo para iniciar a discussão mais estrutural da carga tributária, que segundo ele, vai atender os anseios dos objetivos para o desenvolvimento sustentável.

"Passou do tempo do Brasil discutir seu arcabouço tributário. Passou do tempo de discutir quem paga a conta, pois é o que vai diferenciar um economista de um tecnocrata. Como sou economista, estou preocupado com quem paga a conta e estou aqui dando meu voto de apoio a reforma tributária justa, solidária e sustentável".

Igor Rocha também citou a urgência da reforma e frisou o ajuste estrutural da economia brasileira. "O Brasil tem determinadas pautas que não podem mais ser postergadas. É importante maximizar e potencializar o que puder ser feito no investimento privado, mas entender a importância do investimento público, que vai culminar na discussão da nova regra fiscal que vai ser implementada em 2023".

Ele frisou ainda que o BNDS precisa atuar mais fortemente para dar crédito a indústria de transformação. "Hoje financia mais o Agro e isso precisa mudar. Não tem como discutir produtividade sem discutir crédito".

Decio Padilha revelou que Lula e Alckmin irão conversar com o setor sobre a nova tributação. "Estamos prontos para debater". Padilha citou ainda que a principal receita dos estados está tendo a base deteriorada.

"O ICMS está tendo impacto que nunca teve em um ano só. Grave esse número: R$ 129 bilhões. É o que estamos perdendo por causa de duas leis. A que criou a média móvel e a que tira, sozinha, R$ 92 bilhões. Educação e saúde tem como base o ICMS".

Ele frisou que pela primeira vez em 30 anos, todos os governadores e secretários de Fazenda, alem da participação de auditores, montaram uma proposta e o novo governo deve usá-lo. "É necessário aproveitar esse acordo histórico, aperfeiçoar sempre, mas nunca deixar parada, que é o que foi feito. A pauta mais importante ficou em terceiro plano".

A programação do 19º Conafisco segue durante a semana com outras palestras e atividades, incluindo o Lançamento do Atlas da Dívida Ativa, a Eleição da Diretoria Executiva e Conselho Fiscal e o 9º Torneio Desportivo.

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