ECONOMIA
FMI divulga lista de lições a serem aprendidas

Por Agencia Estado
Depois de anos fazendo recomendações para gerenciamento de crises de países, principalmente emergentes, 2008 é o ano histórico em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) faz recomendações, ainda que sob o título macio de "lições a serem aprendidas", para instituições financeiras privadas, bancos centrais e Comitê da Basiléia II, no epicentro da crise deflagrada nas economias avançadas. No entanto, o Fundo diz que deveria ser evitada "pressa" na regulação dos mercados, para evitar intensificação do atual aperto de crédito. O FMI faz ainda uma autocrítica e vê espaço para que também promova, "de forma mais ativa", boas práticas para crises financeiras e gerenciamento de liquidez pelos bancos centrais.
No documento divulgado hoje, o Fundo diz que o setor privado tem dependido de forma crescente do setor público para proteção contra choques de liquidez. "Ambos setores precisam reexaminar como o gerenciamento de risco sistêmico de liquidez pode ser melhorado". De toda forma, o Fundo acredita que as autoridades deveriam evitar pressão para implementar novas regulamentações nos mercados e acredita que, se implementado rigorosamente, o acordo de capital da Basiléia II já forneceria melhora no setor bancário. Contudo, o Fundo reconhece que há áreas que precisam de um exame mais atento.
Para o Fundo, "diversos fatores" encorajaram as instituições financeiras a não se protegerem o suficiente contra um episódio adverso de liquidez. "Uma situação que precisa ser gerenciada", afirma. Para o FMI, "a crise atual fornece lições importantes para instituições financeiras". No gerenciamento de risco de liquidez, por exemplo, o FMI diz que as empresas precisarão incorporar saltos mais severos nos preços e a correlação de movimentos nos seus modelos de risco de mercado. Também é necessário "maior transparência" para os investidores sobre como o risco de liquidez está sendo gerenciado. Reparar os balanços, fazendo a baixa contábil rápida e razoável, ou seja, assim que conseguir estabelecer o tamanho, pode ajudar a "limpar os balanços" dos bancos.
O Fundo cita necessidade de maior supervisão para instituições que concedem financiamento hipotecário. Para ajudar a reduzir incertezas, o Fundo observa que poderia haver divulgação de relatórios especiais sobre estabilidade, que trariam avaliação de riscos correntes e planos para lidar com eles.
Sobre o próprio papel na crise atual, o FMI acredita ter mais espaço para promover boas práticas no setor financeiro. "Estas questões são cobertas nos Programas de Avaliação do Setor Financeiro do FMI e maior esforço será feito para colocá-las nos aconselhamentos políticos bilateral e multilateral do FMI", diz em relatório. "Como a crise ainda está se desdobrando, as lições ainda estão incompletas, mas há questões que precisam ser abordadas com urgência, elevar a confiança nas instituições financeiras deveria ser prioridade. Outras questões precisam de mais reflexão e estudo para minimizar efeitos não desejados derivados de práticas de supervisão", estima o FMI.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes



