ECONOMIA
FMI alerta para nova onda protecionista

O fracasso das negociações globais de comércio poderá resultar em nova onda de protecionismo, advertiu ontem o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato. "Na questão do comércio, o mundo ou irá adiante para maior crescimento e maiores oportunidades, ou para trás, na direção do nacionalismo estreito", afirmou Rato. "Não devemos ter a ilusão de que haja um meio-termo confortável."
O diretor do FMI apelou aos países mais industrializados, membros do Grupo dos 7, bem como aos maiores emergentes, para que ajam com rapidez, conservem os avanços conseguidos até agora e ponham a Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), de volta nos trilhos.
Concessões
O presidente do Banco Mundial (Bird), Paul Wolfowitz, disse que todos precisam fazer concessões para reativar a Rodada Doha. "Os Estados Unidos precisam aceitar maiores cortes nos subsídios agrícolas que distorcem o comércio", afirmou. "A União Européia precisa reduzir as barreiras de acesso ao mercado."
Também houve um recado para as demais economias: "Países em desenvolvimento como China, Índia e Brasil precisam cortar suas tarifas sobre manufaturados. Países em desenvolvimento precisam também remover barreiras que dificultam o comércio entre países de baixa renda".
Rato, do FMI, lembrou que as projeções apontam para uma economia mundial ainda sólida no próximo ano, mas chamou a atenção para três riscos. O aumento do protecionismo é um deles. O continuado aumento do preço do petróleo também poderá criar pressões inflacionárias, se não houver investimentos no setor e políticas de conservação de energia. Permanece também, segundo ele, o perigo de um ajuste desordenado das contas externas dos Estados Unidos e dos países com grandes superávits.