ECONOMIA
FMI: China deve se mover mais rapidamente para câmbio flexível

O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que a China precisa se mover mais rapidamente em direção a uma taxa cambial e de juro baseados no mercado para obter controle sobre o crédito e investimento na economia. O relatório de revisão anual da economia da China, submetido a diretoria executiva do Fundo em julho, os economistas do banco argumentam que uma situação séria está surgindo, com liquidez substancial e crescente no sistema bancário, contínua pressão do governo local sobre os bancos para expandirem seus empréstimos e a restrição sobre o crescimento do crédito pelos grandes bancos diminuindo quando eles completarem sua recapitalização.
A obrigação do banco central chinês de intervir na taxa cambial para evitar uma apreciação do yuan a uma taxa mais acelerada limita sua habilidade de controlar a liquidez no sistema financeiro, segundo o relatório do FMI. Ao mesmo tempo, a dependência do governo chinês nos controles administrativos e persuasão moral para controlar o empréstimos em indústrias superaquecidas está trabalhando contra o desejo do governo por bancos que tomem decisões de negócios sobre uma base comercial, disse Steve Dunaway, vice-diretor do Departamento Ásia e Pacífico do FMI e chefe da missão para a China.
O governo chinês acelerou o ritmo de valorização do yuan, com um ganho de 0,6% frente ao dólar em setembro e uma alta adicional de 0,4% em outubro. No geral, o yuan acumula um ganho de mais de 2,7% sobre o dólar desde que a China abandonou seu regime cambial atrelado ao dólar em julho de 2005. Contudo, o ritmo de valorização do yuan continua sendo muito gradual, considerando o excesso de liquidez no sistema bancário, rápida acumulação de reservas internacionais e aumento do superávit comercial, disse Dunaway. "Nos últimos meses, temos visto um taxa de valorização mais rápida do yuan do que temos visto no primeiro semestre (do ano), mas continuamos a ver uma necessária apreciação mais acelerada, principalmente relacionada ao controle macroeconômico, disse Dunaway.
A solução permanente para o problema é o maior uso de política monetária baseada no mercado, acrescentou. O BC da China precisa elevar sua taxa de juro e confiar mais pesadamente nas operações de mercado aberto para esfriar o crédito e impedir um novo surte de empréstimos ruins no sistema bancário, disse o FMI. O FMI disse que o atual crescimento econômico está muito forte, e uma elevação de sua previsão de crescimento de 10% do PIB para 2006 é provável, tornando este um bom momento para a China introduzir reformas. O Fundo observou ainda que a China gasta muito pouco em termos de participação da economia na saúde e educação em comparação com outros países de nível de desenvolvimento similar.