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Leite vendido na Bahia será examinado a partir de quarta

Publicado quarta-feira, 31 de outubro de 2007 às 11:32 h | Atualizado em 31/10/2007, 11:32 | Autor: Josiane Schulz, do A TARDE
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Todas as marcas de leite longa vida comercializadas na Bahia passarão por análises laboratoriais para avaliação da qualidade dos produtos. A decisão foi tomada nesta terça-feira, 30, pela diretoria de Vigilância Sanitária da Bahia (Divisa), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesab), que emitiu nota oficial sobre o assunto. “Essa foi uma determinação do Estado da Bahia, numa resposta aos anseios população, que está assustada e preocupada com a qualidade do leite“, explicou a diretora da Divisa, Ita de Cácia Aguiar Cunha. Ela lembra que o trabalho tem caráter preventivo. “Não é de suspeita“, frisou.

As amostras serão coletadas em cinco municípios – Salvador, Feira de Santana, Barreiras, Vitória da Conquista e outro a ser definido – e analisadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública Professor Gonçalo Moniz (Lacen), localizado na capital baiana. “Esses municípios foram escolhidos por serem pólos regionais e por terem condições de recolher e encaminhar adequadamente as amostras“, explicou a diretora. “Estamos com uma equipe em Barreiras que já vai providenciar as amostras de lá“.

As análises laboratoriais começarão por Salvador, onde a Vigilância Sanitária municipal colherá amostras de leite nos supermercados, mercados e outros postos de comercialização, possivelmente, a partir de hoje. “Vamos entrar em contato com o Lacen e se houver condição do laboratório receber as amostras amanhã (hoje), começaremos imediatamente o trabalho“, afirmou Augusto Bastos, coordenador da Vigilância Sanitária de Salvador. Segundo ele, o prazo máximo para término da operação é a terça-feira da próxima semana. “Vamos ter amostras de todas as marcas, mas vamos priorizar a Parmalat, que teve lotes interditados“, informou Bastos.

De acordo com Ita de Cácia, serão recolhidas três amostras, do mesmo lote, de cada marca nos municípios. Uma delas ficará com o detentor do produto – o comerciante. “Será feita a análise na primeira amostra. Se acusar algum problema, examina-se a segunda, com a presença de um técnico da empresa responsável pela marca. Caso o problema se confirme, o fabricante tem o direito de pedir a análise da terceira amostra em outro laboratório, com acompanhamento de um técnico do Lacen“, descreveu Ita de Cácia.

INTERDITADOS – Além da análise do leite, a Divisa determinou a interdição cautelar no Estado dos lotes das marcas Calu, Parmalat e Centenário. O que já está sendo feito, conforme informou Bastos. Os dois representantes dos órgão de vigilância disseram não ter em mãos o número de marcas comercializadas na Bahia. No Brasil, estima-se que ultrapasse 130.

Amanhã, novas ações deverão ser anunciadas pelo Ministério da Agricultura. O ministro Reinold Stephanes anunciou anteontem reformulações no método de fiscalização federal e também a análise do leite consumido pelo brasileiro. De acordo com a assessoria de imprensa do ministério, representantes ligados ao órgão, vindos de todos os estados brasileiros, estão reunidos em Brasília para discutir a implementação das novas formas de controle. A Bahia tem dois membros na comissão. A previsão inicial é que os trabalhos do grupo terminem amanhã, mas a assessoria da pasta informou que as discussões podem se estender.

ADULTERAÇÕES – O clima de insegurança em relação ao leite originou-se das denúncias investigadas pela Operação Ouro Branco, deflagrada no dia 22 deste mês pela Polícia Federal e Ministério Público de Minas, de contaminação do alimento por cooperativas do Triângulo Mineiro, a partir da mistura de soda cáustica, água oxigenada e outros produtos. A adulteração, segundo dados da polícia, teria o objetivo de aumentar o volume e matar bactérias. Os lotes suspeitos foram interditados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitári e estão sendo recolhidos em todos os Estados brasileiros.

O leite longa vida é o mais consumido no Brasil. De acordo com estatísticas da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), em 2005, do total de leite fluído vendido no País, que foi de aproximadamente 6 bilhões de litros, 73,5% ou 4,4 bilhões de litros eram em embalagem longa vida. Dados do IBGE mostram que cerca de 28% do leite longa vida, envasado no segundo trimestre de 2007, foi industrializado em Minas Gerais. Na Bahia, esse índice foi de 1,7%.

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